RJ faz operação contra quadrilha especializada em abortos
Além de médicos falsos, policiais civis e militares são acusados de envolvimento com as clínicas ilegais
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu até o momento 47 acusados de envolvimento com clínicas ilegais de aborto no estado do Rio de Janeiro, em operação deflagrada nesta terça-feira.
Entre as 75 pessoas que tiveram prisão preventiva decretada pela 4ª Vara Criminal da Capital estão policiais civis, militares e falsos médicos.
De acordo com a Corregedoria Interna da Polícia Civil, a organização criminosa atua há vários anos e praticava aborto em locais sem condições de higiene e salubridade. Um dos acusados de chefiar o esquema é o médico Aloísio Soares Guimarães, já preso e que praticava aborto desde 1962.
Todos foram indiciados por pelo menos 37 crimes de aborto comprovados e estão presos preventivamente.
O esquema envolvia sete núcleos que funcionavam em Copacabana, Botafogo, Campo Grande, Rocha, Guadalupe. Bonsucesso e Tijuca. Foram apreendidos carros de luxo, cofres com dólares e joias, além de farta documentação. As clínicas não eram sócias, mas não interferiam na região de trabalho uma da outra.
Os núcelos identificados lucravam muito com o negócio. Só uma clínica de Bonsucesso, zona norte do Rio, teria faturado R$ 2,7 milhões nos últimos dois anos.
A policia, através de 15 meses de investigação, conseguiu estabelecer uma tabela de preços que variava da idade da paciente (menores pagavam mais) e do tempo de gestação (quanto maior o tempo, mais caro). Procedimento com crianças de sete meses de gestação chegavam a custar R$ 7500.
Recentemente, a morte de Jandira Magdalena dos Santos, 27 anos, durante um procedimento de aborto levantou o tema novamente no Rio. O corpo dela foi encontrado dentro de um veículo queimado na zona oeste da cidade. Pelo caso, nove pessoas foram indiciadas, incluindo um falso médico.
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