'Pode chorar', diz Gilmar a Mendonça, que rebate: 'Aqui não tem choro'
Flávio Dino e Edson Fachin também protagonizaram embates nesta terça-feira
Os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes trocaram farpas durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Durante a sessão, Mendonça afirmou que os ministros estavam no tribunal “por dever de ofício” e que, diante dos fatos apresentados, seria possível questionar a decisão de realizar o julgamento.
“Estamos aqui por dever de ofício. Ninguém gostaria de estar aqui. Talvez hoje, conhecendo os fatos, a gente possa até avaliar se não deveria ter feito isso…”, disse.
Na sequência, Gilmar criticou Mendonça por “ilações” contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto a seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, afirmou.
Mendonça reagiu à fala e pediu respeito ao colega.
“Desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite”, rebateu.
Em seguida, Gilmar respondeu: “Pode chorar, pode chorar”. "Aqui não tem choro", rebateu Mendonça.
A reação de Gilmar ocorreu após Gonet dizer que estava feliz com o reconhecimento, por parte de Mendonça, de que não havia ilícitos atribuídos ao procurador-geral da República.
Durante o julgamento, Gonet também afirmou não ter tido relação de proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Não existe, nem tive, relacionamento de proximidade com Vorcaro. O único encontro que tive com ele foi com várias autoridades em abril de 2024”, disse.
O procurador-geral também afirmou que eventual investigação contra ele dependeria de manifestação do órgão competente do Ministério Público.
“Procurador-geral da República só pode ser investigado depois da manifestação do órgão próprio, do Ministério Público”, declarou.
Embate entre Dino e Fachin
O ministro Flávio Dino pediu a intervenção de Edson Fachin, presidente do STF, diante do prolongamento dos debates e criticou a condução da sessão.
“Vossa Excelência está assistindo isso há horas. Se Vossa Excelência vai assistir a isso, eu não vou. Nós estamos em termos que degradam a imagem do tribunal. Você está fazendo com que este debate se arraste por semanas, quiçá meses. Apenas um lembrete patriótico e fraterno”, afirmou.
Em outro momento, o ministro voltou a criticar a condução dos trabalhos e questionou a marcação de novas sessões para tratar do caso.
“Eu tenho responsabilidade com esse país. Vossa Excelência, além de marcar essa sessão desastrada, ainda marcou outra na próxima semana. E, nas próximas semanas, você estará condenado a marcar outras dezenas de sessões iguais a esta”, disse Dino.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.