Flávio Bolsonaro usou passaporte italiano e deixou Argentina às 23h52, mostra registro migratório
Candidato derrotado do PL embarcou no aeroporto de Puerto Iguazú para viagem aos Estados Unidos
Registros migratórios mostram que o senador Flávio Bolsonaro usou um passaporte italiano para entrar na Argentina e embarcar em um voo rumo aos Estados Unidos. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar a retenção de seus passaportes brasileiros por risco de fuga, no âmbito de um inquérito de lavagem de dinheiro da PF. Apesar de ter prometido entregar os documentos e permanecer no país, Flávio descumpriu a ordem judicial e viajou para Miami em um jato executivo.
BRASÍLIA - Os registros migratórios do governo da Argentina mostram que o senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho e deixou o aeroporto de Puerto Iguazú às 23h52 da terça-feira, 27.
O Estadão teve acesso ao último registro de saída de movimentação migratória de Flávio Bolsonaro na Argentina. O documento foi emitido com o passaporte italiano do senador e comprova formalmente que Flavio só viajou com destino aos Estados Unidos na noite de terça.
Durante a madrugada, o governo argentino divulgou uma nota dizendo que Flávio Bolsonaro havia ingressado à noite no país pela fronteira terrestre com o Brasil, acompanhado de sua família, e embarcado em um voo. O governo se limitou a dizer que ele usou um documento de viagem legal.
A aeronave na qual Flávio Bolsonaro teria embarcado seria um jato executivo bimotor Gulfstream G400 pertencente a uma empresa de táxi aéreo. A aeronave decolou do aeroporto de Puerto Iguazú às 0h21 desta quarta-feira, 28, e fez uma parada em Guayquil, no Equador, às 3h46 da madrugada, conforme registros de voo. Pouco mais de meia hora depois, deixou o local com destino aos Estados Unidos e a previsão de chegada a Miami é até 11h (horário de Brasília).
Um dia depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio gravou um vídeo no qual afirmou que não sairia do País e que entregaria o passaporte à Polícia Federal, seguindo a intimação que recebeu na manhã de segunda-feira, 26.
A determinação de apreensão do documento pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi feita a pedido da PF, que citou "risco concreto de evasão" do senador.
De acordo com a corporação, a medida é justificada pelo "precedente concreto" de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador, que está nos Estados Unidos enquanto é investigado. A decisão de Moraes se deu no âmbito do inquérito que apura crime de lavagem de dinheiro por parte de Flávio e Willer.
Flávio descumpriu a ordem e fugiu para os Estados Unidos, onde mora seu irmão Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado havia afirmado em vídeo que o senador deveria sair do Brasil caso perdesse a eleição. Flávio teve os passaportes brasileiros cancelados pela polícia.
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