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Política

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Ex-ministra de Bolsonaro reconhece vitória de Lula após carta golpista e fuga de Flávio

Tereza Cristina pediu 'respeito ao resultado das urnas' e união da direita. Além dela, Tarcísio, PL, vice de Flávio e presidente do TSE atestaram a vitória de Lula

28 out 2026 - 22h10
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Resumo
A senadora Tereza Cristina reconheceu a vitória de Lula e pediu respeito às urnas, pregando serenidade e união da direita. O posicionamento ocorreu após o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, alegar fraude sem provas em carta e viajar para Miami, contrariando conselhos de aliados e com documentos cancelados pelo STF por suspeita de lavagem de dinheiro. Outros aliados, como Tarcísio de Freitas e o próprio PL, também admitiram o resultado oficial da eleição presidencial.

BRASÍLIA — Líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS) reconheceu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira, 28. A ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou a nota após o presidenciável derrotado Flávio Bolsonaro (PL) publicar uma carta golpista, mas evitou mencioná-la diretamente. Também não comentou a fuga dele para Miami, nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de 'sonho de consumo' ao ser questionado sobre vaga de vice em chapa - Fotos: Wilton Junior/Estadão
Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de 'sonho de consumo' ao ser questionado sobre vaga de vice em chapa - Fotos: Wilton Junior/Estadão
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A senadora pediu "respeito ao resultado das urnas" e afirmou que é hora de "olhar para frente". Tereza Cristina apoiou a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto ainda no primeiro turno, mesmo com o PP neutro na disputa presidencial àquela altura.

"O atual momento exige serenidade e respeito ao resultado das urnas. A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir", declarou a senadora, em nota.

No manifesto, Flávio se autointitulou como "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Depois, recuou para se colocar como "o líder do Brasil". O senador chamou o resultado das urnas de "fraude eleitoral" sem apresentar provas em consonância com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno", escreveu o candidato do PL na carta.

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que forma uma das principais bancadas do Congresso Nacional, pregou a união dos políticos de direita. Tereza tenta se viabilizar como candidata à presidência do Senado —o PP declarou apoio à recondução do senador Davi Alcolumbre (União-AP).

"Seguiremos trabalhando e fiscalizando as ações do governo. É hora de a direita unir esforços, defender os interesses de milhões de brasileiros e manter o compromisso com o futuro do nosso país", completou a ex-ministra, que esteve à frente da pasta durante o governo Bolsonaro.

Como mostrou o Estadão, Flávio, a esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, e as filhas saíram do Brasil de carro via Foz do Iguaçu na terça-feira, 27. A família embarcou num jato particular no Aeroporto Internacional de Cataratas del Iguazu, na Argentina, e desembarcou em Miami, nesta quarta, pouco depois das 10h30, no horário de Brasília.

Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para os EUA depois de a Polícia Federal (PF) cancelar os documentos brasileiros, que não poderiam ter sido usados. A ordem partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes dentro do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do senador com o advogado Willer Tomaz.

Em entrevista exclusiva ao Estadão, o governador Tarcísio de Freitas disse que aconselhou Flávio a não fugir do País. "O conselho que nós demos a ele - os advogados, eu, o (senador Rogério) Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas - foi que ficasse (no Brasil)", afirmou.

Além dele e de Tereza, o próprio PL, o candidato a vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reconheceram o resultado das urnas.

Estadão
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