Haddad fala em 'clamor' pela reestatização da Sabesp, mas vê 'imbróglio jurídico medonho'
Em sabatina, petista afirma que estudará 'com muito carinho todas as possibilidades' para a companhia; candidato ao governo de SP também comentou sobre reeleição de Lula e investigações contra o filho do presidente
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse que há um "clamor" pela reestatização da Sabesp e que, por isso, pretende estudar todas as possibilidades para a companhia em um eventual governo, mas ponderou que reverter uma privatização recém-concluída seria um "imbróglio jurídico medonho".
"A maioria das pessoas é a favor da reestatização (da Sabesp). Eu já vi pesquisa que 54%, 55% dos paulistas são a favor da reestatização (da Sabesp). Eu nem sei se estão considerando o fato de que tem gente que mora em cidade que não é atendida pela Sabesp, porque esse número pode ser bem maior se pegar só os atendidos pela Sabesp. Então, eu sei desse clamor e eu vou estudar com muito carinho todas as possibilidades. Mas antecipo: você reestatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio jurídico medonho, de um tamanho grande", afirmou o ex-ministro da Fazenda, em sabatina à rádio CBN e aos jornais O Globo e Valor Econômico, nesta quarta-feira, 18.
Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Haddad prometeu, se eleito, abrir um diálogo com a companhia.
"Vou sentar de boa fé à mesa com a Sabesp e falar: olha, do jeito que está, não dá. Ou a gente revê as salvaguardas para a população - inclusive a fórmula de reajuste da conta e a questão do abastecimento - ou nós vamos ter problema", disse.
Haddad afirmou, por diversas vezes, não ser contra privatizações e concessões, desde que não resultem em aumento de preços e piora do serviço prestado, o que ele sustenta ser o caso da Sabesp. Ele citou como exemplo as rodovias, mencionando que o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) fez mais concessões de rodovias no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-titular da pasta, na gestão de Jair Bolsonaro (PL).
Ao falar sobre o peso de sua candidatura na disputa nacional, Haddad afirmou que está em um projeto "nacional e estadual" e que a decisão de concorrer ao governo de São Paulo teve como pano de fundo não colocar em risco a reeleição de Lula.
"Eu vim para cá para não colocar (a reeleição de Lula em risco). Dentre outras coisas, eu penso que tem um projeto nacional", afirmou o petista, citando que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência representa um "risco ao País" e que não pode conceber a hipótese de ele chegar ao Planalto.
O ex-ministro da Fazenda reconheceu que concorre em desvantagem em relação a Tarcísio - o governador tem dez partidos em sua coligação, fora outros apoios não oficiais, contra sete do petista - e disse que a eleição para o Estado é uma "luta de Davi contra Golias" e que não sabe se terá tempo para apresentar à população suas críticas à gestão Tarcísio, principalmente nas áreas de educação, saúde, segurança, finanças e economia.
Questionado sobre a possibilidade de a disputa terminar no primeiro turno, em razão da ausência de outras candidaturas competitivas, Haddad disse que não sabe dizer se esse cenário pode interferir na disputa nacional e lembrou que o PSDB liquidou a disputa em São Paulo no primeiro turno "n vezes", inclusive com o hoje vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB).
Haddad sobre Lulinha: 'A pessoa errou? Paga'
O petista foi questionado sobre as investigações envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e disse que é a favor de "passar a régua em quem quer que seja". "Tem uma lei, ela tem que ser respeitada. A pessoa errou? Eu não quero saber o partido, a religião, o time de futebol. Paga." Haddad afirmou que nunca viu o presidente Lula mexer "um dedo" por quem quer que seja. "Pode ser amigo, filho, parente."
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