COLUNA | Após 134 anos, Senado desafia Planalto e impõe derrota a Lula
A derrota recente não é apenas simbólica. Ela expõe um erro de cálculo político e revela uma fragilidade que o governo tentava esconder. Faltou articulação, sobrou confiança
A derrota de Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de emplacar um nome para o Supremo Tribunal Federal entra para a história como um ponto fora da curva — e dos grandes.
O Brasil não assistia a um cenário desse tipo desde 1894, quando o Senado Federal do Brasil rejeitou a indicação de Cândido Barata Ribeiro, feita por Floriano Peixoto. De lá pra cá, mais de 130 anos de aprovações consolidaram a ideia de que o presidente indicava e o Senado confirmava.
Esse ciclo foi quebrado.
A derrota recente não é apenas simbólica. Ela expõe um erro de cálculo político e revela uma fragilidade que o governo tentava esconder. Faltou articulação, sobrou confiança.
O Senado mudou de postura. Deixou de ser carimbador e passou a exercer poder real. E quando isso acontece, o jogo em Brasília muda completamente.
Para Lula, o impacto é direto: perde força, perde previsibilidade e entra em um terreno mais instável para negociar futuras decisões.
Não se trata apenas de uma indicação barrada. Trata-se de um precedente.
E precedentes, na política brasileira, nunca são isolados. Eles abrem caminho.
Depois de mais de um século, o recado institucional é claro: o governo tentou impor — e não conseguiu.
E isso, em Brasília, pesa mais do que qualquer discurso.
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