'Discordar não é sinônimo de odiar', prega Fachin sobre eleições em meio a crise no STF
Em meio a uma crise de credibilidade no STF, o ministro Edson Fachin defendeu a tolerância eleitoral ao afirmar que discordar não é odiar. A Corte enfrenta tensões internas após André Mendonça divulgar relatório da PF que liga Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro, caso cujo arquivamento já foi recomendado pela PGR. Fachin declarou que o cargo impõe deveres e limites, prometendo medidas cabíveis, enquanto os ministros tentam manter um clima de aparente normalidade no tribunal.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quinta-feira, 3, que "discordar não é, nem pode ser, sinônimo de odiar". A declaração, em um dos momentos mais sensíveis da Corte, que atravessa uma crise de credibilidade sem precedentes, ocorreu na abertura da campanha 'Paz e Tolerância nas Eleições'.
"Estamos, uma vez mais, às vésperas de um período eleitoral. É natural, e mesmo salutar, que a democracia se manifeste em sua pluralidade de vozes, projetos e visões de país. O contraditório é da essência do jogo democrático, e a competição entre ideias distintas é sinal de vitalidade, não de fraqueza", disse Fachin.
"Ao Poder Judiciário, e em particular à Justiça Eleitoral, cabe zelar pelas regras do jogo democrático com isenção, técnica e serenidade; nunca como protagonista da disputa; sempre como fiel guardiã de sua lisura", avaliou o presidente da Corte.
Os ministros do STF tem buscado manter um ar de normalidade após a divulgação de um elo entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Na terça-feira, o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco, divulgou o relatório da Polícia Federal sobre a ligação entre Moraes e Vorcaro. Aliados de Moraes consideraram a atitude uma forma de atingir pessoalmente o colega. Ontem mesmo [quarta-feira,2], o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou um parecer ao STF recomendando o arquivamento do caso. Segundo ele, as provas foram colhidas sem a anuência do plenário da Corte.
Antes da sessão de quarta-feira, 2, na Corte, Fachin disse que o cargo de ministro "não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao STF". O presidente do STF prometeu tomar providências - mas não especificou quais nem quando. "Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias", disse.
Na sessão, contudo, o assunto não foi abordado no plenário. No intervalo, é comum os magistrados se reunirem na sala de lanches. Quem estava de fora conseguia ouvir risadas dos ministros. Um deles contou ao Estadão que o "estava tudo calmo" e não se falou em crise. Moraes e Mendonça estavam presentes - mas, mesmo longe das câmeras da TV Justiça, não se cumprimentaram.
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