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Dilma chama Bolsonaro de 'coiso' e Temer de 'usurpador'

"O 'coiso' é a barbárie, 'o coiso' é negar todos os direitos que nós conquistamos nas últimas décadas", disse Dilma no ato em Minas Gerais

24 set 2018
23h52
atualizado em 25/9/2018 às 07h47
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Candidata ao Senado pelo PT de Minas Gerais, a presidente cassada, Dilma Rousseff, chamou nesta segunda-feira, 24, o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, de "coiso" e o presidente Michel Temer de "usurpador". As afirmações foram feitas durante um evento em Belo Horizonte com lideranças de movimentos negros. A ex-presidente fez diversas críticas ao deputado federal.

Dilma Rousseff em ato político na sede da Central Única dos Trabalhadores Nacional(CUT), no bairro do Brás, zona leste da capital paulista
Dilma Rousseff em ato político na sede da Central Única dos Trabalhadores Nacional(CUT), no bairro do Brás, zona leste da capital paulista
Foto: Alex Silva / Estadão

"Acho que é o momento mais delicado da vida política do Brasil. O 'coiso' é a barbárie, 'o coiso' é negar todos os direitos que nós conquistamos nas últimas décadas", disse Dilma no ato "Por uma Minas Gerais sem Racismo", que teve a participação de cerca de 100 pessoas.

Dilma ainda voltaria a chamar Bolsonaro de "coiso", após uma crítica ao governo de Michel Temer - chamado pela petista de "usurpador" -, que afirmou nesta segunda-feira que pretende voltar a tentar colocar a Reforma da Previdência em votação no Congresso. "Numa entrevista, o presidente usurpador disse que vai apresentar a Reforma da Previdência novamente. Como se ele tivesse o menor espaço para fazer isso, a não ser que o coiso seja eleito."

A plateia então reagiu com gritos de "Ele não" e Dilma completou: "Grande manifestação de consciência de vocês". Apesar da manifestação, Dilma se recusou a tirar uma foto com um cartaz da campanha "Ele Não", com uma imagem do candidato do PSL, que recebeu de uma eleitora que acompanhava o evento.

As críticas da candidata ao Senado atingiram também movimentos que ganharam repercussão durante o processo de impeachment, em 2016, chamados pela petista de "extrema direita", como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua. "Você cria um mundo de espetáculo em que é muito mais importante você ver um salvador da pátria, que salva a pátria destilando ódio, do que construindo uma sociedade de respeito", afirmou.

Pedindo votos para o candidato petista à Presidência, Fernando Haddad, e para o postulante ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel, que tenta a reeleição, Dilma afirmou ser importante que a militância faça campanha no "corpo a corpo". "Influenciando aqueles que são próximos a nós. Não no sentido nocivo da palavra, mas é persuadir, é discutir, esclarecer e debater", disse.

No evento, Dilma acompanhou a filiação de sua ex-ministra Nilma Lino Santos ao PT de Minas Gerais. Nilma comandou o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos entre janeiro e outubro de 2015.

Igualdade. Durante o ato, Dilma lembrou de alguns projetos que visavam ampliar as políticas de inclusão social, aprovados por ela e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje condenado e preso na Lava Jato, como a manutenção da política de cotas no ingresso das universidades federais. "Ou nós encaramos a questão da desigualdade social como uma questão racial, ou não encaramos de fato a questão social", disse.

Após pedir votos para a coligação petista, Dilma afirmou a necessidade de se manter a democracia para voltar a haver avanços nas igualdades racial, social e de gênero. "Sem a democracia, não vamos avançar em nenhum processo de inclusão social."

Além de falar sobre questões raciais e de igualdade, Dilma dedicou boa parte de seu discurso para tratar da violência contra mulheres. "Não é só o jovem negro, a mulher negra também é objeto, porque ela não é sujeito para a sociedade e para as classes ricas", declarou.

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Estadão
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