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Polícia

Delegado nega tortura de vigia e diz que Mizael estava no 'encalço' de Mércia

Responsável pelas investigação explicou envolvimento entre réu e suposto cúmplice

12 mar 2013 - 11h16
(atualizado às 12h59)
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<p>Policial reformado Mizael (D) durante o seu julgamento no Fórum de Guarulhos (SP)</p>
Policial reformado Mizael (D) durante o seu julgamento no Fórum de Guarulhos (SP)
Foto: Fernando Borges / Terra

O delegado Antonio de Olim, que conduziu a investigação sobre o assassinato da advogada Mércia Nakashima, disse nesta terça-feira, durante o segundo dia do julgamento sobre o caso, que o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, passou o dia 23 de maio de 2010 - quando ela morreu - no "encalço" da vítima. Em depoimento que começou às 9h30, no Fórum de Guarulhos (Grande São Paulo), o delegado ainda negou que o vigilante Evandro Bezerra Silva, acusado de ter ajudado Mizael, tenha sofrido qualquer tipo de tortura para confessar a participação - o vigia confirmou ter buscado o ex-PM em Nazaré Paulista (interior de São Paulo), onde o corpo da advogada foi encontrado em uma represa, mas sempre negou participação no crime. 

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"(Evandro) Ele fala que foi torturado lá. Eu cheguei lá, fiz IML (exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal) com ele, e não tinha nada. Ele falou na boa tudo. (...) Não tinha porquê (torturar). Nós tínhamos todas as provas na mão, sabíamos tudo o que ele fez naquele dia 23. Telefone não anda sozinho. (...) Então nós só mostramos (as provas) e ele começou a contar tudo. Contou até onde era conveniente para ele", disse o delegado, em referência ao rastreamento das ligações telefônicas feitas entre Evandro e Mizael no dia do crime, captado pelas antenas da região. 

Durante a primeira hora de seu depoimento, o delegado tentou explicar a ligação entre Mizael e o vigia, que prestava serviços como segurança para o réu e para quem o ex-PM teria telefonado 16 vezes naquele dia, supostamente a partir de um telefone celular "frio", que nunca mais foi usado por Mizael. Segundo o delegado, Mizael planejou com antecedência a morte de Mércia, com quem namorou por cerca de quatro anos, e contou a ajuda de Evandro para colocar seu plano em ação.  Mizael, que sempre negou a acusação, acompanha em plenário o depoimento do delegado, em silêncio.

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"Não vejo nenhuma tortura psicológica (na forma como foi conduzido o interrogatório), e o depoimento foi perante um advogado da Ordem (dos Advogados do Brasil, OAB). (...) Se houvesse um excesso, com certeza ele (o advogado) teria falado", completou o delegado, ressaltando que o depoimento do vigilante foi filmado e o vídeo, enviado à Justiça para comprovar sua "legalidade".

"Encalço"

"(O vigilante) Ele contou a história que realmente aconteceu. (...) Ele confirma que o Mizael foi próximo à casa da avó da Mércia (no dia do crime), então confirma que ele estava no encalço dela", disse o delegado, que acusa Mizael de usar um telefone celular "frio", ou seja, não cadastrado em nome dele, para combinar a execução do crime com o Evandro.  

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Olim também tenta desconstruir o álibi de Mizael, usando dados do rastreador do carro e das ligações telefônicas feitas por ele - a defesa de Mizael, no entanto, tenta provar que estava em outro local no momento em que Mércia foi morta e que alega ter tido a companhia de uma prostituta naquele dia. 

"Tudo bate. (...) É um quebra-cabeças", afirmou o delegado, que é a quarta testemunha a depor desde o início do julgamento, que começou ontem e só deve terminar na próxima sexta-feira. Mizael sempre negou ter matado Mércia e deve ser interrogado apenas após os depoimentos das testemunhas. 

Desconhecida

Durante o seu depoimento, o delegado Antonio de Olim disse que uma mulher tentou investigar o crime por conta própria e que, para tanto, se aproximou de Mizael. O relato do delegado sobre essa "história maluca" - conforme as próprias palavras de Olim - não agradou à defesa, que demonstrou não concordar com a "investigação" conduzida pela mulher, que teria se oferecido para ser álibi de Mizael. 

De acordo com Olim, a mulher teria descoberto o telefone celular de Mizael e marcado um encontro com ele, em São Paulo. Após a aproximação, ela teria ido até a casa do ex-PM e, em um último encontro, se ofereceu para ser seu álibi e se passar por uma prostituta, com quem Mizael teria passado a noite quando Mércia foi morta. "Fui procurado por uma mulher com essa história maluca. (...) