Polícia prende chefes do tráfico de drogas da Cidade de Deus
Uma investigação da 32ªDP (Taquara) que desencadeou operação na Cidade de Deus, há dez dias, teve nesta segunda seu resultado mais positivo. Dois dos principais chefes do tráfico da comunidade, que depois da implantação da UPP na favela se abrigaram nos complexos da Penha e do Alemão, acabaram presos. Julio César Soares dos Santos, o Julinho, gerente geral da localidade conhecida como Rua 15, foi preso na própria comunidade e Carlos Henrique do Santos, Carlinhos Cocaína, dono das bocas de fumo da parte dos Apartamentos.
Junto aos traficantes, policiais também prenderam o assaltante de bancos Wilson Caetano dos Santos, o Bomba, de 46 anos. Em 2006, ele teria participado do roubo a uma agência do HSBC no prédio da prefeitura, na Cidade Nova. Em janeiro, atacou novamente, numa tentativa de roubar o Banco do Brasil ao lado do Ministério Público Estadual, na avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio.
Lucros continuam
O trabalho de quase um ano de investigações da 32ª DP na Cidade de Deus revelou que, mesmo após a instalação da UPP, as bocas de fumo continuaram bastante rentáveis, faturando cerca de R$ 1,5 milhão mensais. A prisão de Julinho da 15 ocorreu na localidade conhecida como Bariri.
"Com medo de ser preso, ele foi para a Penha. E, agora, com medo de novo, voltou pra cá, e o pegamos", explicou o delegado João Luiz, titular da 32ªDP, que contou com apoio da UPP e de uma equipe do 14ºBPM (Bangu).
Também foram presos ontem: Marcele Otaviano, 25 anos, mulher do segurança do traficante Pezão, e um bandido conhecido apenas como Bibico, casado com a sobrinha de Mica, chefe na Chatuba.
Traficante enganou a avó
Adriano Alexandre dos Santos, 20, conhecido como Nano, foi preso ontem por policiais militares do 3º BPM (Méier), na Rua Canitá. O traficante do Morro do Juramento foi surpreendido quando tentava se passar por morador da favela. Um vídeo gravado pelo bandido há quatro meses, onde ele exibia armas, ajudou na identificação da PM.
"Fomos pegos de surpresa. Ele morava com a avó, que jamais desconfiou do envolvimento dele. Ontem, ele pediu para que eu levasse as duas filhas até ele", disse a mãe do rapaz, Elisangela Clarimundo, 37.
Polícia mata sanguinário
Um dos mais sanguinários traficantes da Baixada Fluminense, Luis Carlos Nese José, o Di Vidro ou DVD, foi morto domingo num dos confrontos no Alemão. Ele foi reconhecido no IML por parentes.
Acusado de participação em seis homicídios, ele era o chefe do tráfico da Mangueirinha, em Caxias, e também liderava uma quadrilha de ladrões de carro, que chegava a atacar 20 motoristas por semana.
Em sinal de luto, panos pretos foram pendurados em janelas perto das favelas da Mangueirinha, Santuário e Sapo. Em represália, um carro foi queimado no bairro Olavo Bilac, em Caxias, ontem à noite. Próximo à Rua Canitá, um homem também foi encontrado morto.
Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer). Na terça-feira, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal se juntaram às forças de segurança no combate à onda de violência que resultou em mais de 180 veículos incendiados.
Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do Complexo do Alemão, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeu, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.
Desde o início dos ataques, pelo menos 39 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro, mais de 120 foram presas e 181 veículos foram incendiados.