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Política

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Haddad: 'Tarcísio presta um desserviço a São Paulo ao apoiar Flávio Bolsonaro'

Candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes argumenta que gestão de Jair Bolsonaro 'não ajudou em nada' o Estado de São Paulo

20 ago 2026 - 15h18
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Resumo
Em sabatina, Fernando Haddad criticou o apoio de Tarcísio de Freitas a Flávio Bolsonaro e condenou a atual gestão paulista. Na segurança pública, defendeu a cooperação com a União e criticou a alta letalidade policial. O petista também reprovou as privatizações da Sabesp e da CPTM, apontou concessões fiscais excessivas e criticou a situação do ensino médio estadual, prometendo concursos para professores e recuperação da infraestrutura escolar.

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a dizer nesta quinta-feira, 20, que considera a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência um risco institucional. Segundo ele, o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), presta "um desserviço" ao apoiar o nome de Flávio.

"Eu considero o Flávio Bolsonaro um risco institucional para o País tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista ético e social. E considero que o governador de São Paulo, ao apoiar o bolsonarismo, presta um desserviço ao próprio Estado, porque o (Jair) Bolsonaro não ajudou em nada o Estado de São Paulo ao longo de quatro anos de mandato", disse Haddad. As declarações foram feitas em sabatina do programa Balanço Geral, da TV Record.

Fernando Haddad critica alinhamento de Tarcísio com Flávio Bolsonaro.
Fernando Haddad critica alinhamento de Tarcísio com Flávio Bolsonaro.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Ele acrescentou ainda que, durante a sua gestão à frente da Fazenda foram direcionados quatro vezes mais recursos ao Estado do que na gestão anterior. Ele também frisou que a renegociação das dívidas dos Estados com a União reduziu o déficit de São Paulo em R$ 12 bilhões só com o pagamento de juros.

"Então sim, eu estou preocupado com São Paulo, mas eu sou cidadão brasileiro também", reforçou Haddad.

Haddad prega colaboração com governo federal por combate ao crime organizado

Haddad voltou a defender a necessidade de criar um comitê interinstitucional reunindo governo estadual e federal no combate ao crime organizado. Conforme Haddad, sem a cooperação com a administração federal é impossível deter o crime organizado.

"A letalidade policial é muito alta em São Paulo, quase dobrou no atual governo. Resolveu o problema de segurança? Não. Por quê? Porque com o dinheiro você recruta novas pessoas. Você precisa acabar com esse fluxo financeiro que vem de cima pra baixo, recrutando os jovens, tirando da escola e levando pro crime. E para isso você precisa combater um andar de cima", frisou Haddad.

Ele reforçou que a ideia é montar um comitê presidido pelo governador e que contará com assentos dedicados a órgãos como a Polícia Federal e da Receita Federal. "A cooperação vai sempre superar a desarticulação e a fragmentação", reforçou.

Entre as medidas que pretende adotar após ser eleito, o ex-ministro da Fazenda também voltou a citar a necessidade de agilizar o registro de boletins de ocorrência, inclusive pelo Whatsapp.

Durante a sabatina, Haddad também comentou sobre o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar em São Paulo, pontuando que, mesmo com essas medidas, a letalidade policial aumentou no Estado.

Nesse sentido, o petista destacou que falta transparência no uso das câmeras. "Tem acontecido em São Paulo de a câmera ser desligada no momento do confronto, que é justamente a prova que você precisa de que o policial não cometeu nenhum excesso, para preservar a vida dele e a vida do cidadão. Não tem nada a ver com aquela repressão que muitas vezes se faz necessária", disse ele.

Em seguida, Haddad ironizou uma fala recente de Tarcísio de Freitas, que, durante sabatinas recentes, disse que o uso de câmeras corporais no Estado estava alinhado com as práticas internacionais e era semelhante ao sistema utilizado em Paris, na França. "Não adianta invocar Paris para falar de coisa que não está acontecendo aqui, que é a transparência. Tivemos quase o dobro de mortes (por policiais), muitas das quais poderiam ser evitadas."

O ex-ministro da Fazenda disse que há uma certa "confusão" sobre o que ele realmente pensa em relação, por exemplo, ao combate ao crime organizado. Nesse sentido, Haddad disse que defende que haja uma distinção entre traficantes e dependentes químicos.

"Para mim, o traficante que fornece para o dependente químico está cometendo um crime hediondo, bárbaro. Porque vender droga já é grave para qualquer pessoa. Se você está usando uma pessoa vulnerável para vender droga, esse crime se torna ainda pior. Eu separo as duas coisas", frisou.

Ao comentar sobre o combate ao crime, Haddad também disse que é uma "cortina de fumaça" prometer aumento de penas no País, já que a grande maioria dos crimes sequer são elucidados. "O que é importante é punir. Porque a impunidade é que gera mais crime. E nós estamos punindo menos de 5% dos crimes cometidos".

Haddad comenta privatizações e educação em SP

Haddad afirmou que considera ser uma agenda de privatizações "açodada" que vem ocorrendo no Estado de São Paulo sob a atual gestão, com o único propósito de agradar o mercado financeiro.

Haddad citou que, após privatizada, a Sabesp projeta triplicar o volume de receitas em dois anos, mas que isso acontece às custas da população.

"Tem muita gente ganhando dinheiro às suas custas. E eu vou dar um exemplo. A Sabesp, que foi privatizada, aumentou a conta de água, piorou o serviço, e é uma das campeãs de queixa no Procon", disse Haddad, que em seguida também criticou as privatizações de linhas de trem da CPTM. "Nós temos que renegociar esses contratos. Esses empresários não podem ganhar o que estão ganhando", disse.

Ainda no campo econômico, Haddad afirmou que o Estado de São Paulo concede hoje muitos benefícios fiscais a empresários que não precisam.

Durante a sabatina, Haddad também reprovou a gestão do atual governador, Tarcísio de Freitas na área da Educação. Segundo Haddad, muitos prefeitos do Estado merecem ser saudados pela qualidade do Ensino Fundamental, enquanto que o nível Médio, sob responsabilidade do Estado, "está patinando".

"Em São Paulo, praticamente metade dos professores não passaram por concurso. Então essa é a primeira providência. A segunda é a infraestrutura das escolas", disse o petista, dizendo que, se eleito, recolocará a educação paulista do Ensino Médio entre as melhores do País.

Estadão
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