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Política

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Entidades de imprensa dizem que decisões judiciais sobre debate são agressão à liberdade de imprensa

Abert, ANJ e Aner se solidarizaram com a Globo e manifestaram indignação com 'intervenção judicial' nas regras que haviam sido combinadas com as campanhas

1 out 2026 - 22h23
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Resumo
Abert, ANJ e Aner classificaram como agressão à liberdade de imprensa as decisões judiciais que levaram a TV Globo a cancelar o debate presidencial. A emissora suspendeu o evento após o TSE proibir a exibição do púlpito vazio diante da ausência de Lula e obrigar o convite a Romeu Zema. Além disso, o STF determinou a inclusão de Renan Santos, cujo partido não tem representação no Congresso. Para as entidades, as medidas atropelaram regras prévias e o direito de informação dos cidadãos.

Três associações que reúnem emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas, se solidarizaram com a TV Globo na noite desta quinta-feira, 1º, e disseram que decisões judiciais interferiram no debate presidencial que seria realizado pela emissora representam "uma agressão à liberdade de imprensa". O encontro acabou cancelado pela Globo.

Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) se disseram indignadas com a intervenção judicial nas regras previamente acordadas.

"As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos", diz o texto.

"Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate", concluem as associações.

Debate da Globo foi cancelado pela emissora após decisões judiciais tentarem impor regras novas
Debate da Globo foi cancelado pela emissora após decisões judiciais tentarem impor regras novas
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

A Globo cancelou o debate após a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, proibir a exibição do púlpito vazio com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a realização de perguntas a ele, mesmo diante da ausência do candidato - o que estava previsto no regulamento assinado pelas campanhas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, também determinou a presença do candidato Renan Santos (Missão). No início da semana, o presidente do TSE, Nunes Marques, já havia ordenado que a emissora convidasse Romeu Zema (Novo).

Pelo regulamento e pela legislação eleitoral, a Globo só seria obrigada a chamar os candidatos cujos partidos tenham no mínimo cinco parlamentares no Congresso Nacional. O Missão não tem nenhum parlamentar.

Até essa semana, eram contabilizadas as bancadas eleitas de cada partido. Em 2022, o Novo elegeu três deputados federais e nenhum senador. Portanto, não cumpriria a exigência.

O partido, no entanto, acionou o TSE para que valesse a bancada atual da legenda, que tem cinco deputados e um senador. Nunes Marques concordou com a tese e a Globo foi obrigada a convidar os candidatos do Novo para os debates aos governos estaduais na terça-feira, 29, e para o debate presidencial que seria realizado nesta quinta.

Estadão
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