Negociador e irmãos apontam morte de Eloá como premeditada
15 fev2012 - 00h23
(atualizado às 00h38)
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Marina Novaes
Vagner Magalhães
Direto de Santo André
O segundo dia do julgamento de Lindemberg Alves Fernandes foi marcado pelos depoimentos dos irmãos de Eloá Pimentel, Douglas e Ronickson, e do policial militar Adriano Giovanini, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que negociou a soltura das reféns durante a maior parte do cárcere privado, que durou mais de 100 horas. Todos disseram que desde que Lindemberg chegou ao apartamento da vítima, a intenção do réu era de matá-la. Convocada para depor pela defesa, a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, foi dispensada pela advogada Ana Lúcia Assad, que representa o réu, e não precisou depor. Isso, porém, não impediu que ela e o acusado se encontrassem. "Eu não vi arrependimento nos olhos dele", disse.
Mãe de Eloá deixa o fórum ao lado do advogado
Foto: Mauro Horita / Terra
O primeiro a ser ouvido pelo júri, ainda na manhã desta terça-feira, foi o policial militar Ronickson, irmão mais velho da adolescente, que classificou Lindemberg como "monstro, louco e agressivo".
Ele se emocionou ao falar sobre o caso e revelou que a família apenas "tolerava" o namoro entre Lindemberg e Eloá. "Ele era muito ciumento. A minha irmã nunca viveu a vida dela. Estava sempre com ele. Nunca vi ela sair com amigos, ir a um shopping. Não sei se era ele que não deixava ou ela não ia para não magoar ele", disse. "Minha irmã vivia chorando pelos cantos."
O irmão caçula da vítima, que era amigo de Lindemberg, também destacou a agressividade do réu e disse que o acusado já entrou no apartamento da família com a intenção de matá-la. "Ele tinha certeza do que queria fazer", afirmou.
Segundo os dois irmãos, a morte de Eloá "desestabilizou" profundamente a família. Além da tragédia, o pai, Everaldo Pereira, foi preso ao ser identificado como um foragido da Justiça ao passar mal diante das TVs em um momento do sequestro da filha. Ele está preso em uma penitenciária de Alagoas."A mãe de Eloá passa os dias chorando no quarto, tomando remédio, sempre que lembra sobre o que aconteceu, fica depressiva", contou Ronickson.
Ana Cristina chorou ao assistir ao depoimento do negociador do Gate, que disse que Lindemberg "espancava muito" a adolescente durante as 101 horas de cárcere privado. Enquanto as testemunhas falavam, Lindemberg praticamente não se mexeu, mantendo as mãos fechadas. A mãe de Eloá, porém, disse aos jornalistas que no rápido período em que ambos estiveram frente à frente no plenário, o rapaz fez um gesto que, na opinião dela, serviu para pedir que "aliviasse sua barra" ao depor. "Ele faria de novo, mataria Eloá", opinou Ana Cristina.
Além dos irmãos de Eloá e do policial do Gate, prestaram depoimento nessa terça-feira como testemunhas convocadas pela defesa os jornalistas Márcio Campos e Rodrigo Hidalgo, que cobriram o caso na época em que ele ocorreu; os peritos criminais Dairse Aparecida Lopes e Hélio Ramacciotti, da Polícia Civil; e o delegado Sérgio Luditza, do 6º DP (Distrito Policial) de Santo André, onde o caso foi registrado.
Invasão do apartamento
O depoimento do negociador do Gate Adriano Giovanini durou cerca de três horas e meia e, em diversos momentos, a defesa questionou a habilidade da polícia para negociar com Lindemberg. O policial falou principalmente sobre a invasão do apartamento da família de Eloá e sobre a volta da estudante Nayara Rodrigues, amiga da vítima, ao cativeiro.
