RJ: irmãos suspeitos por morte de avô terão ligações rastreadas
A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai pedir a quebra do sigilo telefônico dos irmãos Marcus Vinícius Rodrigues dos Santos, 28 anos, e Paulo Palmieri Rodrigues dos Santos, 29 anos, acusados de terem encomendado a execução do avô, o administrador do Cemitério do Caju, Paulo Francisco Rodrigues, 81 anos, em maio. O objetivo é saber qual a participação da dupla, que está foragida, no golpe tramado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, que obteve atestado de óbito falso para simular o próprio enterro.
Responsável pela investigação do assassinato, o delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios (DH), destacou que Paulo demitiu os netos depois da divulgação, em fevereiro, do plano de Nem. A perda do emprego, segundo a polícia, foi o estopim para a articulação da morte do administrador.
Recompensa por pistas
Agora, a Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), que descobriu a tentativa de golpe do traficante, vai auxiliar na apuração. "Nosso dever é investigar qualquer indício de crime. A quebra do sigilo telefônico pode nos esclarecer se eles estão envolvidos em algum esquema de emissões de falsos atestados de óbito, como o do Nem. Por enquanto, não há provas", afirmou o delegado Márcio Mendonça.
Na sexta-feira, o Disque-Denúncia (2253-1177) divulgou cartaz oferecendo R$ 2 mil de recompensa para quem der informações que levem à prisão da dupla de suspeitos. "A população pode nos ajudar a localizar o paradeiro dos netos da vítima. Esperamos, porém, que eles se apresentem, pois vamos achá-los", disse Ettore.
Funcionários do Cemitério do Caju se disseram chocados com o possível envolvimento dos irmãos na morte do administrador. "Estamos todos estarrecidos. Os dois trabalharam mais de sete anos conosco no balcão de atendimento ao público. Não podíamos imaginar que convivíamos com esses assassinos", afirmou uma funcionária.
Matadores contratados
A DH elucidou o crime com a prisão de Leonardo Correa dos Anjos, 23 anos, apontado como um dos matadores de aluguel contratados pelos netos de Paulo por R$ 5 mil. À polícia, ele confessou ter participado do assassinato, na saída da casa da vítima, no Encantado.
Leonardo disse que ficou na cobertura de Bruno Sá Simão Saviti, o Tobias, 20 anos, que teria feito os disparos. Reconhecido em fotos por uma testemunha, Bruno foi morto 14 dias depois do crime, provavelmente por desentendimento na partilha do pagamento da execução.