Candidato apoiado pelo PT doa R$ 1 milhão à própria campanha e lidera autodoações em SC
Gelson Merísio concorre ao governo catarinense pelo PSB e alega que doação de campanha 'segue as regras eleitorais'; um de seus adversários, o incumbente Jorginho Mello (PL) declarou uma autodoação de R$ 30 mil
O candidato ao governo de SC Gelson Merísio (PSB) lidera as autodoações no estado após destinar R$ 1 milhão à própria campanha, montante superior ao seu patrimônio declarado ao TSE, de R$ 652,9 mil. O postulante afirma que a transação é legal e provém de sua renda corrente como executivo, de cerca de R$ 300 mil mensais. Ele justificou a diferença patrimonial explicando que parte dos bens familiares está sob uma empresa registrada no nome da esposa e dos filhos, respeitando a legislação.
O candidato ao governo de Santa Catarina Gelson Merísio (PSB) colocou R$ 1 milhão do próprio bolso na campanha eleitoral e passou a liderar o ranking de autodoações entre os candidatos ao governo estadual. Em nota, o postulante afirma que a doação segue as regras eleitorais (veja a nota completa abaixo).
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gelson Merísio integra a coligação Coragem Para Mudar, formada por PSB, PDT, PSOL-Rede e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
O valor transferido por Gelson Merísio à própria campanha chama atenção quando comparado ao patrimônio informado por ele à Justiça Eleitoral. Na declaração apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato registrou R$ 652.953,78 em bens, cerca de R$ 347 mil a menos do que a quantia destinada à candidatura.
Sobre a declaração de patrimônio, o candidato alega que é casado em comunhão universal de bens e que é vedada a constituição de sociedade entre cônjuges casados nesse regime. Por isso, em 2013, foi criada uma empresa de administração do patrimônio familiar em nome de sua mulher e filhos. Portanto, só foram declarados os bens que estão em seu nome total ou parcialmente.
Com relação à doação de recursos próprios, Merísio aponta que se trata de "receita corrente do ano vigente. O candidato é um alto executivo de empresa privada, com remuneração mensal na faixa dos R$ 300 mil".
Entre os bens declarados estão uma casa em São Paulo, avaliada em R$ 430 mil, uma participação de R$ 95 mil na empresa Merísio Comércio de Materiais de Construção Ltda. e R$ 75,5 mil em quotas de capital da Sicoob/Credimoc Cooperativa de Crédito. Ele também informou valores mantidos em contas bancárias e aplicação financeira.
A prestação de contas de Gelson Merísio foi recebida pela Justiça Eleitoral nessa terça-feira, 25. O sistema do TSE registra a transferência de R$ 1 milhão como recurso próprio utilizado na campanha.
Outros candidatos
O governador Jorginho Mello (PL) também aparece entre os candidatos que já utilizaram recursos próprios na corrida eleitoral. Ele declarou uma autodoação de R$ 30 mil para a campanha.
Os demais concorrentes ao governo de Santa Catarina ainda não apresentaram prestações de contas com informações sobre doadores, de acordo com os dados disponíveis no DivulgaCandContas, plataforma do TSE.
Veja manifestação de Gelson Merísio
A candidatura ao governo de Santa Catarina, Gelson Merisio (PSB), esclarece que tanto a declaração patrimonial quanto a doação de campanha feita em seu nome, seguem perfeitamente as regras eleitorais e a legislação vigente.
Sobre a declaração patrimonial:
Gelson Merisio é casado há 38 anos sob o regime de comunhão universal de bens. E o Código Civil impede a constituição de sociedade entre cônjuges casados nesse regime. A empresa de administração do patrimônio familiar, criada em 2013, está portanto apenas no nome de sua esposa e dos seus filhos.
A legislação eleitoral exige a declaração dos bens que estejam, total ou parcialmente, em nome do próprio candidato. E não exige declaração de patrimônio no nome do cônjuge ou dos filhos.
Sobre a doação de recursos próprios para a campanha eleitoral:
Trata-se de receita corrente do ano vigente. O candidato é um alto executivo de empresa privada, com remuneração mensal na faixa dos trezentos mil reais.
Ao final de cada ano, autorizado pelo regime matrimonial, ele utiliza a sobra desses recursos para aumento de capital da empresa da esposa e dos filhos.
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