Contrariando o que Nayara disse no dia anterior, o policial reafirmou que o Gate só invadiu o local após ouvir um disparo de dentro do apartamento. "Houve um disparo e a equipe invadiu". Questionado pela defesa do réu, Giovanini admitiu que os policiais não tinham equipamentos de tecnologia avançada para ouvir o que ocorria na residência, e que copos de vidro e um estetoscópio médico foram usados para auxiliar na audiência.
Giovanini também negou ter autorizado o retorno de Nayara ao apartamento de Eloá. Segundo ele, a adolescente se aproximou do local pois Lindemberg exigiu sua presença para soltar a refém, o que não ocorreu. Segundo ele, no entanto, Nayara sabia que não podia passar de um determinado ponto e se aproximar demais do criminoso. "Ela deve ter achado que aquela maneira iria ajudar mais a amiga", avaliou o PM.
"Hostilidade"
Ao final dos depoimentos, a advogada de Lindemberg disse à imprensa, em rápida entrevista em frente ao fórum, que estava sendo hostilizada pela população, devido às "mentiras" que a imprensa estaria publicando. Ao fim da sessão, que começou às 9h e só terminou por volta das 22h50, Ana Lúcia Assad pediu para deixar registrado na ata do julgamento que se sentiu ameaçada. Ana Lúcia se referia a uma informação supostamente divulgada de que ela discutiu com a mãe de Eloá - o que não ocorreu em nenhum momento.
"Se essa hostilização continuar por conta do que está sendo veiculado falsamente na imprensa, essa defensora não se sentirá segura para continuar os trabalhos em plenário. Gostaria de acrescentar que essa advogada referindo-se à si mesma não é acusada, nem tampouco ré, apenas está exercendo seu ofício", concluiu.
Nesta quarta-feira (15), o julgamento será retomado às 9h com o depoimento do policial militar do Gate Paulo Sérgio Schiavo, que atuou na invasão do apartamento. O réu também deve ser ouvido pelo júri antes dos debates das partes e do veredicto.
O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.
Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.
Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.
Acusado da morte de Eloá Pimentel, Lindemberg Alves chega no Fórum de Santo André para seu julgamento
Foto: Diogo Moreira / Futura Press
Familiares da estudante Bianca Consoli, assassinada aos 19 anos no ano passado, aguardam para "prestar solidariedade" à mãe de Eloá
Foto: Marina Novaes / Terra
Dezenas de curiosos aguardavam em fila para acompanhar o julgamento
Foto: Diogo Moreira / Futura Press
Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, chega para o julgamento do acusado pela morte de sua filha, Lindemberg Alves
Foto: Reinaldo Marques / Terra
A defensora de Lindemberg, Ana Lúcia Assaf, alegou que ele não está sendo julgado de forma correta
Foto: Diogo Moreira / Futura Press
Lindemberg Alves, acusado de matar a estudante Eloá Pimentel em 2008, é levado para o banco dos réus no fórum de Santo André
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Sala do fórum de Santo André já está pronta para o julgamento
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Repórteres entrevistam advogado antes do julgamento de Lindemberg Alves começar
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Jornalistas e curiosos se aglomeram em frente ao fórum de Santo André
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Fotógrafos e cinegrafistas acompanham a chegada de testemunhas e advogados no fórum de Santo André
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Fotógrafos foram convidados a entrar antes do julgamento começar
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Juízes e advogados se preparam para o julgamento de Lindemberg
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Sobrevivente do caso, Nayara chega ao Fórum de Santo André para depor sobre o cárcere e morte da amiga Eloá
Foto: Diogo Moreira / Futura Press
Homem protesta em frente ao fórum preso em uma cruz com fotos de Eloá
Foto: Reinaldo Marques / Terra
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, disse que seu cliente vai dar sua versão dos fatos
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Os advogados da família de Eloá, Ademar Gomes e José Beraldo, falam com a imprensa
