PUBLICIDADE

Política

Bolsonaro muda postura e adota tom moderado, diferente de ato durante a pandemia

Em 2021, ex-presidente chamou Alexandre de Moraes de 'canalha' e criticou sistema eleitoral brasileiro

26 fev 2024 - 11h12
(atualizado às 12h08)
Compartilhar
Exibir comentários
TB SAO PAULO SP 25/02/2024 POLÍTICA - ATO PRO BOLSONARO - Manifestação com a presença do mesmo e de governadores, deputados e ex-ministros na Avenida Paulista, próximo ao Masp. BOLSONARO TARCÍSIO FOTO TABA BENEDICTO / ESTADAO
TB SAO PAULO SP 25/02/2024 POLÍTICA - ATO PRO BOLSONARO - Manifestação com a presença do mesmo e de governadores, deputados e ex-ministros na Avenida Paulista, próximo ao Masp. BOLSONARO TARCÍSIO FOTO TABA BENEDICTO / ESTADAO
Foto: TABA BENEDICTO / ESTADAO / Estadão

A postura de Jair Bolsonaro (PL) durante o ato que ocorreu na Avenida Paulista, região central de São Paulo, neste domingo, 25, foi diferente da usada há cerca de dois anos e meio, no Sete de Setembro. Em 2021, o então titular do Planalto proferiu um de seus discursos mais bélicos, repleto de ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Desta vez, na manifestação convocada pelo ex-presidente, que serviu como teste de força do bolsonarismo após as investigações da Polícia Federal acerca da tentativa de golpe de Estado, o político não citou ministros ou a Suprema Corte, e falou em "passar a borracha no passado". 

Bolsonaro também pediu pela anistia dos "pobres coitados", ao se referir aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Dias antes, ele fez questão de dizer em várias oportunidades que o ato seria pacífico, e reforçou isso em cima do trio que passou pela Paulista neste domingo. 

Bolsonaro fala em 'borracha no passado' e pede anistia para presos do 8/1: 'Pobres coitados':

Ao contrário de outros protestos durante o governo Bolsonaro, desta vez não houve cartazes pedindo intervenção militar ou a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como ocorreu, por exemplo, no 7 de Setembro de 2021.

Em setembro de 2021, ele chegou a se dirigir ao ministro do STF Alexandre de Moraes como "canalha" e pediu para que o magistrado deixasse de "oprimir o povo brasileiro". Além disso, o ex-presidente também afirmou que não cumpriria qualquer decisão do magistrado. "Fim da censura. Fim da perseguição, aqueles conservadores, aqueles que pensam no Brasil", disse. Na ocasião, ele também botou em cheque o sistema eleitoral brasileiro. 

Confira os principais trechos dos discursos de Bolsonaro na Paulista

Sete de Setembro de 2021

"Vocês passaram momentos difíceis com a pandemia, mas pior que o vírus foram as ações de alguns governadores e alguns prefeitos que simplesmente ignoraram a nossa Constituição, em especial o inciso do artigo 5º da mesma, onde tolheram a liberdade de expressão, tolheram o direito de ir e vir. Proibiram vocês de trabalhar e frequentar templos e igrejas para sua oração. Tudo isso foi se somando e a indignação de vocês foi crescendo.

O nosso povo sempre primou pela liberdade, respeitamos as leis e a nossa Constituição. Esse presidente que vos fala sempre esteve ao lado da nossa Constituição. Sempre esteve dentro das 4 linhas da mesma. Mas agora chegou o momento de nós dizermos a essas pessoas que abusam da força do poder para nos subjugar, dizer a esses poucos que agora tudo vai ser diferente.”

“Não podemos admitir que uma pessoa na Praça dos Três Poderes querer fazer valer a sua vontade. Querer inventar inquéritos. Querer suprimir a liberdade de expressão. Querer continuar prendendo pessoas honestas por um simples… Por uma acusação de crime de opinião.”

“Não temos qualquer crítica a instituições, respeitamos todas as instituições. Quando alguém do poder Executivo começa a falhar eu converso com ele. Se ele não se enquadra, eu demito. No Legislativo, não é diferente. [...] Já no nosso Supremo Tribunal Federal infelizmente isso não acontece. Temos um ministro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos. Logo, um ministro que deveria zelar pela nossa liberdade, pela democracia, pela Constituição faz exatamente o contrário. Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair.

Não podemos admitir que uma pessoa, um homem apenas turve a nossa democracia e ameace a nossa liberdade. Dizer a esse indivíduo que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda para arquivar seus inquéritos. Ou melhor, acabou o tempo dele. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixe de oprimir o povo brasileiro. Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. Dizer a vocês que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou. [...] Ele para nós não existe mais. Liberdade para os presos políticos. Fim da censura. Fim da perseguição aqueles conservadores, aqueles que pensam no Brasil.” 

“Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições. Dizer também que não é uma pessoa do Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável porque não é. Não podemos admitir um ministro do Tribunal Superior Eleitoral também usando a sua caneta para desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação. Nós queremos uma eleição limpa, democrática, com voto auditável e contagem pública dos votos. [...] Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada ainda pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral.”

“Não vamos mais admitir que pessoas como Alexandre de Moraes continue a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição. Ele teve todas as oportunidades para agir com respeito a todos nós, mas não agiu dessa maneira como continua a não agir, como agora pouco interceptou um cidadão americano para ser inquerido sobre atos antidemocráticos. Uma vergonha para o nosso país, patrocinada por Alexandre de Moraes.”

