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Governo federal transfere detentos ligados a massacres

Entre três e nove detentos já estariam na unidade de segurança máxima; transferência é criticada pelo governo do Distrito Federal

29 mai 2019
17h10
atualizado às 17h18
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BRASÍLIA - O governo federal decidiu transferir para o seu presídio de segurança máxima de Brasília (DF) alguns dos detentos que participaram dos massacres que deixaram 55 mortos em quatro unidades prisionais de Manaus entre domingo, 26, e segunda-feira, 27.

A informação sobre quantos presidiários chegaram ao Distrito Federal, porém, não foi repassada ao governo da capital federal, segundo o governador em exercício, Paco Britto (Avante). Ibaneis Rocha (MDB) está em viagem em Portugal.

País tem cinco presídios federais
País tem cinco presídios federais
Foto: Ministério da Justiça/Divulgação / Estadão Conteúdo

"É uma falta de respeito, uma situação absolutamente temerária. Simplesmente fomos ignorados. Desde ontem à noite, estamos atrás de informações sobre quem e quantos criminosos foram enviados para o DF, mas não tivemos nenhuma informação. O que soube foi pela imprensa", disse.

Segundo Britto, as informações são de entre três e nove detentos já teriam chegado às instalações do presídio. Autoridades policiais do Amazonas investigam se o fim de uma aliança entre as organizações criminosas Família do Norte (FDN) e Comando Vermelho (CV), do Rio, tem relação com os massacres que deixaram 55 mortos. As execuções foram causadas por um racha interno, entre duas alas da FDN. Ao mesmo tempo, a Família do Norte e o CV disputam pontos de venda de droga, em Manaus e no interior do Estado, além de uma das maiores rotas de escoamento de cocaína no País.

Em março, Ibaneis fez duras críticas ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, por conta da transferência ao DF do líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Na ocasião, Ibaneis chegou a dizer que entraria com uma ação na Justiça para pedir o fechamento imediato da penitenciária federal que recebeu Marcola.

Moro reagiu e disse que se tratava de "falta de conhecimento" do governador sobre o presídio. O presídio federal foi inaugurado em outubro do ano passado e tem estrutura voltada à detenção de presos de alta periculosidade.

A estrutura da penitenciária foi inspirada na "unidade supermáxima" dos Estados Unidos, a ADX (Administrative Maximum Facility), erguida no Colorado. Conhecida como o "alcatraz das montanhas rochosas", ou Supermax, a prisão abriga criminosos como Dzhokhar Tsarnaev, de 21 anos, condenado à morte pelos atentados durante a Maratona de Boston de 2013.

Além do forte esquema de controle e disciplina, a penitenciária de Brasília tem estrutura idêntica a outros quatro presídios federais de segurança máxima erguidos em Campo Grande (MS), Catanduvas (PR), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). Parte dos detentos retirados de Manaus teria sido enviada para a unidade do Paraná.

Um total de 29 presos envolvidos nas chacinas deve ser transferido de Manaus para penitenciárias federais de segurança máxima, a pedido do governo do Amazonas. Até terça, 29, a transferência de nove presos havia sido concluída, e a de outros 20 detentos, confirmada.

Nas unidades, tudo é rigorosamente igual, das cores das paredes ao desenho dos prédios, passando pelos sucessivos portões de acesso, número de celas, seguranças e monitoramento. A revista para quem chega ao presídio passa por quatro etapas, com uma série de leitores de corpo e detectores de qualquer tipo de material. São 208 celas individuais, divididas em quatro blocos de dois andares. Cada cela tem 6 metros quadrados, com uma cama fixa de cimento, balcão e bancos de cimento, um vaso sanitário e uma pia fixa. A água de banho cai por um pequeno buraco no teto, acionado externamente pelo agente penitenciário.

O espaço é controlado 24 horas por dia. É proibida a entrada de qualquer tipo de aparelho, além de visita íntima ou qualquer tipo de interação física com quem quer se seja. Além das 208 celas, há outras 12 unidades para o chamado "Regime Disciplinar Diferenciado", onde está o Marcola. Nessas unidades, o preso sequer sai para tomar banho de sol com outros presos. Fica em isolamento na sala, que já tem uma pequena área para que possa tomar sol ali mesmo.

No presídio federal, o único contato fora da cela se dá no espaço reservado para tomar sol, durante duas horas por dia. No local fechado e com grades no teto, podem ficar sem algemas e conversar por até duas horas. Se se agruparem em mais de três presidiários, são separados por agentes. Nas demais 22 horas do dia, o presidiário fica na cela.

Todas as refeições, seis durante todo o dia, são feitas dentro do pequeno espaço. A comida vem de fora e passa pelo mesmo caminho dos visitantes para chegar ao detento. O preso tem acesso a determinadas leituras previamente escolhidas, mas não pode ir à biblioteca do presídio. Uma lista de livros é entregue na cela.

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Estadão
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