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Alckmin pensa em troca de partido para ser vice de Lula

Geraldo Alckmin disse a aliados que não quer ser um "peso" para nenhum partido e estuda, agora, a possibilidade de ir para o Solidariedade

10 dez 2021 17h16
| atualizado às 17h33
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De saída do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin disse a aliados que não quer ser um "peso" para nenhum partido e estuda, agora, a possibilidade de migrar para o Solidariedade, a fim de fazer dobradinha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Alckmin ainda negocia com o PSB, mas as exigências feitas pela legenda para aceitá-lo como vice na chapa de Lula ao Palácio do Planalto têm provocado mal-estar antes mesmo do casamento de papel passado.

A filiação ao Solidariedade surgiu como alternativa e vem sendo tratada com sigilo. Após participar nesta quarta-feira do 9º Congresso da Força Sindical - braço do Solidariedade -, Lula foi questionado por antigos companheiros de sindicalismo, a portas fechadas, se a aliança com Alckmin para 2022 era mesmo um desejo a ser perseguido.

Alckmin pode se filiar ao Solidariedade para ser vice na chapa de Lula em 2022
Alckmin pode se filiar ao Solidariedade para ser vice na chapa de Lula em 2022
Foto: Daniel Teixeira / Estadão

"Ele foi bom governador em São Paulo e compor chapa com ele será bom para o Brasil. Continuem articulando. Eu quero", respondeu o ex-presidente, de acordo com relatos de três participantes do encontro.

Cinco dias antes, na sexta-feira, Lula havia se reunido com Alckmin na casa do ex-secretário Gabriel Chalita, em São Paulo, com a presença do ex-prefeito Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo paulista. A conversa, como não poderia deixar de ser, passou por ácidas críticas ao governo de Jair Bolsonaro. Nessas ocasiões, Lula só poupa o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto, por quem tem simpatia.

O PT já começou a montar a coordenação da campanha. O publicitário baiano Raul Rabelo, que em 2018 assinou o programa de TV de Haddad, ao lado de Otávio Antunes, é agora o nome mais cotado para ser o marqueteiro de Lula.

Interessado em ser vice na chapa, Alckmin tem dito que o PSB jogou à mesa exigências muito difíceis para fechar o acordo. O partido quer, por exemplo, que o PT apoie seus candidatos aos governos de São Paulo, Rio, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Acre. A cúpula petista já avisou o PSB que não aceita abrir mão de Haddad em São Paulo.

Diante dos obstáculos, amigos de Alckmin começaram a pressioná-lo para desistir da dobradinha com Lula e disputar o Palácio dos Bandeirantes pelo PSD de Gilberto Kassab. Ele ainda resiste.

Impasse

Foi nesse cenário de impasse que o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) deu ao colega Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, a ideia de convidar Alckmin para se filiar. Lula incentivou o movimento. "Eu já tinha chamado o Alckmin lá atrás. Reafirmei agora o convite para ele entrar no Solidariedade, com o objetivo de ser candidato a vice do Lula. Se ele quiser, vou trabalhar para isso", disse Paulinho ao Estadão/Broadcast.

A entrada de Alckmin como candidato a vice, porém, está longe de ser unanimidade no PT. "Para uma campanha aguerrida como a que será a de 2022, vamos ter um anestesista como vice?", ironizou o deputado Rui Falcão (SP), ex-presidente do PT, numa referência à profissão do ex-governador. "O que Alckmin vai representar nessa malsinada aliança? Por acaso agora ele vai ser contra as privatizações?", emendou Falcão, que integra a coordenação da campanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão
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