0

Irmão se desesperou ao ver PC morto, diz réu: 'o que foi que aconteceu?'

Segurança de PC Farias diz ter preservado a cena do crime e relata o que viu ao entrar no quarto do casal

9 mai 2013
20h03
atualizado às 20h07
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

O policial militar Reinaldo Correia de Lima Filho, ex-segurança do empresário Paulo César Farias, negou nesta quinta-feira, que tenha facilitado a morte dele e de sua namorada, Suzana Marcolino, a mando do irmão de PC, Augusto Farias. Réu por homicídio culposo por omissão, o PM afirmou que não recebeu qualquer ordem do irmão de seu patrão, que, segundo o seu relato, ficou desesperado ao encontrar o casal morto. "Quando ele chegou na janela (do quarto) e viu os corpos ele falou 'o que foi que aconteceu?', e foi pra cima de mim", relatou.

Último dos quatro réus a depor - além de Reinaldo, são julgados em Maceió (AL) Adeildo Costa dos Santos, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva, que integravam a equipe de segurança da casa de praia de PC Farias, onde o casal foi encontrado morto -, Reinaldo contou em detalhes os fatos ocorridos na manhã do dia 23 de junho de 1996.

O segurança afirmou que não estava na residência durante a madrugada, quando o crime teria sido cometido. "Eu cheguei às 8h30 da manhã na casa de praia. Me passaram o serviço, perguntei as ordens, como de costume. Me informaram que o doutor Paulo tinha ido dormir às 4h e pedido para acordá-lo às 11h", afirmou.

"Coloquei minhas coisas no alojamento e fui para a (guarda da) piscina. (...) Quando deu 11h, o Genivaldo (da Silva França, então garçom de PC) veio até a sacada e falou: 'Me ajuda aqui que eu estou tentando acordar o dr. Paulo e ele não me responde'. Eu até brinquei: 'segura aí que agora ele vai acordar'", prosseguiu o segurança. "Quando cheguei, vi que a porta estava trancada, e a Marise (Vieira de Carvalho, camareira) estava nervosa porque tinha encontrado o projétil debaixo da mesa de jantar, quando varria."

Caso PC Farias: 2º réu afirma que sala estava bagunçada

Reinaldo contou que, após seguidas tentativas de chamar PC Farias e de bater à porta do quarto, que estava trancada, foi até o lado de fora da casa, tentando forçar a entrada na janela do quarto. "Fui até a janela do quarto e, na parte de cima, tentei forçar com a mão para ver o que tinha acontecido no quarto, mas não dava", relata. Foi quando o segurança, na companhia de Genivaldo, Josemar, Marise e um caseiro, conseguiram arrombar a janela, com a ajuda de instrumentos de jardinagem.

"Fizemos uma alavanca e abrimos a janela. Quando abri, via dona Suzana toda ensanguentada, e o doutor Paulo parecia que estava dormindo. Entrei no quarto, fui até o lado dele para ver se tinha um sinal vital. Toquei no pescoço dele e vi que estava gelado, duro. Saí chorando, muito nervoso. Depois que voltei à calma foi que peguei o telefone e comecei a fazer ligações", disse o PM.

Após tentativas frustradas de entrar em contato com a casa da família de PC Farias, Reinaldo conta que conseguiu falar por telefone com Augusto. "Eu disse: 'deputado, vem para a casa (de praia) urgente'. Ele perguntou: 'é sério?'. E eu respondi: 'mais sério do que o senhor imagina'."

Cerca de 20 minutos depois, de acordo com o relato do segurança, Augusto chegou na casa de praia. "Eu fui na garagem para receber e vim acompanhando ele no trajeto, pra preparar ele pra notícia", afirmou. Segundo Reinaldo, ao ver o irmão morto, Augusto Farias foi tirar satisfações dele, ao que o segurança afirmou que só havia chegado na casa pela manhã. "Aí ele perguntou, bastante alterado: 'então quem estava ontem à noite?'. E eu disse que o Geraldo e o Adeildo. 'Então manda chamar os dois agora!'",  disse.

Cena do crime foi preservada, diz réu
Reinaldo também negou qualquer adulteração na cena do crime que tenha prejudicado o trabalho da perícia. "Tomei todo o cuidado com a cena do crime, por ser militar e saber a importância disso. O deputado (Augusto) entrou no quarto, até pedi que não tocasse em nada, nem no interruptor, pra não deixar impressões digitais", afirma.

Caso PC Farias: PM entra em contradição durante julgamento

Ao ser questionado sobre a retirada de documentos de Suzana que estavam no quarto, o segurança afirmou que fora autorizado pelos delegados que comandavam as investigações. "A perícia já tinha chegado, fez tudo, depois veio o IML, que fez a retirada dos corpos. Depois disso, o deputado disse: 'tem muita gente nessa casa, pega os pertences da Suzana que tiver aqui e entrega para a família dela'. Eu perguntei pro delegado Cícero Torres se podia fazer isso, e ele disse que tinha sido feito todo o trabalho de perícia e a remoção dos corpos e que não haveria problema algum", justificou.

Infidelidade
O segurança também respondeu a perguntas sobre supostas traições de Suzana a PC Farias. Segundo ele, o patrão uma vez ordenou que ele descobrisse o paradeiro de sua namorada, mas não entrou em detalhes sobre alguma suspeita. "Ela (Suzana) dava umas sumidas à tarde que ninguém encontrava", comentou. Reinaldo, porém, disse não ter ouvido qualquer comentário, na véspera da morte do casal, de que PC pretendia terminar o relacionamento.

O crime
Os PMs trabalhavam como seguranças de PC Farias e são acusados de homicídio qualificado por omissão. Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram assassinados na madrugada do dia 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma. À época, o empresário respondia a vários processos e estava em liberdade condicional. Ele era acusado dos crimes de sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. A morte de PC Farias chegou a ser investigada como queima de arquivo, já que a polícia suspeitou que o ex-tesoureiro poderia revelar nomes de outras pessoas que teriam participação nos mesmos ilícitos.

Caso PC Farias: 1º réu é ouvido no quarto dia de julgamento

Entretanto, a primeira versão do caso, que foi apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares, apontou para crime passional. Suzana teria assassinado o namorado e, na sequência, tirado a própria vida. A versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti, que descartou tal possibilidade e, mais tarde, novamente questionada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso. Os profissionais forneceram à polícia um contralaudo que comprovaria a impossibilidade, de acordo com a posição dos projéteis, da tese de homicídio seguido de suicídio.

Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade