Denúncia sobre blitz para barrar eleitores de Lula no Rio de Janeiro não foi confirmada
JUSTIÇA ELEITORAL REGISTROU PROBLEMAS COM FORNECIMENTO DE TRANSPORTE COLETIVO EM SÃO GONÇALO, MAS QUESTÃO FOI RESOLVIDA AO LONGO DA VOTAÇÃO
É falsa a denúncia que circula em redes sociais alegando que blitzes policiais foram montadas no Rio de Janeiro para barrar eleitores de Lula no segundo turno. A apuração do Estadão Verifica revelou que o TRE-RJ e as forças de segurança checaram os relatos e não constataram nenhuma irregularidade, além de a PMERJ negar ter atuado para prejudicar o tráfego. Além disso, a imagem utilizada para ilustrar a acusação é antiga e não foi registrada no dia da votação.
O que estão compartilhando: um vídeo que denuncia que agentes em blitzes montadas na cidade do Rio de Janeiro teriam dificultado a chegada de eleitores de Lula aos locais de votação.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), órgão responsável por organizar as eleições no estado, informou que checou denúncias relacionadas a blitzes, mas que elas não foram confirmadas. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) negou que seus policiais agiram para dificultar o fluxo de trânsito natural no último domingo, 25. A foto de blitz usada para ilustrar o vídeo não é recente.
Saiba mais: O vídeo mostra uma foto de uma blitz na cidade do Rio de Janeiro acompanhada de um áudio de cerca de 1 minuto de duração. Quem fala não se identifica, mas diz que tem um filho de 32 anos e que ele enfrentou dificuldades para chegar de carro até o local de votação.
"Pessoal que vota PT, meu filho acabou de levar 3 horas e meia para chegar da Tijuca para a Campo Grande. Motivo, três blitz". Uma simulação no Google Maps estima em cerca de 1h20 o tempo de viagem de carro entre os dois bairros pela Avenida Brasil.
Durante uma das abordagens, diz a autora do áudio, o filho teria sido questionado sobre em quem votaria e, sob orientação da mãe, mentiu que seria em Flávio Bolsonaro. "Meu filho é PT, mas eu o instruí dessa forma porque há vários bloqueios na [avenida] Brasil", diz a autora do relato.
Ainda de acordo com ela, após a resposta, os agentes teriam colado no carro um adesivo com o número 22, alusivo a Flávio Bolsonaro, e disseram que o veículo não seria mais parado. A mulher sugere que isso serviria como sinal para que os agentes das próximas blitzes liberassem a passagem.
Publicada na tarde do dia 25, uma postagem no X que compartilha o vídeo já acumula 1,3 milhão de visualizações.
Denúncia não foi confirmada
O TRE-RJ informou que tomou conhecimento da denúncia e que o tema foi levado ao Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi). O Gaesi, explica o TRE-RJ, reúne representantes das forças federais, estaduais e municipais de segurança, com o objetivo de garantir a tomada de decisões de forma célere e integrada, na prevenção e na repressão aos ilícitos eleitorais.
"No caso em questão, foram feitas verificações e nada semelhante ao relatado foi constatado", informa a nota enviada ao Verifica.
No domingo, 25, ao longo do segundo turno das eleições, o presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, já tinha informado, durante coletiva de imprensa, que não procediam os relatos de eleitores de esquerda parados em blitz.
"Todas as informações, tanto essas questionadas por vocês quanto outras, foram checadas. Não houve nada disso", disse Tavares, segundo informou o jornal Valor Econômico. "Há um cuidado com a desinformação. Pedimos aos eleitores que procurem o TRE ou a imprensa profissional", reforçou.
Sobre as ocorrências registradas ao longo do dia, o desembargador confirmou 5 prisões, por boca de urna e venda de voto (assista a partir de 7:09:08) e reiterou que tais episódios eram exceções que não comprometeram a lisura das eleições no estado.
Outro aspecto citado por Tavares foi o de problemas no fornecimento de transporte público no município de São Gonçalo, mas que foi resolvido logo pela manhã a partir de uma decisão que impôs multa às empresas que não colocassem ônibus em circulação prejudicando o deslocamento de eleitores.
A PMERJ negou os boatos de que equipes da corporação estariam realizando operações no espaço urbano para dificultar o trânsito no domingo, 25.
Em nota enviada ao Verifica, a corporação informou que mais de 20 mil agentes foram escalados para trabalhar na segurança e na manutenção da ordem e do direito de ir e vir dos eleitores fluminenses, "justamente para garantir um processo eleitoral democrático e seguro aos cidadãos do Rio de Janeiro".
Foto usada na postagem não foi registrada no 2º turno
A foto que ilustra o vídeo não foi tirada no dia do segundo turno das eleições. Ela já havia sido usada em notícias anteriores, como uma de junho de 2025 publicada pelo site Rádio 93. A blitz retratada ocorreu na Avenida Presidente Vargas, na altura do número 286, próximo ao Centro de Convenções ExpoRio.
Outro indício de que a fotografia não é recente é a presença de uma árvore que já não existe no local, ao lado da qual estava estacionada uma viatura do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM). A imagem abaixo mostra o local da blitz em dois momentos diferentes capturados pelo Google Earth. Confira:
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