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Política

Conselho de Ética da Câmara suspende mandato de Gilvan da Federal por ataque a Gleisi e Lindbergh

Deputado do PL, de forma indireta, disse que ministra 'deve ser uma prostituta do caramba' e confrontou líder do PT na Câmara em uma sessão de comissão; relator afirma que a conduta é 'incompatível com o decoro parlamentar'

6 mai 2025 - 13h10
(atualizado às 20h00)
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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados votou pela suspensão do mandato parlamentar do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por três meses pela "conduta incompatível com o decoro parlamentar" - sinalizada pelo relator do caso, Ricardo Maia (MDB-BA), em relação à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e ao deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

Mesa Diretora da Câmara pede suspensão do mandato de Gilvan da Federal por ofensas a Gleisi Hoffmann
Mesa Diretora da Câmara pede suspensão do mandato de Gilvan da Federal por ofensas a Gleisi Hoffmann
Foto: Reprodução

De forma indireta, em uma sessão na Câmara, Gilvan disse que Gleisi "deve ser uma prostituta do caramba" e confrontou Lindbergh após ser chamado de "desqualificado". O placar terminou com 15 votos a favor e quatro contra. O parlamentar do PL afirma que não vai recorrer da decisão.

Segundo Maia, as condutas de Gilvan, nos dois incidentes, "ultrapassam os limites da liberdade de expressão parlamentar, com ataques pessoais e desqualificação moral, por meio de termos ofensivos e desrespeitosos, que ferem a dignidade das autoridades atingidas e comprometem os valores institucionais da Câmara dos Deputados".

Em sua defesa, Gilvan diz se arrepender apenas de reagir a provocações de Lindbergh, que, segundo Gilvan, o chamou de "bandido". "Meu erro, e aqui assumo, é de ficar pilhado e reagir a uma ofensa. Em nenhum momento da minha fala eu me dirigi qualificando a deputada Gleisi Hoffmann", afirmou.

Ele nega também associar o termo "amante" a Gleisi". "Eu citei ao apelido", diz.

A votação foi novamente palco de troca de insultos entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No momento mais acirrado, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chamou Gilvan de "covarde", no que foi alvo de protesto a gritos de Sargento Fahur (PSD-PR) e Sargento Gonçalves (PL-RN). "Covarde é o senhor, que se aproveitou dessa situação", disse Fahur.

No último dia 1.º, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinou uma representação contra Gilvan pela suposta quebra de decoro parlamentar ao ofender a ministra Gleisi Hoffmann (PT).

O documento assinado por Motta argumenta que o deputado do PL ofendeu a ministra ao vinculá-la ao termo "amante", numa referência a uma alcunha que teria sido atribuída à petista em um suposto esquema de favorecimento envolvendo a empresa Odebrecht.

Gilvan fazia referência à chamada "lista da Odebrecht", relacionada à Operação Lava Jato, em 2016. Nessa "super planilha", o nome de Gleisi aparecia entre os de 279 políticos de 22 partidos, sob a suspeita de ter recebido repasses ilegais da construtora.

Não é o primeiro incidente controverso de Gilvan ao longo desse seu primeiro mandato, iniciado em 2023. Neste ano, ele já desejou a morte de Lula.

Em outubro do ano passado, Gilvan foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de calúnia e difamação contra Lula por chamar o presidente de "ladrão" e "corrupto", além de atacar o então ministro da Justiça e hoje ministro da Suprema Corte, Flávio Dino, durante o ato do Movimento Pró-Armas em Brasília, em julho de 2023.

Em junho de 2024, o deputado desafiou o senador Marcos do Val (Podemos-ES) para uma briga num ringue profissional em discurso proferido no plenário da Câmara. Nesse mesmo mês, deu um empurrão em um homem que gritou "viva a maconha" em uma sessão de comissão na Câmara e pediu revista do cidadão.

Já em dezembro de 2023, Gilvan chamou o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) de "traidor" em uma sessão do Congresso Nacional e precisou ser apartado por seguranças.

Na véspera do julgamento, Gilvan foi ao plenário pedir desculpas. "Se algum deputado se sentiu ofendido, eu discordo totalmente de ataques à família. Nunca fiz isso enquanto vereador de Vitória e, aqui nesta Casa, eu jamais faria isso. Então, eu peço desculpa a quem se sentiu ofendido e ao presidente da Câmara", afirmou.

Motta disse que tomou a decisão para "zelar pelo bom funcionamento da instituição", mas que a postura de Gilvan nesta segunda-feira, 5, "engrandece o mandato". "Nós vamos ver o que o Conselho de Ética irá decidir amanhã, mas Vossa Excelência, aqui no plenário, colocando e se comprometendo a uma mudança de conduta, a uma mudança de comportamento, eu penso que isso engrandece o seu mandato", afirmou.

"O jogo de palavra e o pedido de desculpa não retira as palavras infelizes colocadas oficialmente", rebate a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Estadão
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