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Polícia

Primo de Bruno foi morto por assediar mulher casada, diz polícia

4 set 2012 - 12h59
(atualizado às 22h19)
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Marcellus Madureira
Direto de Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais comunicou nesta terça-feira que o assassinato de Sérgio Rosa Salles, primo do goleiro Bruno, foi solucionado. Segundo apuração feita pela corregedoria da corporação, o crime foi passional, após a vítima tentar assediar uma mulher casada. Os suspeitos já estão presos.

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De acordo com o subcorregedor da Polícia Civil, Alexandre França Pena, o crime aconteceu por ciúmes. Para os investigadores, Sérgio estaria tentando seduzir Denilza Cesário da Silva, de 30 anos. Ela é mãe de quatro filhos, casada, mas tinha um amante chamado Alexandre Ângelo de Oliveira, 28 anos, acusado de ser o autor do crime.

Denilza contou para Oliveira os acontecimentos envolvendo Sérgio e ele decidiu matar o jovem. No dia 22 de agosto, data do crime, eles foram para as redondezas da casa do primo do goleiro. A vítima, novamente, assediou a mulher, e o amante desceu da moto efetuando dois disparos.

Depois do crime, Denilza decidiu sair de casa para morar com o amante. O casal explicou, em depoimento aos policiais, que não sabia quem era Sérgio. Com a repercussão do caso, eles decidiram se entregar.

Oliveira já tem passagem pela polícia por tráfico de drogas. O revólver calibre 38 utilizado no crime ainda não foi encontrado. Porém, a moto e os capacetes já foram apreendidos.

O crime

Sérgio Rosa Salles, primo do goleiro Bruno, foi assassinado no dia 22 de agosto em Belo Horizonte. Apelidada de Camelo, a vítima estava na rua Aracitaba, no bairro Minaslândia, quando foi atingida por pelo menos seis tiros, por volta das 7h30. Ele já esteve preso e respondia a inquérito por envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, amante do ex-goleiro do Flamengo.

Em depoimento, pouco mais de um mês após o sumiço de Eliza, Camelo disse à polícia que havia sido ameaçado por Macarrão, apontado como um dos mentores do crime. O amigo de Bruno teria dito a Sérgio que se ele falasse algo, teria o mesmo fim que Eliza Samudio.

O caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Sérgio Rosa Salles, que chegou a ser preso por participação no sumiço de Eliza Samudio, foi morto na manhã desta quarta
Sérgio Rosa Salles, que chegou a ser preso por participação no sumiço de Eliza Samudio, foi morto na manhã desta quarta
Foto: Luiz Costa/Hoje em Dia / Futura Press
Fonte: Especial para Terra
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