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Polícia

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Mortes na Chatuba podem ter sido 'presente' para chefe do tráfico

11 set 2012 - 18h16
(atualizado às 18h26)
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Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

Os traficantes que torturaram e executaram seis jovens na favela da Chatuba comemoravam o aniversário de um dos líderes do tráfico local, conhecido como Ratinho, desde a madrugada de sexta-feira. A festa, regada e drogas e muita bebida, teve um ingrediente macabro pedido por Ratinho e o chefão do bando, Remilton Moura Junior, conhecido como "Juninho Cagão". Eles queriam a "cabeça" de um PM.

O pleito foi atendido quando traficantes do bando cruzaram com o cadete da corporação Jorge Augusto de Souza Alves Junior, 34 anos, naquela noite. Ele teve a identidade descoberta e foi violentamente torturado e morto pelos marginais. Seu corpo tinha marcas de violência sexual, espancamento e tiros. Ele foi encontrado morto na mala de um carro no sábado de manhã.

A barbárie continuou naquele dia, quando o pastor Alexandre Lima, 37 anos, também foi assassinado durante a manhã, num dos acessos à Chatuba. Ele estava de fone de ouvidos, e não teria escutado uma ordem dada pelos traficantes, sendo, então, executado. José Aldeci da Silva Junior teria presenciado o crime e sido capturado pelos bandidos. Ele segue desaparecido.

A polícia não descarta também que a tortura e morte dos seis rapazes tenha sido parte das "comemorações". A festa prosseguiu no sábado, quando os seis rapazes passaram pela região, e foram sequestrados. A polícia trabalha com duas frentes de investigação. Uma aponta que eles foram confundidos com traficantes rivais, foram pegos e mortos pelo bando de Ratinho e seu comparsa, Juninho Cagão. Os garotos estavam passando pela região, e estariam ouvindo, num celular, um funk que enaltecia uma facção rival.

A outra é de que os rapazes cruzaram com um grupo de traficantes do morro do Chapadão que teriam se deslocado para a Chatuba para participar da festa. Eles teriam questionado a presença dos jovens ali e os levaram até o bando que comanda o tráfico na favela.

Desde o dia do crime até a tarde desta terça-feira, o Disque-Denúncia, da secretaria de Segurança, recebeu 118 denúncias sobre o caso. As informações estão sendo repassadas à delegacia de Homicídios da Baixada. Apesar de a polícia ter ocupado a Chatuba, o serviço de informações reservadas da corporação tem a convicção de que os traficantes já deixaram a favela.

Nos últimos meses, vários traficantes de favelas do Rio ligadas à facção criminosa Comando Vermelho (CV) vêm circulando em comunidades de Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu. Com a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas da capital, muitos bandidos se deslocaram para cidades no entorno do Rio, nas quais o projeto ainda não chegou.

Amigos e parentes dos jovens assassinados que moram na Baixada Fluminense relataram que o quadro de violência na região se agravou bastante com o início das UPPs. Moradora do bairro de Cacuia, em Nova Iguaçu, uma amiga da família de Douglas Ribeiro, que pediu para não ser identificada, disse que o lugar, que tinha como uma das características a tranquilidade para se viver, está sob o domínio do medo imposto por novos traficantes que chegaram ali.

"Foi gente do Alemão, do Jacarezinho e de outro lugares do Rio para lá. Não deixo mais a minha filha sair de casa sozinha. Agora tem até motoboy que entrega cocaína lá. Antes, não tinha nada de tráfico", afirmou.

O motorista Celso Pereira Neto, também amigo da família, mora em Nilópolis e conta ouvir constantes relatos de violência gratuita de marginais de favelas da região. Sobre a Chatuba, na divisa com Mesquita, comentou que crimes como o que vitimou os rapazes que moravam no bairro Cabral, em Nilópolis, são constantes.

"Infelizmente houve essa tragédia, que chamou a atenção de todos. Mas sempre tem gente sumindo e sendo morta por lá. Se vasculharem o topo do morro, vão achar muita ossada, muita gente enterrada. O que não falta é gente desaparecida naquela área", observou o motorista, que contou ter ajudado a procurar os corpos, e estava presente quando eles foram encontrados às margens da Via Dutra. "Foi uma barbaridade. Não consegui ficar ali, saí porque estava passando mal", acrescentou.

Os corpos dos seis jovens mortos na chacina ocorrida no sábado no Parque do Gericinó em Mesquita, na Baixada Fluminense, são velados juntos, desde a madrugada desta terça-feira em um ginásio municipal em Nilópolis
Os corpos dos seis jovens mortos na chacina ocorrida no sábado no Parque do Gericinó em Mesquita, na Baixada Fluminense, são velados juntos, desde a madrugada desta terça-feira em um ginásio municipal em Nilópolis
Foto: Luiz Roberto Lima / Futura Press
Fonte: Terra
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