PF deflagra a 2ª fase de operação contra lavagem de dinheiro de recursos da Saúde no RJ
Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão; PF encontrou dinheiro vivo escondido em uma das empresas ligadas ao suposto esquema
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 30, a segunda fase da Operação Anafóra, contra a lavagem de dinheiro de recursos desviados da saúde pública do Rio de Janeiro. Na primeira etapa, em 2022, Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e então candidato a vice-governador do RJ na chapa de Cláudio Castro (PL), foi um dos alvos.
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São cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio, Niterói e Duque de Caxias. Deste total, dez foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e os demais pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), pois têm foro privilegiado.
Durante as buscas, os agentes apreenderam valores em espécie em uma das salas da empresa vinculada a um dos principais investigados, no bairro Xerém, em Duque de Caxias. O dinheiro foi encontrado escondido embaixo de um sofá.
De acordo com a PF, a primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2022, apontou que os investigados ocultam bens em nome de terceiros, mantêm despesas incompatíveis com sua condição financeira e participam de negociações vinculadas a imóveis.
A operação foi desencadeada por supostos indícios de favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. As contratações suspeitas superam na época o valor de R$ 560 milhões. Há quatro anos, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em todo o estado.
Na época, a PF encontrou na casa de Reis um fuzil calibre 556. Além da arma, os agentes também apreenderam R$ 700 mil em dinheiro e cheques na residência de José Carlos de Oliveira, ex-secretário de Saúde de Duque de Caxias.
Na ocasião, o ex-prefeito de Duque de Caxias afirmou em nota que o armamento foi localizado no carro usado pela sua equipe de segurança e "está acautelado oficialmente, protocolado e legalizado junto à Polícia Militar".
Segundo o então candidato, "o armamento foi liberado para uso da escolta policial do deputado estadual Rosenverg Reis (irmão de Washington), através de ofício encaminhado à Secretaria de Estado de Polícia Militar, para proteção do parlamentar durante o período de campanha eleitoral". Isso porque, diz a nota, "historicamente a Baixada Fluminense apresenta elevação nos índices de violência" durante esse período.
"Após viagem na noite da última quarta-feira, 31, quando Washington Reis e Rosenverg Reis estiveram no município de Porto Real, acompanhados da equipe de segurança, um dos veículos apresentou pane mecânica e o armamento e a equipe foram deslocados para o veículo onde o fuzil foi encontrado nesta quinta-feira pela manhã", diz a manifestação.
Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros que venham a surgir no decorrer das investigações.
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