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Polícia

Investigador atesta 19 ligações entre Mizael e vigia no dia do crime

Segundo testemunha, rastreamento de ligações demonstra que Mizael estava a até 16 km de distância de seu carro estacionado

12 mar 2013 - 20h44
(atualizado às 20h55)
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<p>Mizael enfrentou nesta terça-feira o segundo dia de julgamento pela morte de Mércia Nakashima</p>
Mizael enfrentou nesta terça-feira o segundo dia de julgamento pela morte de Mércia Nakashima
Foto: Fernando Borges / Terra

Os telefonemas dados e recebidos pelo aparelho de celular do réu Mizael Bispo de Souza no dia 23 de maio de 2010 - data do assassinato de sua ex-namorada Mércia Nakashima -, voltou a ser discutido entre defesa e acusação no segundo dia do seu julgamento, a exemplo do que já havia acontecido na véspera, com o depoimento de Eduardo Amato Tolezani, engenheiro em telecomunicações. Nesta terça-feira, o investigador Alexandre Simoni Silva, que fez a análise das ligações que partiram e foram recebidas pelo aparelho, foi ouvido por cerca de duas horas, convocado pela defesa do réu.

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De acordo com ele, foram 19 ligações feitas entre o réu e o vigia Evandro Bezerra da Silva, que é apontado pela promotoria como coautor do crime. O investigador, que pertencia à delegacia antissequestro na época do crime, foi convidado a fazer a análise pelo delegado Antonio Assunção de Olim, que chefiou a investigação. Hoje ele trabalha na Delegacia do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado.

Segundo a investigação, Bispo de Souza ligou 16 vezes para Evandro e recebeu três ligações de seu interlocutor. O policial, que diz ter trabalhado em pelo menos 150 casos - com sucesso - de sequestros, afirmou, a exemplo do que ocorreu no primeiro dia de julgamento, que o réu circulou pela cidade de Guarulhos, no momento em que é apontado como o horário provável do crime.

A defesa alega que Bispo de Souza estava nas imediações do Hospital Geral de Guarulhos, o que pode ser comprovado por meio do GPS do veículo. Porém, a acusação diz que depois de encontrar Mércia no local, ele teria seguido no carro da vítima, a matado e posteriormente levado o veículo até uma represa no município de Nazaré Paulista, local onde foi encontrado o veículo e o corpo da vítima.

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De acordo com a testemunha, Mizael usou dois números de telefone distintos para ligar para Mércia e para Evandro na noite do crime. No período em que o carro do ex-policial esteve parado nas imediações do Hospital Geral de Guarulhos, as ligações foram feitas apenas pelo telefone "frio", como classificou o promotor. O investigador da Polícia Civil afirmou que Mizael fez, com este número, ligações nas proximidades das casas de Mércia e da avó da ex-namorada. "Chamou atenção porque mostrou uma incompatibilidade com o depoimento, que dizia que estaria parado. Pela minha experiência pessoal, essa movimentação é atípica. Principalmente a antena das 21h21, que é totalmente incompatível com a localização do carro, a 16 km de distância", disse Simoni Silva. "O carro estava parado pelo indicativo do GPS, e o celular me passa a ideia de movimento", completou.

O depoimento de Simoni Silva fechou o segundo dia do julgamento de Mizael, suspenso por volta das 21h35. O julgamento deve ser retomado às 9h de quarta-feira, com cobertura ao vivo do Terra.

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

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Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Fonte: Terra
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