Condomínio de Bolsonaro emite informe com restrições a moradores e regras da prisão domiciliar
Documento foi enviado pelo síndico logo após o ex-presidente retornar à sua residência no Solar de Brasília para cumprir a prisão domiciliar por 90 dias
BRASÍLIA - O condomínio Solar de Brasília, na capital federal, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro mora e agora cumpre prisão domiciliar, compartilhou nesta sexta-feira, 27, um comunicado aos moradores em que descreve uma série de restrições e novas regras a serem cumpridas com o retorno do político ao local.
O boletim informativo foi divulgado logo após Bolsonaro receber alta do hospital DF Star e chegar ao condomínio acompanhado de um comboio da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O texto inicia com a citação de trechos da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que autorizou a mudança de regime do ex-presidente.
É mencionado, por exemplo, que o condomínio passará a ter monitoramento 24h na área externa à residência de Bolsonaro e que estão proibidos "quaisquer acampamentos, manifestações ou aglomerações de indivíduos em um raio de 1 quilômetro" da casa do ex-presidente.
O documenta ainda cita que a PMDF passará a fazer o patrulhamento e a guarda nas proximidades da casa de Bolsonaro. "Assim, informo aos nossos moradores que observem com o máximo cuidado a rotina de entrada e saída dos seus visitantes, pois, a DETERMINAÇÃO do Senhor Ministro do STF é clara", diz o documento, ressaltando:
"Caso ocorra qualquer tipo de ato que seja interpretado como descumprimento a ordem judicial, acarretará em infração judicial e suas consequências serão imediatas, bem como trará transtorno administrativo e jurídico ao condômino ou morador que autorizou a entrada".
A equipe do Estadão esteve no condomínio na manhã desta sexta-feira acompanhando a chegada do ex-presidente. Assim que Bolsonaro desembarcou em casa, um policial que fazia parte do comboio afirmou que havia decisão judicial para esvaziar o perímetro e ameaçou prender jornalistas e moradores que estavam próximos da residência de Bolsonaro naquele momento.
"Ademais, a manutenção da ordem e segurança na área externa do Condomínio é de responsabilidade das autoridades policias, bem como a rotina de entrada e saída de pessoal e terceiros do imóvel em tela será monitorada pelo Núcleo de Custódia e seguirá a rotina constante na Convenção do Condomínio, portanto, não é recomendada qualquer ingerência dos nossos moradores neste sentido", afirma o texto.
O documento cita que as mensagens trocadas no grupo WhatsApp do condomínio representam a opinião dos seus participantes e "não refletem, necessariamente, o posicionamento institucional" do local e da sua administração.
"Condomínio é uma entidade apartidária e não adota qualquer posicionamento político, sendo neutro em relação a debates de cunho ideológico ou partidário. Neste sentido, a Administração do Condomínio tem o dever de garantir a boa gestão, cumprir as obrigações legais e administrativas, manter a segurança e a convivência harmoniosa dos moradores", finaliza o documento.
Bolsonaro teve alta por volta das 10h desta sexta-feira após duas semanas internado com "broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa". Por volta de 10h30, o ex-presidente desceu de uma caminhonete branca, que foi estacionada em frente à casa, com um colete à prova de balas da Polícia Militar.