SP: conselho regional lança aplicativo contra ataques a dentistas
O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP) lançou nesta sexta-feira um pacote de medidas de segurança para tentar evitar e diminuir a ocorrência de casos de violência contra profissionais do setor, que inclui um aplicativo de socorro conectado a uma rede social, a criação de um disque-denúncia e uma cartilha com dicas de segurança. As ações ocorrem após dois dentistas serem assassinados queimados dentro de seus consultórios, durante assaltos ocorridos em abril e maio deste ano.
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O órgão anunciou que recomendará aos cirurgiões-dentistas que utilizem o aplicativo de segurança chamado Agentto, disponível para smartphones (iOS, Android e Windows), computadores e tablets. Segundo o conselho, o mecanismo possibilita que as vítimas alertem, através de um clique, seus familiares e amigos - ou, no caso, a rede social criada pelo CRO com profissionais da área -, de que estão sendo alvo de algum crime e que precisam de socorro.
"O alerta notifica as pessoas que estão na rede de segurança desse profissional de que ela precisa de socorro", explicou Sérgio Paim, um dos criadores do aplicativo. O app está disponível para download gratuito também no site do CRO-SP, onde constam também as instruções de uso.
Além das medidas de segurança anunciadas, a categoria planeja realizar dois protestos neste fim de semana - um em São José dos Campos, no sábado, e outro em São Paulo, no domingo, contra os atos de violência ocorridos nos últimos meses.
"Nós não queremos substituir o papel da polícia, mas queremos orientar os dentistas sobre esse assunto tão importante, e cobrar todas as autoridades para que esse problema seja coibido, diminuído", afirmou o presidente do CRO-SP, Claudio Yukio Miyake, durante entrevista concedida na capital paulista. "Hoje, nós temos certeza que as ocorrências são muito maiores do que imaginávamos. Por isso, os profissionais têm que seguir um protocolo de segurança e tentar se proteger", disse.
O primeiro crime brutal ocorreu em abril, quando a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza foi morta queimada dentro de seu consultório, em São Bernardo do Campo. No final de maio, assaltantes atearam fogo contra outro dentista, Alexandre Peçanha Gaddy, em São José dos Campos, que morreu na última terça-feira.
E-mail e disque-denúncia contra violência
Após a morte de Cinthya, o conselho criou um e-mail (o vamosnosproteger@crosp.org) para receber as denúncias de violência contra profissionais e encaminhar os dados à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Desde o início de maio, o órgão recebeu ao menos 65 relatos de assaltos a clínicas e consultórios odontológicos, sendo que 65% ocorreram na capital paulista e na Grande São Paulo e 35% no interior do Estado. Para o presidente do CRO, com base nos dados recebidos, a maioria dos crimes poderiam ter sido evitados, pois os criminosos se aproveitaram a vulnerabilidade dos locais.
"Alguns relatos apontam para crimes mais 'elaborados'. Ou seja, o assaltante marcou uma consulta, conhece o ambiente e faz o assalto no retorno. Mas a maioria dos crimes foram assaltos simples, em que os criminosos se deparam com um local sem grade, com pouco movimento. Daí a iniciativa de criar uma cartilha, com dicas específicas para os profissionais dentistas, mas muitas dicas básicas de segurança, para diminuir a vulnerabilidade dos profissionais", explicou Miyake. A cartilha está disponível para download gratuito no site do CRO.
A partir do dia 17 deste mês, o órgão também contará com um serviço de disque-denúncia gratuito (0800-700-5572), que funcionará no Estado de São Paulo durante o horário comercial. O CRO esclarece, no entanto, que o número não tem como função substituir o 190, nem tampouco oferecer socorro às vítimas: o objetivo é reunir mais relatos de casos e entregar as estatísticas e informações à Polícia Civil, para que novas medidas de segurança sejam tomadas pelas autoridades.