Entenda a disputa entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto para as eleições municipais de 2024
Ex-presidente quer priorizar aliados nas eleições, enquanto presidente do PL pretende apostar no crescimento do partido pelo País, avaliam especialistas ouvidos pelo 'Estadão'
BRASÍLIA - Os elogios do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi apenas um dos atritos entre o dirigente partidário e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os desentendimentos entre Valdemar e Bolsonaro são antigos e muitos deles giram em torno dos candidatos que devem representar o PL nas eleições municipais de outubro.
Valdemar foi acusado por bolsonaristas de tentar 'destruir' ex-presidente
Em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, Valdemar foi alvo de críticas de apoiadores de Bolsonaro após declarar apoio à pré-candidatura de Lucas Sanches (PL), ex-membro do Movimento Brasil Livre (MBL), para o comando da cidade. Nas redes sociais, o presidente da legenda foi acusado por influenciadores de tentar "destruir" o ex-presidente e de promover "politicagem suja e mercenária".
Os apoiadores do ex-chefe do Executivo começaram a compartilhar um vídeo de Sanches com a camiseta do MBL de Guarulhos, dizendo a frase "primeiramente, fora Bolsonaro". O conteúdo segue com a declaração recente de apoio de Valdemar Costa Neto e a inscrição "mais um surfista". A assessoria de comunicação do político afirmou ao Estadão que o material foi "editado de forma maldosa" para prejudicá-lo.
Sanches publicou um trecho maior do vídeo nas suas redes sociais, onde é possível entender que ele critica manifestações políticas de professores em sala de aula. No trecho, o pré-candidato afirma que não seria adequado um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) abrir uma sessão dizendo a frase contrária ao ex-presidente.
Flávio contestou anúncio de candidato do PL no Rio feito por Valdemar
No Rio, quem protagonizou o confronto com Valdemar foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. No início de novembro, Valdemar afirmou que a candidatura do deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ) para a disputa da prefeitura da capital carioca já estava consolidada. Por uma nota, Flávio contestou o dirigente partidário e disse que "o martelo não está batido" para a indicação do representante da sigla no pleito.
Quando negociava a sua entrada no PL em 2021, Bolsonaro pediu que Valdemar entregasse o diretório do Rio para Flávio, o que não foi aceito por Valdemar. Para conseguir a filiação do então presidente, que também era disputado pelo PP, do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), o dirigente partidário concedeu ao senador o poder de decidir filiações e apoios eleitorais no Estado com o deputado Altineu Côrtes, que comanda o núcleo fluminense da legenda.
Em Goiânia, Bolsonaro prefere candidato derrotado em 2022
Outra discordância entre os dois gira em torno da Prefeitura de Goiânia. O ex-presidente deseja que o candidato da legenda seja o ex-deputado federal Major Vitor Hugo, que foi líder do governo na Câmara entre 2019 e 2020. Por outro lado, Valdemar prefere indicar o deputado federal Gustavo Gayer.
Apadrinhado por Bolsonaro, Vitor Hugo foi o candidato do PL ao governo de Goiás em 2022. Na capital goiana, foi o terceiro mais votado, com 117.222 votos (15,4% dos votos válidos), ficando atrás do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha, então no Patriota, e do governador reeleito Ronaldo Caiado (União). Na apuração em todo o Estado, o ex-deputado também ficou em terceiro, perdendo para os dois concorrentes.
Gustavo Gayer, por sua vez, foi o segundo deputado federal mais votado na cidade, com 83.604 votos (11,18% dos votos válidos). A parlamentar com melhor desempenho na capital goiana foi Silvye Alves (União), com 117.297 votos (15,69% dos votos válidos).