Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

Publicidade

Flávio Bolsonaro supera Lula em 83 municípios dos 100 mais ricos do agro

Números reiteram apoio dado por lideranças do setor produtivo ao senador do PL e ratificam a avaliação de rejeição do setor agropecuário ao governo Lula

27 out 2026 - 15h14
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
No segundo turno presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) venceu Lula (PT) em 83 dos 100 municípios mais ricos do agronegócio, superando a marca de Jair Bolsonaro em 2022 (77 cidades). Esses polos agrícolas, que somam quase 29% da produção nacional, consolidaram-se como bastiões do bolsonarismo, sobretudo no Centro-Oeste e entre grandes produtores de grãos e carnes. Lula venceu nos outros 17 municípios, concentrando seus votos no Nordeste, no Pará e em áreas de produção mais diversificada.

BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superou, no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 83 dos 100 municípios mais ricos do agronegócio do País. Nos outros 17, Lula recebeu a maioria dos votos. O resultado é idêntico ao registrado nestes municípios no primeiro turno do pleito. Os números reiteram o apoio dado por lideranças do setor produtivo ao senador do PL e ratificam a avaliação de rejeição do setor agropecuário ao governo Lula.

Com os números, Flávio Bolsonaro ampliou o desempenho obtido pelo pai nos municípios de economia predominantemente agrícola. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) superou Lula em 77 dos 100 municípios mais ricos do agronegócio do País, enquanto Lula recebeu a maioria de votos válidos nos outros 23 municípios.

Flávio Bolsonaro em entrevista após a derrota na eleição presidencial
Flávio Bolsonaro em entrevista após a derrota na eleição presidencial
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Juntos, esses municípios somam 6,563 milhões de eleitores aptos, o equivalente a 4,13% do total do País, e concentram 28,9% do Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP) nacional, com R$ 267,817 bilhões. Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast cruzou dados dos municípios com maior valor de produção da Pesquisa de Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2025, com os dados de votação dos presidenciáveis de cada município disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No topo da lista do VBP está Sapezal (MT), polo produtor de grãos e algodão, onde Flávio Bolsonaro obteve 71,66%, dos votos válidos, contra 28,34% de Lula. Entre os 10 maiores da lista, o placar de Flávio Bolsonaro contra Lula foi de oito - Sapezal, Sorriso, Campo Novo dos Parecis, Diamantino e Nova Mutum em Mato Grosso, e Rio Verde, Cristalina e Jataí em Goiás - a dois: nos municípios baianos de São Desidério e Formosa do Rio Preto. O senador também ganhou no município da lista dos 100 VBP com maior número de eleitores (2,258 milhões), Brasília (DF), com 54,28% dos votos válidos ante 45,72% de Lula.

Do total das 100 cidades que figuram no ranking, em 47 municípios, Flávio Bolsonaro recebeu mais de dois terços dos votos, ampliando a vantagem que foi de 42 no primeiro turno. A maior porcentagem de votos obtida pelo senador foi em Água Boa (MT), com 80,68% dos votos contra 19,32% de Lula, enquanto a de Lula foi em Cametá (PA), com 78,20% contra 21,80% de Flávio Bolsonaro, ambos, repetindo o resultado do 1º turno.

As votações entre os dois foram mais apertadas nas cidades de Dom Pedrito (RS) - com 50,40% para Flávio Bolsonaro e 49,60% para Lula, uma diferença de 167 votos - e Uberaba - com 52,95% para o senador carioca e 47,05% para o presidente reeleito, diferença de 10.975 votos. No primeiro turno, o resultado mais apertado entre os municípios do agro foi em São Mateus (ES) e Tasso Fragoso (MA).

Municípios mais ricos do agro são 'bastião do bolsonarismo'

Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Daniel Miranda, os municípios mais ricos do agronegócio se comportaram como uma espécie de "bastião" do bolsonarismo nessa eleição. "Lula obteve melhor desempenho neste segundo turno em quase todos os municípios do País, mesmo onde não virou, obteve crescimento. Em compensação, onde há maior peso do agro, não houve virada ou crescimento de Lula. Essas cidades podem ser entendidas como resistência do desempenho do bolsonarismo", apontou.

Miranda pondera que a virada de Lula foi construída sobre a exposição da plataforma de propostas de Flávio Bolsonaro e o engajamento com mobilização da população. "No segundo turno, a plataforma de governo de Flávio Bolsonaro foi exposta e, certamente, em cidades médias e grandes, que são mais propensas a engajamento e mobilização urbana. Em municípios menores nos quais prevalece a população rural, o movimento não tem propagação. Já no caso de cidades médias com PIB com maior peso do agro, houve um freio da tendência observada nacionalmente", aponta.

