Haddad será lançado em São Paulo com acenos ao eleitor de centro e anúncio de suplentes
Em novo gesto aos partidos aliados, também serão anunciados os suplentes das candidaturas ao Senado
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, terá o nome homologado neste sábado, 25, durante convenção da federação formada por PT, PCdoB e PV, em Campinas. O evento formalizará as articulações conduzidas até agora e manterá o tom da pré-campanha de apresentar uma aliança ampla, com acenos ao eleitor de centro e ao interior paulista. Em novo gesto aos partidos aliados, também serão anunciados os suplentes das candidaturas ao Senado.
"É torcer para que o eleitor não se comporte como torcida de futebol", afirmou o coordenador da campanha de Haddad, Kiko Celeguim (PT-SP), ao Estadão/Broadcast, ao comentar suas expectativas para a disputa.
Após a ratificação dos candidatos da federação aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual, a ata será encaminhada posteriormente à Justiça Eleitoral, antes do pedido de registro das candidaturas majoritárias. As diretrizes do programa de governo serão apresentadas nessa etapa, e a versão completa do documento deverá ser divulgada na primeira quinzena de agosto.
Diante da escassez de candidaturas competitivas, a pré-campanha já considera a possibilidade de a disputa estadual terminar no primeiro turno. Ainda assim, a meta é fazer com que Haddad supere o desempenho de 2022, ajude o PT a ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e ofereça um palanque consistente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do País.
Na leitura dos petistas ouvidos pela reportagem, o Estado ocupa uma posição ainda mais estratégica neste ano diante da concentração das forças de centro-esquerda em torno do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) na disputa fluminense e de um cenário menos favorável em Minas Gerais. Em São Paulo, a avaliação é que a aliança formada em torno de nomes de perfil mais amplo chega à campanha mais coesa do que em eleições anteriores.
A equipe do ex-ministro avalia que São Paulo terá, na eleição presidencial, importância semelhante à de 2022. Naquele ano, Haddad obteve 44,73% dos votos válidos no segundo turno da disputa estadual, porcentual praticamente igual aos 44,76% alcançados por Lula entre os paulistas. Para a campanha, esse desempenho foi decisivo para a vitória apertada do presidente, uma vez que sua votação no Nordeste permaneceu próxima à registrada pelo PT em pleitos anteriores. Neste ano, a nacionalização da disputa também deve aparecer sobretudo na defesa de que o governo federal destinou a São Paulo mais recursos do que a própria gestão estadual.
A rejeição de 47% a Haddad registrada pelo Datafolha é interpretada pelos aliados como expressão da resistência histórica de parte do eleitorado paulista à esquerda e ao PT, e não necessariamente ao ex-ministro. Como contraponto, a campanha destaca que ele venceu Tarcísio de Freitas (Republicanos) na capital e na Grande São Paulo em 2022.
A derrota de Guilherme Boulos (PSOL) para o prefeito Ricardo Nunes (MDB), em 2024, também não é vista como parâmetro para a eleição estadual. Na avaliação da campanha, disputas municipais obedecem a uma dinâmica própria, e Nunes conseguiu se apresentar como uma alternativa moderada diante da radicalização representada pelo influenciador Pablo Marçal (União Brasil), além de ter sido beneficiado pela avaliação desfavorável do governo federal naquele momento.
Os aliados de Haddad consideram ainda que Nunes não terá capacidade de transferir votos de forma significativa para Tarcísio na capital. Para relativizar o peso dos prefeitos nas eleições estaduais, citam o exemplo do ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos), que contou com o apoio de mais de 500 chefes de Executivos municipais em 2022, mas terminou o primeiro turno em terceiro lugar.
Convenção terá Lula e Alckmin
Com a presença de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na convenção, os discursos devem se concentrar em três eixos e buscar tanto eleitores pragmáticos e moderados, especialmente antigos eleitores do PSDB, quanto moradores do interior, região tradicionalmente mais resistente ao PT e favorável a candidatos conservadores.
O primeiro eixo será a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e seus impactos sobre o agronegócio e a indústria paulistas, setores com forte presença no interior. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida adotada pelo governo de Donald Trump deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, com base nos embarques de 2024.
A estratégia será associar as tarifas à atuação do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e a manifestações anteriores do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Flávio participou de audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e enviou ao órgão um documento no qual sugeriu o adiamento das tarifas em razão das eleições brasileiras deste ano.
Os discursos também devem relembrar o apoio de Tarcísio a Trump e o vídeo em que o governador aparece com o boné vermelho do movimento Make America Great Again (Maga) no dia da posse do republicano.
O segundo eixo será a intensificação das críticas à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em meio aos problemas de relacionamento entre o Palácio dos Bandeirantes e prefeitos, a campanha pretende acusar a gestão Tarcísio de pressionar municípios com serviços próprios de saneamento a aderir, em um eventual segundo mandato, ao modelo de concessões defendido pelo governo estadual.
O terceiro eixo será a segurança pública, com críticas à gestão do ex-secretário estadual e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP). A estratégia será levar o debate ao plano nacional e explorar a atuação do deputado como relator do projeto de lei antifacção. A campanha deve recuperar as críticas feitas às versões iniciais do parecer pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais especialistas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). À época, Gakiya alertou para o risco de o texto limitar a atuação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) nas investigações contra o crime organizado.
Os petistas apostam ainda que Tarcísio terá baixo engajamento na campanha de Flávio, tanto pelo distanciamento provocado pela repercussão do caso Dark Horse quanto pela avaliação de que o governador não teria interesse em eleger um presidente que poderia disputar a reeleição em 2030.
Suplentes de Marina e Tebet indefinidos
Após cerca de três meses de negociações, a chapa foi fechada com as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na disputa pelo Senado e Márcio França (PSB) como pré-candidato a vice-governador. As discussões se concentram agora nas suplências das duas candidaturas, que devem ser definidas em reunião na sexta-feira, 24.
Além dos três partidos que compõem a federação, a pré-candidatura de Haddad conta com o apoio do PSB, representado na chapa por França e Tebet, do PDT e da federação PSOL-Rede, que indicou Marina. O PDT chegou a pleitear a vaga de vice com a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) Teka Vendramini, mas ela recusou o convite.
As demais legendas aliadas buscam espaço nas suplências ao Senado. Os postos ganham relevância diante da possibilidade de Marina e Tebet, caso eleitas, licenciarem-se do mandato para assumir ministérios em um eventual quarto governo de Lula.
O PT avalia indicar para as duas suplências de Tebet o advogado Laio Correia Morais, ex-chefe de gabinete de Haddad na Fazenda, e a vereadora de São Bernardo do Campo Ana Nice (PT), primeira mulher negra eleita para a Câmara Municipal. As duas vagas de suplente de Marina, por sua vez, são disputadas por PDT, PV e PSOL. As siglas avaliam indicar, respectivamente, o sindicalista Antonio Neto, o vereador paulistano Roberto Tripoli e o ex-deputado federal Ivan Valente.
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