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Política

Estátua bolsonarista, Lula 'presidiário' e rosário pelo Brasil; o que rolou no ato na Paulista 

Manifestação neste 7 de Setembro atraiu multidão para a Avenida Paulista, em São Paulo

7 set 2025 - 15h00
(atualizado às 23h32)
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Resumo
Manifestantes lotaram a Avenida Paulista no 7 de Setembro com críticas ao governo Lula, apoio a Bolsonaro e pedidos de anistia, em meio ao julgamento no STF sobre a tentativa de golpe de Estado.
Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Gritos por anistia ecoaram na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste 7 de Setembro, domingo em que o Brasil completa 203 anos de Independência. A manifestação, que contou com 'Lula presidiário', estátua bolsonarista e rosário a céu aberto, acontece em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode condenar o ex-presidente e sete aliados por tentativa de golpe de Estado.

Com o slogan 'Reaja Brasil: o medo acabou', os manifestantes vieram em peso com as cores da bandeira do Brasil, assim como carregaram faixas em apoio a Israel, Estados Unidos e ao governo Trump, especificamente. O presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, seguiram como "alvos de ataque à democracia e liberdade".

Em ato, filho de Carla Zambelli diz que se comunica com a mãe por cartas e menciona eleições de 2026:

Ao Terra, manifestaram descontentamento com o atual cenário político-econômico. Sobre as retaliações impostas ao Brasil pelos Estados Unidos, que incluem tarifas de 50% sobre produtos importados, a culpa é direcionada a Lula. E sobre as próximas eleições, de 2026, afirmam que "sem Bolsonaro é golpe" — por mais que ele esteja inelegível desde 2023. Não há unanimidade sobre uma figura que possa substituir o ex-presidente. 

Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Ao longo da Paulista, também foi possível encontrar uma "estátua viva bolsonarista", simbolizando um anjo com a placa "fora Moraes" e um ponto para oração de rosário pelo Brasil.

Camisetas com frases de apoio a Jair Bolsonaro estavam à venda por valores variados ao longo da Avenida Paulista, indo de R$ 30 a R$ 80. Já os valores de bonés pró-Bolsonaro ou com a frase Make America Great Again, slogan político de Trump, giravam em torno de R$ 50.

Os cartazes foram muitos, reforçando a busca por anistia, pela liberdade de Bolsonaro e também pedindo ajuda dos Estados Unidos: "SOS Trump". O presidente da Câmara Hugo Motta, em algumas peças, também foi referenciado como "traidor da pátria".

Mais sobre a manifestação 

Manifestações do tipo acontecem por todo o Brasil neste dominho. Enquanto filhos de Bolsonaro marcaram presença nos atos do Rio de Janeiro, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, foi destaque na manifestação da capital paulista.

Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, não pode participar de manifestações do tipo — nem "por meio de terceiros", como ocorreu durante manifestação passada, sendo o motivo para suas medidas cautelares serem revertidas em prisão domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes.

Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Bolsonaro é réu pelo caso da trama golpista, mas sua prisão domiciliar está vinculada a outro processo, que corre paralelamente no STF. No caso, se trata do inquérito que aponta que as ações do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com o apoio do ex-presidente, tiveram como objetivo pressionar o Supremo a desistir da ação penal da trama golpista. Nisso, ambos foram indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e abolição do Estado Democrático de Direito.

A manifestação na Paulista teve início por volta de 14 horas, e está sendo transmitida ao vivo pela redes sociais do pastor Silas Malafaia. Participam do evento figuras políticas como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos); Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Coronel Mello Araújo (PL), vice-prefeito de São Paulo; Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais; e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.

Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Manifestantes bolsonaristas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 7, Dia da Independência
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Mais sobre o julgamento e anistia

Na terça-feira, dia 12, teve início o julgamento em torno da trama golpista que tem Jair Bolsonaro e outros sete aliados como réus. A ação penal é inédita e tem sido reconhecido internacionalmente como um feito histórico. Isso porque é a primeira vez que um ex-presidente da República e militares de alta patente podem ser condenados por tentativa de ataque à democracia.

Bandeiras dos Estados Unidos e outras pedindo impeachment de Lula foram vendidas na Avenida Paulista neste domingo, 7
Bandeiras dos Estados Unidos e outras pedindo impeachment de Lula foram vendidas na Avenida Paulista neste domingo, 7
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Eles são investigados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, dano ao patrimônio público e outros crimes — sendo Bolsonaro apontado como o líder e principal beneficiário da trama golpista. 

As penas máximas somadas podem chegar a 43 anos e condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Braga Netto; ex-ajudante de ordens Mauro Cid; almirante de esquadra que comandou a Marinha, Almir Garnier; ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; e o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. 

'Estátua viva' com placa pedindo anistia de Bolsonaro esteve na Avenida Paulista neste domingo, 7
'Estátua viva' com placa pedindo anistia de Bolsonaro esteve na Avenida Paulista neste domingo, 7
Foto: Beatriz Araujo/Terra

O que diverge, nesses casos, é que Bolsonaro é apontado como líder da organização criminosa e Mauro Cid deve ter a pena reduzida devido a seu acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. 

Já Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que também é réu, é o único acusado por apenas três desses cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado

Na quarta-feira, os réus foram defendidos pela última vez por seus advogados. Agora, o caso será retomado na semana que vem com os votos dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo.

Inflável de Lula (PT) com roupa de presidiário foi exposto na Avenida Paulista neste domingo, 7
Inflável de Lula (PT) com roupa de presidiário foi exposto na Avenida Paulista neste domingo, 7
Foto: Beatriz Araujo/Terra

A próxima sessão da Ação Penal 2668 será na terça-feira, 9, às 9h, com o início análise dos ministros da Primeira Turma. Votarão, na ordem: Alexandre de Moraes (relator do caso), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Turma). A condenação ou a absolvição dos réus será decidida pelo voto da maioria.

A Primeira Turma votar pela condenação dos réus não significa que eles serão presos imediatamente. Isso porque eles ainda podem apresentar recursos – que podem pesar mais ou menos, a depender do placar do juri. A execução de uma eventual pena só pode acontecer após ser dado “trânsito em julgado”, ou seja, quando são esgotados todas as possibilidades de recursos. 

Manifestantes bolsonaristas usaram bandeiras com dizeres contra o ministro do STF Alexandre de Moraes
Manifestantes bolsonaristas usaram bandeiras com dizeres contra o ministro do STF Alexandre de Moraes
Foto: Beatriz Araujo/Terra

Em meio a isso, aumenta a pressão para que a anistia seja pautada como forma de perdão a Bolsonaro, aliados e envolvidos nos atos de 8 de janeiro. No momento, circula uma minuta de anistia de autoria do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com pedidos abrangentes.

O texto ainda não foi protocolado, e a mobilização é para que a Câmara dos Deputados coloque a questão em pauta. Para a anistia sair do papel e virar lei, o trâmite precisa envolver aprovação do Senado e  sanção do presidente Lula. Possíveis vetos do presidente podem ser derrubados pelo Congresso Nacional mas, mesmo assim, o assunto pode vir a ser analisado pelo STF — para avaliar se a lei está de acordo com a Constituição. 

A anistia ampla que está sendo idealizada prevê o perdão, inclusive, a quem vier a ser investigado por golpe de Estado. Em uma das versões que circula, por exemplo, há pontos que buscam reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro — que o proíbe de disputar a corrida eleitoral de 2026.

Fonte: Redação Terra
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