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Política

EUA: Trump não tem medo de usar poder econômico e militar para proteger liberdade de expressão

Secretária de Imprensa da Casa Branca diz que não vai antecipar medidas contra o Brasil

9 set 2025 - 15h14
(atualizado às 18h56)
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BRASÍLIA - A Casa Branca afirmou nesta terça-feira, dia 9, que o presidente Donald Trump não teme usar o poderio econômico e militar dos Estados Unidos para "proteger a liberdade de expressão" no mundo.

A Presidência dos EUA respondeu sobre eventual aplicação de novas medidas de punição ao Brasil, por causa do julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e corréus no processo do golpe.

"Eu não tenho nenhuma ação adicional para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que isso é uma prioridade para a administração e o presidente não tem medo de usar o poder econômico, o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo", disse a porta-voz Karoline Leavitt.

A secretária da Casa Branca disse que a liberdade de expressão é "sem dúvida, a questão mais importante do nosso tempo" e lembrou que o próprio Trump foi "censurado" - o presidente americano perdeu acesso às contas em redes sociais após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Segundo Leavitt, Trump e todos os integrantes do governo republicano levam muito a sério a censura, "razão pela qual tomamos medidas significativas em relação ao Brasil na forma de sanções e também aproveitando o uso de tarifas para garantir que países ao redor do mundo não estejam punindo seus cidadãos dessa maneira".

Ela respondeu a uma pergunta feita por Michael Shellenberger, um ativista e jornalista alinhado ao trumpismo que articulou a divulgação de uma série de conteúdos batizados de Twitter Files Brazil, questionando as ordens judiciais sobre plataformas americanas.

Shellenberger não é presença constante entre os setoristas na Casa Branca, mas foi anunciado pela secretária de Imprensa, que concedeu a ele a primeira pergunta.

Ao fim, ele agradeceu ao presidente americano por sua agir em defesa da liberdade de expressão e afirmou que a condenação impedirá Bolsonaro de concorrer nas eleições de 2026 - em verdade, o ex-presidente já foi considerado inelegível por outros processos julgados na Justiça Eleitoral.

A manifestação ocorreu minutos depois que o relator da ação penal, o ministro Alexandre de Moraes concluiu seu voto em favor da condenação de todos os réus denunciados como parte do núcleo crucial da trama golpista.

Alvo de uma campanha bolsonarista, Moraes foi a primeira autoridade pública do País a ser punida com base na Lei Magnitsky, um espécie de cerco financeiro. Agora, o Departamento do Tesouro americano consultou bancos brasileiros o que fizeram para romper laços com o ministro e cumprir a determinação do Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros).

Ele e ministros do STF, bem como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sofreram restrições como a revogação de visto, que recaiu ainda sobre o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Na semana passada, Trump foi questionado se haveria restrições à delegação ministerial brasileira que, individualmente, tem solicitado vistos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, neste mês, em Nova York. "Veremos", respondeu o republicano.

Os EUA renovaram, porém, o visto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Integrantes do governo brasileiro dizem que um banimento da delegação brasileira contraria as normas das ONU e as convenções que estabeleceram a sede em Nova York.

O governo brasileiro especula que novas sanções possam ser aplicadas, sobretudo contra integrantes da Corte, a partir da condenação de Bolsonaro. O filho do ex-presidente e deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) lidera esforços de lobby por punição e falou nesta semana em novas revogações ou negativas de visto.

Em 9 de julho, Trump anunciou um tarifaço de 50% que entrou em vigor no mês passado, tendo como base uma demanda por encerrar o processo contra o ex-presidente e medidas judiciais que atingem as big techs americanas e supostamente afetam a liberdade de expressão de empresas e pessoas nos EUA.

Na semana passada, o Departamento do Estado afirmou a empresários brasileiros que o impasse somente se resolverá por meio de uma solução "política".

"Dia 7 de setembro marcou o 203º Dia da Independência do Brasil. Foi um lembrete do nosso compromisso de apoiar o povo brasileiro que busca preservar os valores de liberdade e justiça. Para o ministro Alexandre de Moraes e os indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado essas liberdades fundamentais - continuaremos a tomar as medidas cabíveis", publicou nesta terça o perfil oficial no X da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

A representação diplomática do governo americano reproduziu o conteúdo divulgado na véspera por Darren Battie, subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado e ex-redator de discursos de Trump. Ele é um interlocutor de Eduardo Bolsonaro e do comentarista Paulo Figueiredo, e na semana passada recebeu a visita de ambos em Washington, ao lado de Ricardo Pita, conselheiro no Departamento de Estado.

Estadão
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