“[...] E dizer aqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá. E aqueles que pensam que com uma caneta podem me tirar da presidência, digo uma coisa para todos: nós temos 3 alternativas, em especial para mim, preso, morto ou com vitória. Dizer aos canalhas que nunca serei preso.”

25 de fevereiro de 2024

“Na caixa de ferramenta, que é a Bíblia cristã, está escrito que nós devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance. Quando não for mais possível, entreguemos nas mãos de Deus. Nós ainda podemos fazer muito pela nossa pátria. A liberdade é um bem maior.”

Lembro lá, nos dias de 2018, no dia meia dúzia de setembro, em Juiz de Fora, cidade do nosso governador Zema, eu fui covardemente agredido. Um cara, ex-filiado ao Psol, me esfaqueou. [...] Me lembro muito bem, naqueles momentos de rara lucidez, eu pedia apenas uma coisa a Deus: que ele não deixasse órfã a minha filha Laura, com então 7 anos de idade. “Por que eu falei isso? Porque quando falamos em Estado Democrático de Direito, quando ele não é respeitado, nós fabricamos, ou melhor, aquela minoria fabrica órfãos de pais vivos.”

Ato pró-Bolsonaro reuniu apoiadores do ex-presidente na Avenida Paulista neste domingo, 25
Ato pró-Bolsonaro reuniu apoiadores do ex-presidente na Avenida Paulista neste domingo, 25
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

“Assumimos 2018 e 2019. Aprovamos com o Parlamento brasileiro a Lei de Liberdade Econômica. Entramos em 2020. Lamentavelmente a pandemia apareceu. Um sinal de interrogação para todo mundo como, em parte, ainda é no dia de hoje. Fizemos o possível para atender a todos do Brasil. Demos auxílio emergencial para 68 milhões de pessoas. E as mulheres, mães, recebiam o dobro desse valor.”

“Com esses ministros, como o João Roma, que está aqui, que cuidou dessa parte do social, nós fizemos o Brasil crescer. O Paulo Guedes foi um gigante na economia. Nós chegamos a crescer mais do que a China. Chegamos a ter em 2022 3 meses de deflação em nossa pátria. Chegamos no final do ano, depois daquela coisa que aconteceu em outubro de 2022. E vamos considerar isso uma página virada na nossa história, porque nós sabemos o que precisa ser feito para o futuro. Para que todos não tenham dúvidas da transparência daquilo que nós devemos ter. E em especial quando se elege um representante nosso.”

“Nós não queremos o socialismo para o nosso Brasil. Nós não podemos admitir o comunismo em nosso meio. Nós não queremos ideologia de gênero para os nossos filhos. Nós queremos respeito à propriedade privada. Nós queremos o direito à defesa à própria vida. Nós queremos o respeito à vida desde a sua concepção. Nós não queremos a liberação das drogas em nosso país. Mas para isso nós devemos trabalhar todo dia dentro de casa, no trabalho, com os vizinhos e com os amigos.”

“Passei 4 anos perseguido também enquanto presidente da República. E essa perseguição aumentou a sua força quando deixei a Presidência da República. [...] Saí do Brasil e essa perseguição não acabou. É joia. É a questão de importunação de baleia. É dinheiro que seria mandado para fora do Brasil. [...]  A penúltima agora: ‘Bolsonaro queria dar um golpe’. Isso, desde que assumi em 2019, já ouvia. O que é golpe? Golpe é tanque na rua. É arma. É conspiração. É trazer classes políticas para o seu lado, empresariais. Isso que é golpe. Nada disso foi feito no Brasil. E fora isso, por que ainda continuam me acusando de um golpe?

Agora, o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Tenham santa paciência. Golpe usando a Constituição. Deixo claro que estado de sítio começa com o presidente da República convocando os conselhos da República e da Defesa. Isso foi feito? Não. Apesar de não ser golpe o estado de sítio, não foi convocado ninguém dos conselhos da República e da Defesa para se tramar ou para se botar no papel a proposta do decreto do estado de sítio.”

“Agora quem entubar a todos nós que um golpe usando dispositivos da Constituição, cuja palavra final quem dá é o Parlamento brasileiro, estava em gestação. Creio que está explicada essa questão.”

“Eu busco, [governador Ronaldo] Caiado, é a pacificação. É passar uma borracha no passado. É buscar maneiras de nós vivermos em paz. [...] É uma anistia para que eles pobres coitados que estão presos em Brasília [pelo 8 de janeiro]. Nós não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos. Há conciliação. Nós já anistiamos no passado quem fez barbaridade no Brasil.”

“Agora temos eleições municipais, vamos caprichar no voto, em especial, para vereadores e prefeitos também. E nos preparemos para 2026. O futuro a Deus pertence.”

“Também quero dizer que nós não podemos concordar que um poder tire do palco político quem quer que seja. A não ser que seja por um motivo extremamente justo. Não podemos pensar em ganhar as eleições afastando os opositores do cenário político.”

“As perseguições que falamos há pouco continuam. Inclusive, contra a nossa filha que tem apenas 13 anos de idade. Então, todo homem tem que ter do seu lado alguém que some. Assim como toda mulher deve ter ao seu lado alguém que some, para que esses momentos difíceis possam ser superados.”

Muito obrigado, povo do Brasil. Muito obrigado, homens e mulheres desse Brasil fantástico e maravilhoso. Nós pedimos a Deus que nos dê forças para trabalhar, para persistir e vencer. Não há vencedores ou vencidos. Todos nós seremos vencedores se a paz de Deus reinar sobre o coração de cada um de nós.”

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade
Seu Terra












Publicidade