Douglas Ruas é escolhido presidente da Alerj em eleição esvaziada pela oposição
Deputado recebeu 44 votos favoráveis entre os 45 presentes na sessão e comandará a Casa até o fim do ano; bancadas de PSD, PT, PSOL, PDT e PCdoB não votaram
O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta sexta-feira, 17. Ele foi o único candidato na disputa, já que a oposição deixou a sessão extraordinária em que ocorreu a votação.
Ruas recebeu 44 votos favoráveis em plenário e comandará a Casa até o fim de 2026. Ao todo, 45 parlamentares participaram da votação e houve uma abstenção. O quórum mínimo exigido era de 36 deputados.
A eleição ocorreu em meio a um movimento de boicote articulado por partidos de oposição, que optaram por não participar da votação em protesto contra a manutenção do voto aberto. Na quinta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) rejeitou pedido para adoção de votação secreta.
A oposição, ligada ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), via no voto secreto uma possibilidade de atrair dissidências na base de Ruas, que era o favorito na disputa. Paes e Ruas devem ser adversários na eleição para governo do Estado, em outubro.
A Justiça também negou pedido do grupo para a suspensão da eleição até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida como será a escolha do governador para o "mandato-tampão" do Estado, que ficará no cargo até o final do ano.
Dos 70 parlamentares em exercício na Alerj, votaram pela condução de Douglas Ruas à presidência da Casa 23 deputados do PL; cinco do União Brasil; quatro do PP; três do Republicanos; três do Solidariedade e seis dos partidos PSDB, MDB, Podemos, Agir, Avante e PRD. Jari Oliveira (PSB) se absteve.
Não registraram presença na sessão 25 parlamentares: nove do PSD; cinco do PT; cinco do PSOL; dois dos partidos PDT e PCdoB; e um dos partidos MDB e PSB.
Douglas Ruas chegou a ser eleito para o cargo em eleição realizada no fim de março. O pleito foi anulado poucas horas depois porque a recontagem dos votos do ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), não havia sido feita.
Em discurso, o novo presidente da Alerj criticou a ausência dos partidos de oposição na sessão, afirmando que é uma "demonstração de que verdadeiramente não conhecem o que é democracia". "É um desrespeito não a nós, (mas) aos eleitores deles. Eles foram eleitos para estar aqui, para participar do debate, para votar", disse.
Ele citou nominalmente as siglas PDT e PSD, que afirmou estarem "trabalhando para a instabilidade institucional no nosso Estado".
Com a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), de seu vice Thiago Pampolha e a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o Rio de Janeiro vive situação ímpar quanto à sucessão no Executivo.
O Estado é comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, que vai permanecer no cargo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) defina como será a escolha do governador para o "mandato-tampão" com duração até o final do ano.
Cláudio Castro, Thiago Pampolha e Rodrigo Bacellar foram condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
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