Estátua bolsonarista, Lula 'presidiário' e rosário pelo Brasil; o que rolou no ato na Paulista
Manifestação neste 7 de Setembro atraiu multidão para a Avenida Paulista, em São Paulo
Manifestantes lotaram a Avenida Paulista no 7 de Setembro com críticas ao governo Lula, apoio a Bolsonaro e pedidos de anistia, em meio ao julgamento no STF sobre a tentativa de golpe de Estado.
Gritos por anistia ecoaram na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste 7 de Setembro, domingo em que o Brasil completa 203 anos de Independência. A manifestação, que contou com 'Lula presidiário', estátua bolsonarista e rosário a céu aberto, acontece em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode condenar o ex-presidente e sete aliados por tentativa de golpe de Estado.
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Com o slogan 'Reaja Brasil: o medo acabou', os manifestantes vieram em peso com as cores da bandeira do Brasil, assim como carregaram faixas em apoio a Israel, Estados Unidos e ao governo Trump, especificamente. O presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, seguiram como "alvos de ataque à democracia e liberdade".
Ao Terra, manifestaram descontentamento com o atual cenário político-econômico. Sobre as retaliações impostas ao Brasil pelos Estados Unidos, que incluem tarifas de 50% sobre produtos importados, a culpa é direcionada a Lula. E sobre as próximas eleições, de 2026, afirmam que "sem Bolsonaro é golpe" — por mais que ele esteja inelegível desde 2023. Não há unanimidade sobre uma figura que possa substituir o ex-presidente.
Ao longo da Paulista, também foi possível encontrar uma "estátua viva bolsonarista", simbolizando um anjo com a placa "fora Moraes" e um ponto para oração de rosário pelo Brasil.
Camisetas com frases de apoio a Jair Bolsonaro estavam à venda por valores variados ao longo da Avenida Paulista, indo de R$ 30 a R$ 80. Já os valores de bonés pró-Bolsonaro ou com a frase Make America Great Again, slogan político de Trump, giravam em torno de R$ 50.
Os cartazes foram muitos, reforçando a busca por anistia, pela liberdade de Bolsonaro e também pedindo ajuda dos Estados Unidos: "SOS Trump". O presidente da Câmara Hugo Motta, em algumas peças, também foi referenciado como "traidor da pátria".
Mais sobre a manifestação
Manifestações do tipo acontecem por todo o Brasil neste dominho. Enquanto filhos de Bolsonaro marcaram presença nos atos do Rio de Janeiro, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, foi destaque na manifestação da capital paulista.
Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, não pode participar de manifestações do tipo — nem "por meio de terceiros", como ocorreu durante manifestação passada, sendo o motivo para suas medidas cautelares serem revertidas em prisão domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes.
Bolsonaro é réu pelo caso da trama golpista, mas sua prisão domiciliar está vinculada a outro processo, que corre paralelamente no STF. No caso, se trata do inquérito que aponta que as ações do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com o apoio do ex-presidente, tiveram como objetivo pressionar o Supremo a desistir da ação penal da trama golpista. Nisso, ambos foram indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e abolição do Estado Democrático de Direito.
A manifestação na Paulista teve início por volta de 14 horas, e está sendo transmitida ao vivo pela redes sociais do pastor Silas Malafaia. Participam do evento figuras políticas como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos); Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Coronel Mello Araújo (PL), vice-prefeito de São Paulo; Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais; e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.
Mais sobre o julgamento e anistia
Na terça-feira, dia 12, teve início o julgamento em torno da trama golpista que tem Jair Bolsonaro e outros sete aliados como réus. A ação penal é inédita e tem sido reconhecido internacionalmente como um feito histórico. Isso porque é a primeira vez que um ex-presidente da República e militares de alta patente podem ser condenados por tentativa de ataque à democracia.
Eles são investigados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, dano ao patrimônio público e outros crimes — sendo Bolsonaro apontado como o líder e principal beneficiário da trama golpista.
As penas máximas somadas podem chegar a 43 anos e condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Braga Netto; ex-ajudante de ordens Mauro Cid; almirante de esquadra que comandou a Marinha, Almir Garnier; ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; e o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
O que diverge, nesses casos, é que Bolsonaro é apontado como líder da organização criminosa e Mauro Cid deve ter a pena reduzida devido a seu acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal.
Já Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que também é réu, é o único acusado por apenas três desses cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado
Na quarta-feira, os réus foram defendidos pela última vez por seus advogados. Agora, o caso será retomado na semana que vem com os votos dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo.
A próxima sessão da Ação Penal 2668 será na terça-feira, 9, às 9h, com o início análise dos ministros da Primeira Turma. Votarão, na ordem: Alexandre de Moraes (relator do caso), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Turma). A condenação ou a absolvição dos réus será decidida pelo voto da maioria.
A Primeira Turma votar pela condenação dos réus não significa que eles serão presos imediatamente. Isso porque eles ainda podem apresentar recursos – que podem pesar mais ou menos, a depender do placar do juri. A execução de uma eventual pena só pode acontecer após ser dado “trânsito em julgado”, ou seja, quando são esgotados todas as possibilidades de recursos.
Em meio a isso, aumenta a pressão para que a anistia seja pautada como forma de perdão a Bolsonaro, aliados e envolvidos nos atos de 8 de janeiro. No momento, circula uma minuta de anistia de autoria do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com pedidos abrangentes.
O texto ainda não foi protocolado, e a mobilização é para que a Câmara dos Deputados coloque a questão em pauta. Para a anistia sair do papel e virar lei, o trâmite precisa envolver aprovação do Senado e sanção do presidente Lula. Possíveis vetos do presidente podem ser derrubados pelo Congresso Nacional mas, mesmo assim, o assunto pode vir a ser analisado pelo STF — para avaliar se a lei está de acordo com a Constituição.
A anistia ampla que está sendo idealizada prevê o perdão, inclusive, a quem vier a ser investigado por golpe de Estado. Em uma das versões que circula, por exemplo, há pontos que buscam reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro — que o proíbe de disputar a corrida eleitoral de 2026.
