Alcolumbre diz que oposição faz 'ação arbitrária' e Motta afirma que decisão do STF se cumpre
Presidentes do Senado e da Câmara cancelaram as sessões desta terça-feira, 5, após protesto de deputados bolsonaristas e farão reunião com líderes na quarta, 6
SÃO PAULO E BRASÍLIA - Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiram ao protesto de parlamentares bolsonaristas que se recusam a iniciar os trabalhos legislativos até que os chefes das Casas pautem projetos que beneficiem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os dois cancelaram as sessões desta terça-feira, 5, e marcaram reuniões com os líderes para esta quarta, 6.
Em nota, Alcolumbre afirmou que a ocupação das Mesas da Câmara e do Senado feita pela oposição é um "exercício arbitrário" e desrespeita os princípios democráticos.
"O Parlamento tem obrigações com o País na apreciação de matérias essenciais ao povo brasileiro. A ocupação das Mesas Diretoras das Casas, que inviabilize o seu funcionamento, constitui exercício arbitrário das próprias razões, algo inusitado e alheio aos princípios democráticos", disse o presidente do Senado, no comunicado publicado no fim desta tarde.
Alcolumbre fez ainda um "chamado à serenidade e ao espírito de cooperação" dos parlamentares. "Realizarei uma reunião de líderes para que o bom senso prevaleça e retomemos a atividade legislativa regular, inclusive para que todas as correntes políticas possam se expressar legitimamente em sessões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados", escreveu.
Motta também anunciou no X (antigo Twitter) a convocação de uma reunião de líderes para tratar da pauta da Casa, afirmando que ela "sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional".
Acompanho a situação em Brasília desde as primeiras horas do dia de hoje, inclusive o que vem acontecendo agora à tarde no plenário da Camara. Determinei o encerramento da sessão do dia de hoje e amanhã chamarei reunião de líderes para tratar da pauta, que sempre será definida…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) August 5, 2025
Motta havia se pronunciado mais cedo sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 4. O presidente da Câmara afirmou que "decisão judicial deve ser cumprida" e que não cabe a ele ou a ninguém questionar as decisões.
"Eu penso que o legítimo direito de defesa tem que ser respeitado, que é um direito de todos, mas que decisão judicial deve ser cumprida. E é isso que nós estamos vendo, a decisão do Supremo Tribunal Federal ser cumprida. Não cabe aqui nem ao presidente da Câmara nem a ninguém estar comentando ou, na minha avaliação, tentando avaliar ou qualificar essa ou aquela decisão. Há um processo, os advogados falam nos autos, o juiz da mesma forma, o que tem acontecido nesse processo inerente ao presidente Bolsonaro", disse Motta em João Pessoa, na Paraíba, na tarde desta terça.
'Surtiu efeito', diz Flávio Bolsonaro
Questionado pelo Estadão sobre o posicionamento do presidente do Congresso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que os protestos dos parlamentares bolsonaristas estão provocando resultados. "Que bom que agora ele (Alcolumbre) quer dialogar. Surtiu efeito, parece", disse.
A iniciativa da obstrução foi anunciada por Flávio e outros parlamentares da oposição na manhã desta terça. Para destravar as pautas de votações nas Casas legislativas, deputados e senadores exigiram que um pacote de medidas em favor do ex-presidente seja votado.
Chamado de "pacote da paz" para "abrandar" a relação entre os Três Poderes, as medidas incluem anistia "ampla, geral e irrestrita" aos envolvidos no 8 de Janeiro, o impeachment de Moraes e proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim do foro privilegiado.
Na Câmara, os deputados chegaram a tapar as bocas com fita adesiva, em protesto contra a prisão de Bolsonaro. Como mostrou o Estadão, ocasionalmente, alguns deles tiram provisoriamente o item para beber água ou para falar ao telefone.