Áudios expõem patroa que se vangloria de torturar faxineira grávida: 'Não era pra ter saído viva'
Jovem de 19 anos relata espancamento e ameaças com arma após ser acusada de roubo; caso ocorreu no Maranhão
Áudios enviados em um grupo de mensagens expõem um caso de violência brutal em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Neles, uma patroa se vangloria de ter agredido e aterrorizado uma jovem faxineira de 19 anos, grávida de cinco meses, dentro da própria casa onde a vítima trabalhava, no dia 17 de abril.
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Segundo o relato da jovem, identificada como Samara, ela havia aceitado o emprego doméstico temporário para juntar dinheiro e comprar o enxoval do bebê. A violência teria começado após a patroa acusá-la de roubar joias, em especial um anel desaparecido.
Nos áudios, a própria autora descreve a sessão de agressões físicas e psicológicas, que teriam durado cerca de uma hora e contado com a participação de um homem não identificado, chamado por ela para "ajudar". De acordo com a agressora, esse homem teria usado uma arma para intimidar Samara, chegando a colocá-la em sua boca. Os aúdios foram divulgados pela TV Mirante.
"Quase uma hora essa menina no massacre. E tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou a patroa.
"Eu acordei era 7h30. Aí eu: 'Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, 'que eu vou receber um amigo meu aqui em casa'. Aí ele chegou e eu disse 'entra, amigo'. Ele já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava."
Após a chegada do homem, agressora diz que chamou a funcionária para uma conversa e a confrontou diretamente sobre o suposto furto. "Aí eu: 'Samara, faz favor, vem cá. Ontem sumiu meu anel, você sabe, né? Aqui não entrou ninguém de fora, só a gente, a única pessoa estranha é você. E meu anel não tem perna e nem asa pra andar voando. Então quero que você vá pegar meu anel de onde você botou, para a gente não ter problema'", relatou.
A partir daí, as agressões teriam se intensificado enquanto a jovem era forçada a procurar o objeto pela casa. "Puxou a bicha, botou assim, tirou a touca da cabeça dela, pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha e botou na boca dela. 'Eu acho bom tu entregar logo esse anel, onde é que tá? Tá aqui? Bora brincar de quente ou frio. Tá aqui em cima, tá aqui embaixo?' Aí, onde ele ia apontando, botava a cabeça dela, se estava.
O anel foi encontrado posteriormente no cesto de roupas sujas, mas, mesmo assim, a agressão continuou, segundo os próprios áudios.
"Tapa e tapa, menina, dei. Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje meu dedo chega tá roxo", contou a mulher.
A jovem procurou a polícia no dia seguinte, registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito, que confirmou múltiplas lesões, incluindo uma marca de golpe na testa. A vítima afirma que foi causada por uma coronhada.
Em outra gravação, a suspeita afirma que não foi levada à delegacia por conta de um suposto conhecido entre os agentes.
"Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram de manhã mesmo aqui. Mas veio com um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: 'Se não fosse eu, tinha que te conduzir para a delegacia, porque tá cheia de hematoma'.
Aí eu disse: "Era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva'", afirmou.
Apesar das declarações dos próprios áudios, a versão apresentada formalmente pela suspeita à polícia é diferente. Em seu boletim de ocorrência, ela alegou ter encontrado as joias na bolsa da vítima e afirmou que a jovem fugiu do local após ser questionada, ainda segundo a TV Mirante.
A Polícia informou que a agressora já responde a mais de dez processos. Em um deles, em 2024, foi condenada por calúnia ao acusar falsamente uma ex-babá de roubo de joias.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública não respondeu até a última atualização sobre a ação do policial citado nos áudios. O espaço segue aberto.
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