Miranda destaca que os números reforçam a resistência do agronegócio ao presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores e o alinhamento ideológico ao bolsonarismo. "O agronegócio, que tinha inclinação à direita tradicional, foi arrastado nesse movimento de derrocada da direita com predisposição ideológica e lideranças pragmáticas do setor perdendo espaço", pontuou.

Para o cientista político, a eleição de 2026 consolidou ainda a divisão observada em 2022 com o agro exportador e industrial mais propenso a Lula e o campo mais alinhado a Flávio Bolsonaro. "O setor exportador tende a ser mais pragmático até por necessidade de estabilidade política, financiamento e construção da imagem no exterior, com apoio tímido a um ou outro candidato, mas não necessariamente embarcando em alguma candidatura", disse.

Já no Pantanal, bioma que atravessa os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Lula obteve desempenho superior no segundo turno ante o primeiro turno e maior que o do adversário. "É uma região na qual a questão ambiental não é apenas discurso político, mas econômico porque dependem do turismo, e possui uma das legislações ambientais mais rígidas. Já em outros municípios do agro, há contraposição. Essa é uma das hipóteses para explicar esse movimento dado que ficou claro que o governo Flávio seria uma repetição do governo Jair Bolsonaro com desmonte ou paralisia dos órgãos ambientais", avaliou Miranda. Um dos exemplos é Corumbá, maior município do Pantanal, no qual Lula virou e obteve melhor desempenho no segundo turno com 50,73% dos votos totais contra 49,27% de Flávio Bolsonaro.

Diferentemente do ocorrido em 2022, Miranda, entretanto, não vê o agronegócio embarcando em movimentos de contestação ao resultado das urnas neste ano. "Há uma série de fatores que ajudam a arrefecer o ânimo daqueles que teriam mais inclinação à uma mobilização vista em 2022. O principal é que a ampliação da direita no Congresso é suficiente para barrar qualquer medida que contrarie seus negócios e o setor tem ciência da força da bancada do agronegócio. Isso dá segurança ao setor de que o governo Lula estará com mãos atadas , o que desestimula movimentos custosos que poderiam gerar instabilidade institucional e macular a imagem do agro", analisou Miranda. "Além disso, o governo Lula não foi um governo contrário aos interesses do agronegócio. Os pontos de atrito mais relevantes estão na reforma agrária e na política ambiental", pontuou.

Divisão geográfica seguiu lógica da votação geral do País

A divisão geográfica do levantamento seguiu, em certa medida, a lógica da votação geral do País. Flávio Bolsonaro saiu à frente nas cidades do Centro-Oeste, enquanto Lula venceu nos municípios do Nordeste. Em Mato Grosso, maior produtor de carnes e grãos do País, o senador do PL superou Lula em todas as 40 cidades que figuram na lista. O mesmo se repetiu nos 10 municípios sul-mato-grossenses e nos 11 municípios goianos de maior valor bruto de produção.

Nos municípios mato-grossenses que compõem a lista, Flávio Bolsonaro ampliou a vantagem sobre o presidente Lula na comparação entre o segundo e o primeiro turnos. Em Mato Grosso, como um todo, Flávio Bolsonaro obteve 1,351 milhão de votos, o equivalente a 66,06%, 52.518 votos a mais que no primeiro turno. Já Lula ampliou a votação em 112.486 votos no Estado, para 694.167 votos no segundo turno, correspondente a 33,94% do total,

Já Lula ganhou de Flávio Bolsonaro em sete dos oito municípios da Bahia que figuram entre os de maior VBP, à exceção de Luís Eduardo Magalhães, e nas duas cidades piauienses que constam no levantamento. Na Bahia, Lula ampliou a votação em 820.487 votos considerando todos os municípios do Estado, chegando a 71,31% dos votos totais no primeiro turno e abrindo maior vantagem frente Flávio Bolsonaro.

Dos 17 municípios em que Lula obteve vantagem sobre o candidato do PL, 11 estão localizados no Nordeste - Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão -, três no Espírito Santo e três no Pará.

No Sul, Flávio Bolsonaro obteve vantagem ante Lula nos dois municípios gaúchos da lista. No Paraná, o resultado também foi majoritário para o senador carioca, vencendo nos dois municípios que figuram no ranking. No Sudeste, Flávio Bolsonaro obteve o maior número de votos nos quatro municípios mais ricos do agro de São Paulo e nos sete de Minas Gerais. No Espírito Santo, Lula superou Flávio Bolsonaro em três das cinco cidades.

Na região Norte, há uma divisão: Lula ganhou em três dos cinco municípios paraenses que constam da lista e Flávio Bolsonaro superou o atual presidente em dois.

Quando comparado aos segmentos do agro, Flávio Bolsonaro ganha junto aos municípios de grandes produtores do agronegócio e de cultivo de grãos e carnes, caso de Mato Grosso. Enquanto Lula desponta entre os municípios de produção diversificada, café, frutas, leite, soja, caso do Espírito Santo e de Pernambuco.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra