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Política

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Aceno a mulheres, críticas ao STF e 'pacificação' com os EUA marcam a largada da campanha eleitoral

Lula, Flávio, Caiado, Santos e Zema iniciaram neste domingo, 16, a disputa pela Presidência da República

16 ago 2026 - 15h20
(atualizado às 18h26)
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A campanha eleitoral começou neste domingo, 16, com eventos focados em atrair eleitores da Região Sudeste e atacar opositores criticando seu posicionamento sobre temas como a condução da política externa, principalmente a relação do Brasil com os Estados Unidos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu como palco São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde iniciou sua trajetória como liderança sindical. No evento, ele fez questão de ressaltar o papel das mulheres.

Flávio Bolsonaro (PL) optou pela praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, berço político da família. O candidato usou o palco para atacar Lula e enaltecer o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Único a largar de fora da Região Sudeste, Ronaldo Caiado (PSD) optou por uma espécie de peregrinação por Goiás, Estado que governou até março. Na carreata, condenou o que chamou de querer "criar crise com os Estados Unidos" e alfinetou tanto Lula quanto Flávio.

Quanto a Flávio Bolsonaro, Caiado afirmou que "não adianta" lançar um candidato que vai ter que "ficar explicando seus problemas". "No primeiro turno é que realmente a população vai ter que escolher quem é que vai enfrentar o Lula no 2º turno. E não adianta você lançar um candidato que, ao chegar lá, vai ficar explicando os seus problemas. Não ganha eleição", declarou.

Caiado disse ainda que "os Estados Unidos não mandam no Brasil", ao ser questionado pela imprensa sobre a relação com o país norte-americano. "Não vamos desviar o assunto para lá, não. Esse povo que não tem discurso e que não tem como explicar a corrupção quer criar crise com os Estados Unidos. Não tem crise nenhuma com os Estados Unidos."

Por fim, o ex-governador declarou que, se eleito presidente, vai se "sentar na mesa de negociação" e pacificar a relação. "Não se governa brigando, se governa trabalhando para o benefício da população brasileira."

Renan Santos: 'Vamos tingir o chão com sangue'

Renan Santos debutou na campanha num ato na Faculdade de Direito da USP, onde estudou, mas não concluiu o curso.

Usando um colete à prova de balas, ele adotou um tom belicoso e afirmou que pretende "exterminar" facções criminosas. "Já no dia 6 de janeiro iremos devastar os primeiros inimigos, vamos tingir o chão com o sangue desses vagabundos", disse.

Renan Santos discursa no lançamento de sua campanha neste domingo, 16
Renan Santos discursa no lançamento de sua campanha neste domingo, 16
Foto: Reprodução/Renan Santos no YouTube / Estadão

O candidato atacou Lula, a quem chamou de "bêbado"; disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro era um "farsante" e "falso Messias"; acusou Flávio de ligação com integrantes do Comando Vermelho; e chamou os políticos do Legislativo alinhados ao bolsonarismo e ao lulismo de "vagabundos".

Antes do comício, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fez um protesto na faculdade, estendendo uma faixa. "A USP não é território para fascista. A Faculdade de Direito do Largo São Francisco tem uma história marcada pela defesa da democracia e pela resistência ao autoritarismo, que precisa ser lembrada quando a extrema direita tenta transformar NOSSO espaço em palco para repressão e violência", informou o grupo nas redes sociais.

Na sexta-feira, 14, a dois dias do início da campanha, a equipe de Renan informou que o candidato havia sido ameaçado de morte numa publicação anônima e que iria ao evento mesmo assim.

Romeu Zema: 'Cliente bom você trata bem'

O candidato do partido Novo escolheu começar por Montes Claros, no interior de Minas Gerais. A explicação de sua equipe foi que o ex-governador é admirador de Humberto Souto, ex-prefeito da cidade e ex-deputado que representou a região e faleceu em fevereiro de 2025.

Zema participou de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e depois falou com a imprensa. Na entrevista, o ex-governador de Minas Gerais destacou sua atuação para atrair investimentos e criticou a política internacional adotada pelo governo Lula.

"Fui o governador que mais andou pelo mundo e pelo Brasil em busca de investimentos", afirmou. "Sei conversar com o empresário porque já tive a oportunidade de ver e sentir na pele como o Estado brasileiro complica e maltrata a vida de quem trabalha."

O candidato avaliou que o governo petista conduziu mal a política internacional. "Cliente bom você trata bem", disse. "Esse governo está tratando muitos países mal, a começar pelos Estados Unidos."

"Questionou o dólar como moeda, como se mudar para euro ou yuan fosse resolver os nossos problemas, e se aproximou de países que não são democráticos, como Cuba, Irã e Venezuela. Depois vem reclamar que estão sofrendo sanção dos EUA", disse Zema.

Questionado sobre a união dos candidatos de direita no segundo turno das eleições presidenciais, o político fez uma comparação com as eleições do Chile.

"Estarei no segundo turno e, tal como aconteceu no Chile, toda a direita vai estar unida", afirmou. Zema adicionou que qualquer um que estiver contra o PT no segundo turno terá seu voto. "Tenho certeza que vai ser como assistimos no Chile há seis meses. Diversos candidatos de direita concorrendo no primeiro e trabalhando juntos no segundo (turno)."

Zema diz que condena o alinhamento brasileiro a regimes autoritários e critica a diplomacia internacional do País
Zema diz que condena o alinhamento brasileiro a regimes autoritários e critica a diplomacia internacional do País
Foto: Divulgação/Equipe Zema / Estadão

O candidato do Novo discursou ainda sobre a segurança pública. "O problema do Brasil é que bandido fica solto. A nossa Polícia Militar prende e a Justiça solta", afirmou.

"Quero o brasileiro se sentindo seguro, podendo andar com o celular na rua. Já fui assaltado três vezes", disse Zema. "Mas vamos mudar isso. Vamos colocar para mofar na cadeia quem estupra, quem mata e hoje fica solto infernizando a vida das pessoas de bem".

O político também criticou a atuação do STF "É político ficando cada vez mais rico, com contrato de R$ 129 milhões para a esposa e o povo cada vez mais pobre", pontuou. Apesar de não citar o nome do ministro Alexandre de Moraes, o valor coincide com o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Banco Master.

"Criamos uma casta nova, a dos intocáveis, que estão lá em Brasília se considerando acima da lei, se considerando donos do governo, do Estado e da nação. Sou o candidato que mais tem denunciado esses absurdos, inclusive respondo a um processo do ilustríssimo Gilmar Mendes, com muito orgulho. E não tenho medo, vou continuar falando porque não tenho rabo preso", disse.

Estadão
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