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Política

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Como especialistas avaliam encontro com Trump não deve mudar cenário eleitoral de Flávio Bolsonaro

Especialistas afirmam que reunião tem alcance limitado entre eleitores indecisos e não elimina desgaste causado por caso envolvendo Vorcaro

26 mai 2026 - 22h06
(atualizado em 27/5/2026 às 04h59)
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O senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Foto: Reprodução/Instagram

A reunião entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira, 26, não deve alterar significativamente o cenário eleitoral do senador. Para analistas políticos ouvidos pelo Terra, a foto ao lado do líder americano tem impacto limitado sobre o eleitorado.

A avaliação é que o encontro reforça a imagem internacional de Flávio perante sua base, mas dificilmente amplia apoio entre indecisos ou neutraliza desgastes recentes, como a repercussão das mensagens em que o senador pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O encontro foi uma tentativa de desviar a atenção do caso Vorcaro. Mas a foto, sozinha, não tem força para convencer o eleitor indeciso nem mudar a situação eleitoral do Flávio”, afirmou o cientista político Valdir Pucci.

Já o analista político e especialista em marketing político Deividi Lira avalia que a imagem pode reforçar narrativas e servir como peça de campanha, mas pondera que uma eleição é definida por fatores mais amplos.

“Essa agenda parece ter sido uma tentativa de criar um fato positivo e reduzir o impacto da crise envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse. No entanto, um encontro curto e uma única fotografia limitam a construção dessa narrativa”, disse.

PCC e CV como terroristas

Para os analistas, a defesa de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode consolidar a segurança pública como uma das principais bandeiras de uma eventual campanha presidencial de Flávio em 2026.

Durante entrevista coletiva após o encontro, o senador afirmou ter pedido a Trump que avalie a possibilidade de enquadrar as facções brasileiras como grupos terroristas, medida que, segundo ele, fortaleceria a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Segundo Pucci, a proposta dialoga diretamente com a base bolsonarista e pode fortalecer a fidelização desse eleitorado. O desafio, porém, é ampliar o alcance da pauta para além dos apoiadores mais próximos. “O discurso reforça o eleitor que ele já possui. A dúvida é se isso consegue atingir outros segmentos da sociedade, principalmente os indecisos”.

Já Deividi Lira avalia que o encontro com Trump e a defesa da classificação das facções como terroristas ajudam Flávio a construir a imagem de um candidato associado ao endurecimento do combate ao crime. “A segurança pública pode ser um mote para a campanha eleitoral. Ele vai utilizar essa reunião com Trump para reforçar a narrativa de que é um candidato preocupado com o tema”.

Para Lira, o assunto ganha relevância porque a segurança pública ainda é considerada um ponto vulnerável para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar disso, ambos os especialistas avaliam que o discurso enfrenta limites. Além das dúvidas sobre efetividade, existe o risco de a aproximação com Trump ser interpretada por parte do eleitorado como alinhamento excessivo aos Estados Unidos, e não necessariamente como fortalecimento da soberania brasileira.

Na avaliação dos analistas, medidas mais rígidas contra o crime organizado tendem a permanecer no centro da narrativa bolsonarista, mas o impacto eleitoral dependerá da capacidade de transformar propostas simbólicas em soluções percebidas como concretas pelos eleitores.

Para Pucci, a segurança pública deve ocupar espaço central na estratégia eleitoral da direita nos próximos anos.

“Com certeza, a segurança pública será um dos grandes motes da oposição nesta eleição. Hoje, parte dos brasileiros aponta corrupção e outra parte aponta segurança pública como os principais problemas do país, e a direita já possui um discurso consolidado nessa área”, afirmou.

Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 25, mostrou que corrupção, saúde pública e segurança pública (violência e criminalidade) são considerados, respectivamente, os principais problemas do Brasil.

Apesar de avaliarem que a direita leva vantagem no debate sobre segurança, os especialistas consideram que as conversas entre Vorcaro e Flávio podem prejudicar o senador em outro tema central: corrupção. Para eles, o caso Banco Master passou a ser associado a esse debate.

A foto

Na imagem divulgada nesta terça, Flávio aparece em pé no Salão Oval, enquanto Trump está sentado atrás da mesa presidencial.

O presidente Lula também se reuniu com Trump no início deste mês. No registro do encontro, ambos aparecem em pé, apertando as mãos, formato mais comum em reuniões entre chefes de Estado. As imagens foram feitas na Casa Branca, mas em ambientes diferentes.

Os especialistas concordam que os registros transmitem mensagens distintas. Pucci avalia que a foto de Flávio com Trump transmite uma relação menos horizontal, já que o presidente americano aparece sentado enquanto o senador está em pé, o que pode sugerir hierarquia ou submissão.

“A imagem parece mais o registro de uma visita rápida do que de uma negociação entre líderes e, por isso, teria menos força simbólica do que a foto entre Lula e Trump, marcada por aperto de mãos e posição de igualdade”, afirmou.

Para Deividi Lira, a foto entre Flávio e Trump foi construída para sinalizar proximidade política, mas tem alcance limitado fora da base bolsonarista. “A imagem, com Trump sentado e expressão protocolar, difere do padrão adotado em encontros entre chefes de Estado”.

Fonte: Portal Terra
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