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Polícia

Mesmo depois da ocupação, igreja símbolo da Penha segue deserta

29 nov 2010 - 17h46
(atualizado às 19h49)
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Vagner Magalhães
Direto do Rio de Janeiro

A igreja de Nossa Senhora da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, permaneceu praticamente deserta desde os conflitos entre policiais e traficantes, na última quinta-feira, na Vila Cruzeiro. Localizada no alto de uma colina e com vista panorâmica para a comunidade e parte do complexo do Alemão, o local segue vigiado por homens armados, atentos a qualquer movimentação suspeita na comunidade, nesta segunda-feira.

Terra "invade" com a polícia casa de mega traficante:

Desde a invasão, a igreja permanece com um fluxo de fiéis bastante abaixo do normal. Na quarta-feira, véspera da incursão policial, imagens mostraram traficantes correndo no pátio da igreja e se abrigando no cruzeiro, local onde os fiéis acendem velas para pagar as suas promessas.

De acordo com o padre português Serafim Fernandes, 54 anos, que celebra missas no local há 14 anos, a comunidade acompanhou com bastante apreensão a incursão da polícia. "Rezei para que houvesse o menor número de vítimas possível. O que espero é que o local possa ter um rumo novo, ainda que seja cedo para avaliar. Os moradores dessa área merecem um novo clima", disse.

Padre Fernandes disse que mesmo nos dias em que o tiroteio foi intenso, a igreja esteve sempre com as portas abertas. "É óbvio que as pessoas ficaram com medo de vir até aqui. Ficamos impotentes com a situação de ver homens armados circulando por aqui, mas agora a situação está tranquila".

No domingo, as quatro missas celebradas, que costumam reunir cerca de mil pessoas - 250 em cada celebração - teve o movimento reduzido em até 75%. Para chegar à igreja, é necessário subir uma escadaria de 382 degraus. Um pequeno bonde puxado por cabos de aço faz o trajeto para os mais idosos.

Violência

Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer). Na terça-feira, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal se juntaram às forças de segurança no combate à onda de violência que resultou em mais de 180 veículos incendiados.

Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do Complexo do Alemão, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeu, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.

Desde o início dos ataques, pelo menos 39 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.

Fonte: Redação Terra
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