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Política

Geleira na Antártida perde 25 km entre 2022 e 2024 e registra recuo recorde de 8 km em dois meses; veja antes e depois

Fenômeno registrado na geleira Hektoria, na Península Antártica, teve retração de 8km em apenas dois meses

4 mai 2026 - 18h50
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Antes e depois da geleira Hektoria.
Antes e depois da geleira Hektoria.
Foto: Imagens do Observatório da Terra da NASA por Lauren Dauphin, utilizando dados do Landsat do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

A geleira Hektoria, localizada na Península Antártica, perdeu cerca de 25 quilômetros de extensão entre outubro de 2022 e março de 2024, segundo a agência espacial americana Nasa. Também foi registrado um recuo de mais de 8 quilômetros em apenas dois meses, considerado o maior ritmo de perda de gelo terrestre já observado por cientistas na história moderna. As imagens foram divulgadas nesta segunda-feira, 4, pela Nasa.

O fenômeno foi analisado por uma equipe internacional de pesquisadores com base em dados de sensoriamento remoto e imagens de satélite. Segundo os cientistas, a geometria específica da geleira favoreceu o colapso acelerado. A Hektoria possuía uma “língua de gelo”, uma extensa plataforma flutuante conectada ao continente, que acabou se fragmentando e desaparecendo.

Geleira Hektoria em 30 de outubro de 2022
Geleira Hektoria em 30 de outubro de 2022
Foto: Imagens do Observatório da Terra da NASA por Lauren Dauphin, utilizando dados do Landsat do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Geleira Hektoria em 25 de março de 2024
Geleira Hektoria em 25 de março de 2024
Foto: Imagens do Observatório da Terra da NASA por Lauren Dauphin, utilizando dados do Landsat do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Além da perda da plataforma de gelo, os pesquisadores identificaram o desaparecimento de uma grande área de gelo apoiada sobre uma planície rochosa, fator que contribui diretamente para a elevação do nível do mar. Embora a Hektoria seja considerada pequena em comparação a outras geleiras antárticas, os cientistas alertam que um colapso semelhante em geleiras maiores poderia ter impactos muito mais graves para o planeta.

A origem da instabilidade remonta a 2002, quando uma plataforma que funcionava como uma espécie de “barreira protetora” para geleiras da região, entrou em colapso. Após isso, a Hektoria passou anos afinando e recuando lentamente. Em 2011, o gelo marinho voltou a estabilizar parcialmente a região, permitindo um novo avanço da geleira.

No entanto, em janeiro de 2022, o gelo marinho que sustentava a frente da geleira se rompeu novamente, provavelmente por causa de fortes ondulações oceânicas, segundo a Nasa. A partir daí, o processo de destruição acelerou rapidamente. Durante o verão antártico daquele ano, a língua de gelo se desintegrou em sucessivos desprendimentos, provocando uma perda de 16 quilômetros.

Após uma aparente estabilização no inverno de 2022, dados de satélites mostraram que o gelo continuava afinando. Os cientistas concluíram que parte da geleira estava apoiada sobre uma planície rochosa relativamente plana, permitindo que a água do mar penetrasse sob o gelo durante as marés altas e levantasse grandes blocos de uma só vez. O processo, conhecido como “desprendimento impulsionado pela flutuabilidade”, teria causado uma nova retração de cerca de 8 quilômetros em apenas dois meses.

A glaciologista da Universidade de Innsbruck e principal autora do estudo, Naomi Ochwat, estuda outras geleiras da Península Antártica que podem estar vulneráveis a colapsos semelhantes. Segundo os autores, novas tecnologias desenvolvidas pela Nasa devem ajudar a monitorar mudanças rápidas nas geleiras e entender melhor os impactos do aquecimento global sobre a região.

Dois satélites desenvolvidos pela Nasa e parceiros podem detectar o movimento das superfícies terrestres e de gelo com precisão de centímetros. Seus dados serão “muito úteis para avaliações estruturais da Hektoria e de outras geleiras na região”, disse o cientista Ted Scambos, coautor do estudo.

Para Scambos, a geleira Hektoria dificilmente voltará a apresentar o mesmo comportamento. “Ela perdeu tanta elevação e massa que simplesmente não consegue mais manter o mesmo fluxo de gelo”, afirmou. “Está a caminho de se tornar um fiorde, e não mais uma geleira.”

Fonte: Portal Terra
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