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Checamos a entrevista de Lula na TV Globo; veja o resultado

Presidente e Candidato à reeleição errou dados sobre empregos e obras paralisadas

15 out 2026 - 22h55
(atualizado às 23h15)
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Resumo
O Estadão Verifica analisou a entrevista do presidente Lula à TV Globo e checou a precisão de seus dados. Embora tenha acertado sobre o alcance do programa Desenrola e a suplência de Rogéria Bolsonaro, Lula cometeu deslizes: exagerou ao afirmar que criou 22 milhões de empregos, subestimou o número de obras paralisadas, foi impreciso sobre sua bancada e base aliada, omitiu a autoria inicial da Reforma do Judiciário e foi enganoso ao citar um suposto déficit de 2,8% deixado pela gestão Bolsonaro.
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O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi entrevistado na noite desta quinta-feira, 15, na TV Globo. O Estadão Verifica, núcleo de checagem de fatos do Estadão, analisou a veracidade das alegações feitas pelo presidente ao longo da entrevista.

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Foram consideradas apenas afirmações factuais, como números, datas, comparações de grandeza e outras. A depender da apuração, podemos atribuir as etiquetas "falso", "enganoso", "exagerado", "subestimado", "impreciso", "falta contexto" e "verdadeiro".

A assessoria do presidente foi contatada para comentar a checagem e o texto será atualizado se houver resposta.

Veja o resultado abaixo.

Saldo do segundo mandato

O que Lula disse: que, após o fim do seu segundo mandato, o Brasil era a sétima economia do mundo, a economia crescia 7,5% por ano e havia criado 22 milhões de empregos.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro em partes. De acordo com o estudo Paridades de Poder de Compra e o Tamanho Real das Economias Mundiais, do Banco Mundial, o Brasil foi a sétima maior economia do mundo em 2010. É fato que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou um crescimento de 7,5% no PIB do país naquele ano.

Mas o dado sobre a geração de 22 milhões de empregos é exagerado. De acordo com os registros sobre a evolução do emprego formal no Brasil, em 2002, antes de Lula chegar ao governo, o total de postos com carteira assinada era de 28,7 milhões. Já em 2010, último ano de seu segundo mandato, a quantidade chegou a 44,1 milhões, totalizando um saldo aproximado de 14 milhões de vagas criadas no período.

Mãe de Flávio Bolsonaro

O que Lula disse: que a mãe do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) seria suplente de Márcio Canella no Senado.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro. Em fevereiro, o jornal O Globo informou que Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, havia sido anunciada como a primeira suplente do então prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União), na pré-candidatura ao Senado. Posteriormente, ele desistiu de disputar essa vaga para concorrer à Assembleia Legislativa do Rio.

Nesta quinta-feira, 15, Canella foi preso na nova fase de investigação da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

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Reforma no Judiciário

O que Lula disse: que fez a primeira reforma do Judiciário.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. Lula se refere à Emenda Constitucional nº 45, de 8 de dezembro de 2004, conhecida também como Reforma do Judiciário. Nessa época, o petista cumpria seu primeiro mandato como presidente da República.

Lula omitiu, porém, que o projeto que originou a reforma foi apresentado em 1992 por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo então deputado federal Hélio Bicudo, do PT. Ou seja, aprovada no governo de Lula, a proposta começou a ser discutida anos antes.

População endividada

O que Lula disse: que, quando ele assumiu o governo, em 2023, 78% da população era endividada. E que, no primeiro programa Desenrola, foram atendidas 15 milhões de pessoas.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de janeiro de 2023, feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontou que o Brasil tinha 78% de endividados naquele mês. A primeira edição do Programa Desenrola Brasil, lançado em junho de 2023, atendeu a 15,06 milhões de pessoas em dez meses de renegociações.

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Obras paralisadas com Bolsonaro

O que Lula disse: que, quando assumiu o governo, encontrou 6 mil obras paralisadas.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é subestimado. O Tribunal de Contas da União (TCU) faz o acompanhamento periódico de obras paralisadas no País. Não há um dado específico para janeiro de 2023, e sim para abril daquele ano, quando o número de obras paralisadas era de 8.603, de um total de 21.005 obras em andamento. A maior parte das obras paralisadas naquele momento era na área da Educação (3.580) e de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (1.854). O levantamento anterior, de agosto de 2022, tinha um número ainda maior de obras paralisadas: 8.674. Os números subiram para 11.944 em abril de 2024 e 11.469 em abril de 2025. O levantamento mais recente, de abril de 2026, mostra os menores números: 4.215 obras paralisadas, de um total de 22.414 em andamento.

Base do governo

O que Lula disse: que foi eleito com 70 deputados e nove senadores do PT, e que todos os partidos, com exceção do PL, participaram do governo dele.

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é impreciso. Eleito em 2022, Lula assumiu seu quarto mandato à frente da Federação Brasil da Esperança, coligação formada por PT, PV e PCdoB. O PT elegeu 68 deputados e ampliou a bancada no Senado para nove parlamentares.

Se forem considerados cargos no primeiro escalão, além do PL, não ocuparam postos em ministérios do atual governo Lula os partidos Novo, PSDB, Podemos, Avante e Solidariedade. O PL fez parte da base governista no primeiro mandato de Lula.

Segundo reportagem do Estadão de junho de 2025, o terceiro mandato de Lula registrou a base mais infiel das últimas três décadas: apenas 72% dos votos de deputados de partidos com ministérios foram favoráveis ao Planalto nas votações de interesse do governo na Câmara dos Deputados.

Déficit

O que Lula disse: que seu governo apresentou projeto de Orçamento com superávit de 0,1%. A gestão anterior teria deixado um déficit de 2,8%.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. É verdade que o governo federal enviou ao Congresso uma proposta de Orçamento para 2027 com superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) (veja aqui, aqui e aqui).

Mas, em 2022, último ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governo central registrou um superávit fiscal de cerca de 0,6% do PIB. A mesma alegação de Lula sobre déficit da gestão anterior já havia sido feita em entrevista ao Jornal Nacional em agosto e desmentida pelo Estadão Verifica. O resultado de 2022 foi influenciado por calote em precatórios e adiamento do pagamento de compensações a Estados pela desoneração dos combustíveis. Em 2023, houve déficit de 2,4% por conta de gastos represados na administração de Bolsonaro.

Estadão
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