'Até a máfia tem ética', diz Gilmar Mendes ao se referir à crise na Corte
Ministro afirmou que um tribunal que admite 'apuração imparcial' não delibera com liberdade
Após declarar que os vazamentos relacionados ao caso Master são "bonecos" para as eleições, o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) disse que até a "máfia tem ética" ao se referir à crise na Suprema Corte.
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"É uma relação de máfia. Isso não se faz. Não é ambiente de pessoas dignas. Desculpe a sinceridade, presidente [Edson Fachin], mas as coisas precisam ser chamadas pelo nome. Não se pode submeter, mesmo que o colega esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma", declarou.
De acordo com Mendes, um tribunal que admite o que ele chamou de "apuração imparcial" já não delibera com liberdade.
"Sua excelência [Flávio Dino] propõe mais precisamente que a Secretaria Judiciária certifique os nomes de todos os magistrados do STF, do TST, do STJ, dos demais tribunais brasileiros mencionados no âmbito das apurações relativas ao Banco Master", acrescentou.
Mendes chegou a afirmar que o relator André Mendonça já sabia, desde março, sobre as menções de Moraes no caso Master, mas aguardou o período eleitoral para "encomendar" um relatório sobre o caso à Polícia Federal.
"A deliberação do Tribunal sobre matéria da tamanha gravidade não pode ocorrer nos termos ditados por alguém que tem desprezado qualquer senso de colegialidade, muito menos em pleno ciclo eleitoral. O interesse é evidente", completou.
O que está em análise?
O Plenário da Corte avalia o relatório da Polícia Federal (PF), pedido por Mendonça, que apontou envios de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes. Entre os principais destaques do documento estão solicitações do-ex banqueiro para que o ministro atuasse junto à cúpula da corporação e à Procuradoria-Geral da República, além de questionamentos sobre o avanço da Operação Compliance Zero, para interromper as investigações relacionadas a negócios fraudulentos envolvendo o banco.
As conversas foram extraídas do celular do ex-Master e teriam ocorrido entre 4 e 17 de novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão do banqueiro. Nas mensagens, Vorcaro pergunta se deveria deixar o País para evitar a prisão e faz referências a delegados e procuradores envolvidos nas apurações. Como eram enviadas em formato de visualização única, por meio de capturas de tela, a investigação teve acesso apenas ao conteúdo encaminhado pelo banqueiro, sem recuperar as respostas de Moraes.
Também estará em discussão o pedido de nulidade apresentado pela PGR, além da possibilidade de abertura ou arquivamento de uma investigação contra Moraes. No começo do mês, a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela nulidade da apuração solicitada por Mendonça, que era relator do caso até o começo deste mês.
Quem participa da sessão?
Ao todo, vão participar da sessão o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, a decana Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. Toffoli deverá se declarar impedido e Moraes não deverá participar da votação.
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