Candidatos miram em governadora ausente e criticam crise no BRB e rombo no orçamento durante debate
Celina Leão (PP), à frente nas pesquisas, cancelou participação e foi alvo de adversários por conta de crise no Banco de Brasília e rombo no orçamento do Distrito Federal
Líder nas pesquisas, a governadora Celina Leão (PP) faltou ao debate da TV Globo e tornou-se o principal alvo dos adversários ao governo do DF. Diante de um púlpito vazio, candidatos como Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) criticaram sua ausência e cobraram explicações sobre o rombo de R$ 5,5 bilhões no Orçamento e as fraudes de R$ 15 bilhões ligadas ao Banco Master que afetam o BRB. A campanha governista optou pelo não comparecimento para evitar o isolamento diante dos ataques da oposição.
BRASÍLIA — A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), cancelou sua presença no debate promovido pela TV Globo nesta terça-feira, 29, a cinco dias do primeiro turno, e virou o principal alvo dos adversários.
Os candidatos presentes fizeram perguntas a Celina diante de um púlpito vazio e críticas ao governo da candidata à reeleição em função da crise no Banco de Brasília e do rombo no orçamento do Distrito Federal.
Celina Leão lidera as pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana. A candidata marcou 39% no primeiro turno em levantamento da Quaest publicado nesta terça. Leandro Grass (PT) tem 23% e Paula Belmonte (PSDB) registrou 9%.
Participaram do debate Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli e Kiko Caputo (Novo).
O governo do Distrito Federal ainda não realizou o aporte necessário para cobrir o prejuízo do Banco Master no Banco de Brasília. A Polícia Federal identificou R$ 15 bilhões em fraudes praticadas entre o Master o BRB.
O Executivo distrital tenta um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para injetar dinheiro no banco estatal, mas não conseguiu aval nem da União nem de bancos para finalizar a operação. Paralelamente, tenta reverter um rombo de R$ 5,5 bilhões registro no Orçamento em 2025.
"Ela não está aqui porque ela não respeita você", disse o candidato do PT, Leandro Grass, dirigindo-se ao telespectador. "Eu queria saber dela: cadê o dinheiro do BRB?" questionou Grass, em referência à governadora.
O candidato do Novo, Kiko Caputo, não estava previsto no debate, mas garantiu sua presença após decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes, que determinou a inclusão de candidatos do partido Novo em debates nacionais e estaduais na véspera da eleição.
"Estamos vivendo o pior governo do Distrito Federal. A senhora está envolvida no escândalo do Master", disse Caputo, também se dirigindo à governadora ausente.
A falta de balanço do BRB motivou críticas à governadora. Como mostrou o Estadão, a ausência do documento esvaziou os planos dos candidatos sobre o futuro do banco, que temem uma liquidação ou privatização da estatal após as eleições. "Eu fico me perguntando: cadê o balanço do BRB? Celina, cadê o balanço? Você não mostrou", afirmou Paula Belmonte (PSDB).
Integrantes da campanha de Celina avaliaram que ela não teria ganhos no debate, pelo contrário, seria o único alvo dos adversários e não teria espaço para responder todas as críticas. A candidata do PP também não foi ao debate da TV Record, no último dia 21. Durante o debate, a governadora marcou uma reunião com administradores de quadras do Plano Piloto, região central de Brasília.
Celina foi criticada por ter sido vice de Ibaneis Rocha (MDB), principal fiador político da compra do Master pelo BRB, e ter tentado se afastar da crise do BRB. Também foi alvo por conta do rombo no caixa do Distrito Federal, que atingiu R$ 5,5 bilhões em 2025.
"Tem muito dinheiro no Distrito Federal. O problema é que o dinheiro não chega onde tem de chegar. O dinheiro está sendo desviado para a corrupção e para cabide de emprego", afirmou Ricardo Cappelli (PSB), citando o orçamento de R$ 74 bilhões do Distrito Federal e a existência de 27 mil cargos comissionados.
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