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Em vídeo, deputado ensina a comprar votos e difamar adversários

21 jul 2013
21h47
atualizado às 22h05
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O deputado federal Aelton Freitas (PR-MG) foi gravado em um vídeo ensinando como se disputa uma eleição comprando votos e difamando adversários políticos durante a reta final das eleições de 2012 em Capetinga, no interior de Minas Gerais. Na gravação, o parlamentar, que já foi senador no lugar do ex-vice-presidente da República José Alencar, dá uma “aula” para outros políticos da cidade. A "primeira lição" é a compra de votos, por meio da técnica do “cartãozinho”. “Nós vamos fazer 200 cartõezinhos para prefeito. Não quer dizer nada, 200 cartõezinhos. E nós vamos pegar 20 amigos nossos confiáveis. Quem é da confiança? Vinte. Então você vai ter dez, você vai ter dez, você vai ter dez. Você vai buscar dez companheiros seus lá e que não estão votando no Donizete (Donizete do Escritório, candidato a prefeito). Esse cartãozinho vale R$ 100. O cara não vai votar em você. Vai votar nos R$ 100 que o cartãozinho que está no bolso dele vale. E outra: só vão pagar se tiver sido eleito”, diz ele, que também ensina como espalhar boatos dos adversários. “Vamos buscar três, quatro pessoas dentro do nosso grupo que saiba incomodar o Daniel (um dos candidatos a prefeito). Três ou quatro pessoas que possam estar em boteco ou em ponta de rua soltando boato e fofoca. Porque o Daniel tem que desmentir e perder tempo naquilo. Não você. A cúpula da campanha, que está por cima, nem conhece. Baixa o retrovisor e esquece que tem concorrente. Vocês estão indo em uma viagem ao futuro de Capetinga, pronto”, ensina no vídeo. As informações são do Fantástico.

Aelton também explica na gravação que retribui a votação usando a verba das emendas parlamentares para favorecer os municípios onde obteve mais votos. No vídeo, o deputado federal afirma que o dinheiro só pode ser pago depois da vitória do candidato. Uma eleitora afirma que Donizete, que acabou perdendo a eleição, pagou adiantado: “O candidato Donizete pensou que já tinha ganhado a eleição. Aí ele resolveu pagar o pessoal uma semana antes porque ele ‘contou’ vitória. Eu ganhei R$ 200 no cartãozinho.” Eleitores dizem que a compra de votos é comum na região. “Dá cesta básica, dá material de construção, dá bujão de gás, dá o que pede”, diz uma aposentada. Donizete do Escritório negou as acusações e disse que “não tinha motivos” para comprar os votos, pois estava na frente nas pesquisas. Aelton, por sua vez, justificou que não sabia que estava sendo gravado. “Em reuniões fechadas, quando a gente faz com um grupo de companheiros, de repente a gente fala muita coisa que não deve, que não pode. O que eu falei ali foi em uma reunião fechada, entre companheiros, que nem gravando eu sabia que estava”, explicou. Ele afirmou que nunca comprou votos e tudo não passou de uma “brincadeira”. “Fiz alguma brincadeira, que eu sou muito de contar piada em reuniões, depois pedi desculpas no final da reunião pelo que eu tinha falado e pelas brincadeiras de mau gosto, me despedi e fui embora. Porque, quando é brincadeira, pode fazer de mau gosto, igual quando você brinca, às vezes, com a raça, com a cor de uma pessoa, você conta uma piada pesada, aquilo pode se tornar um processo”. Uma cópia do vídeo foi entregue anonimamente ao Ministério Público em Minas, que enviou o material para a Procuradoria Geral da República.

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Fonte: Terra
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