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Política

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Flávio Bolsonaro diz que Tereza Cristina aceitou convite para ser vice e decisão depende do PP

Senador confirma que a ex-ministra concordou em integrar a chapa presidencial do PL, mas composição ainda precisa do aval do partido, que defende neutralidade na eleição

31 jul 2026 - 10h13
(atualizado às 10h16)
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta sexta-feira, 31, que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitou o convite para ser vice-presidente em sua chapa ao Palácio do Planalto. Segundo o presidenciável, a composição agora depende da aprovação do PP. O partido integra com União Brasil a Federação União Progressista, que decidiu pela neutralidade na disputa presidencial.

"Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima na política, dentro e fora do País. O convite foi feito, ela aceitou e agora estamos esperando para saber se o partido vai avançar ou não", disse Flávio, antes de reunião em São Paulo.

Flávio Bolsonaro diz que Tereza Cristina aceitou ser vice na sua chapa à Presidência
Flávio Bolsonaro diz que Tereza Cristina aceitou ser vice na sua chapa à Presidência
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A escolha do vice de Flávio Bolsonaro voltou ao centro das articulações da campanha após a senadora Tereza Cristina indicar a aliados que aceitaria integrar a chapa presidencial. A movimentação representa uma mudança em relação às últimas semanas, quando a parlamentar ainda dizia priorizar a disputa pela presidência do Senado. Publicamente, porém, Tereza adotou cautela: confirmou que discutiu o assunto com Flávio pela primeira vez, classificou a reunião como produtiva, mas afirmou que "nada foi decidido".

A sinalização da senadora abriu uma discussão interna no PP e provocou resistência do comando partidário. Tereza é considerada pela cúpula do PL um nome capaz de aproximar Flávio do eleitorado feminino, do agronegócio e do setor produtivo, justamente áreas nas quais a campanha busca ampliar sua presença para além do núcleo bolsonarista.

Integrantes do PP ouvidos pelo Estadão afirmam que a posição majoritária na federação União Progressista é pela neutralidade na disputa presidencial. Para esse grupo, a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro esbarra não apenas em cálculos eleitorais, mas também no distanciamento entre o senador e o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI).

Dirigentes do partido avaliam que a relação entre os dois se deteriorou após os desdobramentos do caso Banco Master. O comando do PP se ressentiu da falta de uma manifestação pública de solidariedade de Flávio quando Ciro foi alvo de uma operação da Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de recebimento de vantagens indevidas ligadas ao ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.

Além do desgaste entre Flávio e Ciro, integrantes do PP criticam a condução da pré-campanha pelo coordenador Rogério Marinho. Na avaliação desse grupo, Marinho concentrou as decisões, especialmente nos primeiros meses, e restringiu a participação de outras lideranças, o que teria dificultado inclusive a construção de acordos nos palanques estaduais.

As críticas encontram eco dentro do próprio PL. Como mostrou o Estadão, parte dos integrantes do partido reconhecem a capacidade de articulação política de Marinho, mas avaliam que ele ficou "isolado" à frente da coordenação. Para eles, a pré-campanha precisa incorporar mais lideranças, distribuir responsabilidades e ampliar a participação nas decisões.

Apesar de a neutralidade ser hoje a posição predominante, uma ala do PP ainda acredita ser possível construir um acordo com Flávio. Integrantes dessa ala destacam movimentos recentes de aproximação do presidenciável, como sua participação na convenção estadual da federação União-PP em São Paulo e a conversa com Ciro nesta quarta-feira.

Uma eventual composição com Tereza Cristina, porém, não depende apenas de uma mudança de posição do PP. Como Progressistas e União Brasil integram uma federação, as duas siglas precisam adotar formalmente a mesma orientação na disputa presidencial. Flávio teria, assim, de superar também as resistências do União, partido que possui razões próprias para manter distância de sua candidatura.

Com o caminho pavimentado para a neutralidade no PP, a tendência é que o União Brasil siga a mesma posição. Além da vinculação formal entre as legendas, integrantes do partido apontam dificuldades políticas e eleitorais para uma aliança com Flávio.

Estadão
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