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Brasileiros organizam ato contra Marco Feliciano em Madri

Participantes propuseram também um ato contra o senador Renan Calheiros

7 abr 2013
16h13
atualizado às 16h38
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"Somos brasileiros, moramos em Madri e Feliciano não nos representa" é o lema dos brasileiros que se reuniram neste domingo em Sol, praça central da capital espanhola. Nem os 12ºC de temperatura foram suficientes para dispersar o pequeno grupo de 20 pessoas com cartazes de protesto pela saída do deputado Marco Feliciano da presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados do Brasil.

Alguns dos protestantes moram na Espanha há 20 anos, como é o caso de Rose Maloka, uma das organizadoras do ato. Apesar de estar tanto tempo fora, ela costuma ir ao Brasil a cada dois ou três anos e está antenada com o que acontece aqui. "Queremos que os políticos brasileiros saibam que apesar de estarmos longe, amamos o Brasil e vamos defender o nosso povo, os direitos humanos, os índios, negros, homossexuais, enfim, a liberdade", explica Rose.

"Me preocupa e me ofende o fato do senhor Feliciano estar na presidência de uma comissão tão importante. Nós votamos, temos familiares no Brasil e temos o dever de protestar, afinal, deixar uma pessoa como ele neste cargo é quase como deixar a raposa tomando conta do galinheiro", protesta Elizabeth Firmino Pereira.

Sandra Brocksom, brasileira, vive em Madri há menos de dois anos e mesmo nesse curto período já esteve em seu país natal e saiu à rua para mostrar sua opinião: "eu não entendo por que há pessoas que discriminam outras. Somos todos diferentes, mas temos que ter iguais direitos". Para ela, o ato representa os conterrâneos que vivem em todos os países do mundo. "Assim como todos os políticos, o Feliciano, dentro da Câmara, deveria ser deputado e não pastor de sua igreja. Não podemos esquecer que o Brasil é um Estado laico".

Ao grupo que se reuniu às 17h (hora de Madri, 12h pelo horário de Brasília), se juntaram outros brasileiros. Em seguida um grupo de capoeiristas começou uma roda que atraiu curiosos de diferentes países. "Caso nada aconteça, vamos convocar um novo ato com participação de espanhóis e de gente de todo o mundo que mora aqui. Todos com quem falo sobre o Feliciano também ficam chocados. Eles podem não nos ouvir, mas não podem ignorar o mundo todo", ameaça Rose.

Protestos paralelos
Segundo os organizadores, depois de marcado o protesto, os participantes propuseram também um ato contra o senador Renan Calheiros, denunciado pelo Ministério Público em 2007 por sonegação de impostos, e contra o senador Blairo Maggi da Comissão de Meio Ambiente por seu histórico de participações em desmatamentos.

"Os políticos na Espanha e no Brasil são bem parecidos. A maioria só se preocupa com seus interesses e não entende que representa o povo", diz Rose. Para Ana Beatriz Arruda, brasileira e manifestante, os políticos dos dois países se parecem também na corrupção: "quero um país sem homofobia, mas também um país justo, sem tantas desigualdades".

Fonte: Especial para Terra
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