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Foto: Terra
Movimentação da Polícia Militar em frente ao Fórum de Santo André, no início do segundo dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, chega ao fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Lindemberg chega ao fórum para o segundo dia do julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Manifestantes gritaram palavras de ordem em frente ao fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Os manifestantes usaram camisetas com foto de Isabella Nardoni
Foto: Mauro Horita / Terra
Manifestante levou cruz para a frente do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Curiosos fazem fila para acompanhar o julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Carro que leva Lindemberg de São Paulo a Santo André é escoltado na chegada ao fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Equipes da imprensa se preparam para cobertura do segundo dia do júri
Foto: Mauro Horita / Terra
Carro que transporta o réu chega ao prédio do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Integrantes do júri e plateia aguardam início do segundo dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, se prepara para o segundo dia
Foto: Mauro Horita / Terra
Advogados da família de Eloá conversam antes do início da sessão
Foto: Mauro Horita / Terra
Jurados aguardam depoimento de testemunhas
Foto: Mauro Horita / Terra
Jornalistas e curiosos aguardam para entrar no prédio do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Mãe de Eloá deixa o fórum ao lado do advogado
Foto: Mauro Horita / Terra
Ana Cristina Pimentel, porém, voltou ao plenário para acompanhar o depoimento do filho Douglas
Foto: Mauro Horita / Terra
Policiais acompanham a movimentação em frente ao Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
O advogado da família de Eloá, Ademar Gomes, reclamou da dispensa de sua cliente
Foto: Mauro Horita / Terra
Assistente da defesa, o advogado Thiago Pinheiro chega ao Fórum para o segundo dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
O assistente de acusação e representante da família de Eloá, José Beraldo, chega ao Fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Mãe de Eloá (de preto) deixa o Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
Ela concedeu entrevistas depois do depoimento do filho
Foto: Mauro Horita / Terra
Para Ana Cristina Pimentel, Lindemberg não demonstrou arrependimento
Foto: Mauro Horita / Terra
Ela falou com os jornalistas ao lado dos advogados
Foto: Mauro Horita / Terra
'Eu vi que ele quer limpar a barra dele', disse
Foto: Mauro Horita / Terra
Fila começou a se formar em frente ao Fórum de Santo André nas primeiras horas desta manhã
Foto: Mauro Horita / Terra
Foto: Terra
José Beraldo, assistente de acusação e representante da família de Eloá, chega ao Fórum para terceiro dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Policiais fazem segurança e organizam fila em frente ao Fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Cerca de 200 pessoas aguardavam para garantir lugar na plateia do julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Viatura estaciona próxima ao Fórum de Santo André, onde ocorre o julgamento de Lindemberg
Foto: Mauro Horita / Terra
O dia de hoje é um dos mais esperados já que há grande possibilidade de Lindemberg depor
Foto: Mauro Horita / Terra
Lindemberg chegou ao fórum por volta das 9h
Foto: Mauro Horita / Terra
Imagem feita do alto mostra multidão que aguardava em frente ao Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
Advogados e representantes da família de Eloá concedem entrevista
Foto: Mauro Horita / Terra
Manifestantes gritavam por justiça em frente ao Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
O advogado da família de Eloá, Ademar Gomes, cumprimenta o assistente José Beraldo
Foto: Mauro Horita / Terra
Equipe que trabalha na acusação de Lindemberg se prepara para terceiro dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Juíza Milena Dias chega ao Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
Juíza Milena Dias comanda julgamento de Lindemberg
Foto: Mauro Horita / Terra
