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Política

Flávio pede monitoramento e pressão diplomática por 'eleições justas' no Brasil em discurso nos EUA

Senador e pré-candidato à Presidência da República foi palestrante no CPAC, o mais conhecido evento conservador americano, no Texas

28 mar 2026 - 17h38
(atualizado às 18h00)
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BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, durante um discurso nos Estados Unidos, que os americanos "monitorem a liberdade de expressão" no Brasil e façam pressão diplomática sobre o País para garantir "eleições justas" em outubro, em que ele vai disputar a Presidência da República.

Flávio discursou neste sábado, 28, para uma plateia de conservadores no CPAC, o mais conhecido evento conservador americano. O evento foi realizado no Texas.

Flávio Bolsonaro discursa no CPAC no Texas
Flávio Bolsonaro discursa no CPAC no Texas
Foto: Reprodução/ / Estadão

Flávio acusou o ex-presidente americano Joe Biden, do Partido Democrata, de interferência nas eleições brasileiras em 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de uma "enxurrada de dinheiro" da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Bolsonaristas vêm afirmando nos últimos anos que agência teria interferido no resultado das urnas e financiado campanha de Lula, mas não há documento público que comprove isso. Projetos bancados pelo órgão dos EUA no Brasil são principalmente na área de saúde e educação, como já checou o Estadão Verifica.

A vitória de Lula na eleição, declarou Flávio, rendeu ao Brasil "outra crise econômica devastadora, uma crise de segurança pública com expansão enorme de cartéis narcoterroristas, e múltiplos escândalos de corrupção envolvendo até membros da própria família do Lula".

O senador afirmou não querer interferência nas eleições brasileiras "como o governo Biden fez para trazer Lula ao poder", mas pediu que os Estados Unidos e demais países "observem a eleição do Brasil com enorme atenção".

"Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente", declarou.

O comentário endossa a versão difundida por muitos bolsonaristas de que as eleições de 2022 foram fraudadas. Até hoje não surgiu prova disso, nem mesmo no relatório elaborado pelas Forças Armadas, alinhadas ao governo Bolsonaro, para fiscalizar as urnas eletrônicas.

"Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana —essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?", discursou o senador.

Flávio afirmou que seu pai sofre uma perseguição judicial, tal como Trump teria passado nos Estados Unidos, e que os mesmos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenaram também trabalharam para levar Lula de volta ao poder, sugerindo uma conspiração contra a direita.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, junto de membros da cúpula de seu governo (2019-2022), entre eles generais. Hoje ele cumpre a pena em prisão domiciliar temporária, em razão dos problemas de saúde.

Ao destacar a influência e o tamanho do Brasil na América Latina, considerando território, PIB e população, o discurso tentou reforçar a importância para o governo Trump de ter mais um governo alinhado aos valores conservadores na região.

"Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do hemisfério, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna qualquer política americana para a região impossível", disse.

Ele citou cinco vezes o termo "cartéis de drogas" para pedir colaboração americana no combate a facções como o paulista PCC e o carioca CV. E pintou Lula como aliado desses grupos criminosos.

Flávio prometeu voltar ao palco do CPAC no ano que vem como presidente do Brasil, e que ele será uma versão melhorada de seu pai, assim como o segundo governo Trump seria melhor do que o primeiro, em suas palavras. Ele estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, apresentado no evento como "deputado exilado", e outros aliados.

Estadão
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