Maníaco de Contagem é julgado por mais uma morte em MG
Teve início na manhã desta terça-feira, na cidade mineira de Nova Lima, o julgamento de Marcos Antunes Trigueiro, conhecido como Maníaco de Contagem, acusado de estupro e assassinatos de mulheres na região metropolitana de Belo Horizonte. O júri popular se reuniu para julgar a morte de Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, violentada e morta em 2009, aos 35 anos. O julgamento começou por volta das 8h de hoje e não tem previsão para ser encerrado.
O réu já foi condenado a 62 anos de prisão por outros dois crimes sexuais com homicídios e furtos. Na época do crime, o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), classificou Trigueiro como um homem "frio, calculista e muito inteligente, mas de louco não tem nada. O laudo feito pelos psiquiatras do Instituto de Criminalística mostra isso", afirmou. "Ele é um criminoso que abordava as vítimas armado e, depois de estuprá-las, matava", disse.
O exame de material genético (DNA) comprovou ser de Marcos Antunes Trigueiro o sêmen encontrado nos corpos de três vítimas. De acordo com as investigações, a forma com que o criminoso matou as três mulheres é parecida: elas foram estranguladas com algum objeto que estava na cena do crime. Edna Cordeiro foi estrangulada com um cabide que ela levava no carro para pendurar um casaco. Todas sofreram violência sexual e tiveram apenas os telefones celulares roubados.
Trigueiro ainda é suspeito de matar e estuprar Adina Feitor Porto, 34 anos, e Natália Cristina de Almeida Paiva, 27 anos, no ano de 2009. Os julgamentos destes casos ainda não foram marcados.
Crimes em série
Em junho de 2010, Marcos Antunes Trigueiro foi condenado a 34 anos e quatro meses de reclusão e sete meses de detenção por homicídio qualificado, estupro, furto e por expor a vida de uma criança a perigo iminente.
De acordo com a denúncia, o réu teria abordado a empresária Ana Carolina Menezes seu veículo no bairro Industrial, simulou um assalto e a obrigou a dirigir até o bairro Califórnia. Após manter relações sexuais com ela, na frente do filho, na época com 1 ano, ele a estrangulou com o cinto de segurança, o que ocasionou a morte por asfixia. A empresária teve o corpo abandonado em um campo de futebol. Trigueiro ainda deixou a criança sobre a mãe e levou seu celular.
No dia 30 de setembro de 2010 veio a segunda condenação, dessa vez pela morte de Helena Gomes Aguiar, assassinada em setembro de 2009. Trigueiro foi condenado a 28 anos de reclusão pelo crime de estupro e homicídio triplamente qualificado e furto.
Outras duas mulheres foram alvos de Trigueiro, mas o exame de DNA não pôde ser feito porque os corpos foram encontrados em avançado estado de decomposição e não houve a possibilidade de se coletar material genético nas vítimas.
A comerciante Adina Feitor Porto, 34 anos, foi encontrada morta em uma mata de Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte. O carro dela foi localizado abandonado na mata das Abóboras, em Contagem.
Já a estudante de Direito Natália Cristina de Almeida de Paiva, 27 anos, sumiu em outubro de 2009. O carro que ela dirigia foi encontrado com marcas de batida no Barreiro, próximo ao bairro Industrial e a ossada localizada na mata do bairro Belvedere 2, em Ribeirão das Neves.
Por uma falha de comunicação entre o IML e a Delegacia de Ribeirão das Neves, Natália foi enterrada como indigente e só identificada após a exumação dos restos mortais, quatro meses depois da localização da ossada.
As duas famílias, de Adina e Natália, foram informadas pela polícia de que elas também foram vítimas do suspeito. Todas as vítimas são mulheres maduras, independentes financeiramente e foram abordadas quando voltavam para casa de carro próprio. Elas ainda têm feições parecidas (morenas claras, cabelos negros abaixo do ombro) e carreira profissional definida: três comerciantes, uma contadora e uma estudante de direito.