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, sai do Fórum de Santo André acompanhada de Ademar Gomes, advogado da família de Eloá e assistente de acusação
Foto: Mauro Horita / Terra
Gomes afirmou que os dois "estão em lados opostos apenas no tribunal" e disse que, fora dele, são amigos
Foto: Mauro Horita / Terra
Ana Lúcia Assad falou aos repórteres sobre a fala de seu cliente. Essa será a primeira vez que Lindemberg será ouvido pela Justiça
Foto: Mauro Horita / Terra
A advogada de Lindemberg disse que ele está "calmo, tranquilo e focado". "Está preparado para falar", afirmou
Foto: Mauro Horita / Terra
"É o primeiro momento em que ele (Lindemberg) vai dar a versão dele. Ele vai falar a verdade", disse Ana Lúcia Assad
Foto: Mauro Horita / Terra
Movimento "contra a impunidade" aguarda fim do julgamento na saída do fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
O assistente de acusação José Beraldo concede entrevistas após manhã com depoimento de Lindemberg
Foto: Mauro Horita / Terra
Profissionais de imprensa cercaram o assistente de acusação nesta manhã
Foto: Mauro Horita / Terra
Jurista Luiz Flávio Gomes avaliou qual deve ser a estratégia da acusação
Foto: Mauro Horita / Terra
A advogada Ana Lúcia Assad deixa o Fórum de Santo André após o terceiro dia de julgamento de seu cliente, que responde pela morte de Eloá
Foto: Mauro Horita / Terra
A família de Eloá deixou o fórum em uma Base Comunitária Móvel da Polícia Militar
Foto: Mauro Horita / Terra
O irmão mais velho de Eloá, Ronickson Pimentel dos Santos, volta para casa após o terceiro dia do julgamento de Lindemberg
Foto: Mauro Horita / Terra
Após confessar ter atirado em Eloá e pedir perdão à família da ex-namorada, Lindemberg deixa fórum sob protestos de populares
Foto: Mauro Horita / Terra
Viatura que leva Lindemberg entra direto no estacionamento subterrâneo do Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
Viatura que leva Lindemberg entra direto no estacionamento subterrâneo do Fórum de Santo André
Foto: Terra
Manifestantes usaram grades de isolamento para colar cartazes de protesto
Foto: Mauro Horita / Terra
Inscrições pediam por justiça
Foto: Mauro Horita / Terra
O acusado chegou ao fórum por volta das 8h20
Foto: Mauro Horita / Terra
Mãe e irmão de Eloá, Ronickson, acompanham debate entre defesa e acusado, que deve durar cerca de três horas
Foto: Mauro Horita / Terra
Parentes de Eloá devem deixar o plenário somente com a divulgação da sentença
Foto: Mauro Horita / Terra
Julgamento acontece no Fórum de Santo André, no ABC Paulista
Foto: Mauro Horita / Terra
Advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, se prepara para quarto dia de julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Assistente de acusação conversa com jornalistas na parte externa do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
O advogado da família de Eloá, José Beraldo, conversa com jornalistas na entrada do Fórum de Santo André
Foto: Mauro Horita / Terra
Ele atua no julgamento como assistente de acusação
Foto: Mauro Horita / Terra
Manifestantes esperam pelo julgamento do lado de fora do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra
Mãe de Eloá agradece o apoio popular minutos antes da divulgação da sentença de Lindemberg
Foto: Thales Stadler/ABC Digi Press / Especial para Terra
Escoltado por policiais, Lindemberg deixa fórum em camburão
Foto: Thales Stadler/ABC Digi Press / Especial para Terra
Lindemberg deve retornar ao presídio de Tremembé, onde aguardava o julgamento
Foto: Thales Stadler/ABC Digi Press / Especial para Terra
Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, concede entrevista coletiva após a condenação de Lindemberg
Foto: Mauro Horita / Terra
Público em frente ao fórum comemora a condenação de Lindemberg Alves
Foto: Mauro Horita / Terra
Assistentes de acusação e membros da promotoria festejam após a divulgação da sentença
Foto: Mauro Horita / Terra
O assistente de acusação José Beraldo conversa com jornalistas após o fim do julgamento
Foto: Mauro Horita / Terra
Andréia Rodrigues, mãe de Nayara, disse que apenas Deus pode perdoar Lindemberg por seus crimes
Foto: Mauro Horita / Terra
A promotora Daniela Hashimoto disse que a condenação de Lindemberg foi uma resposta da sociedade à banalização da violência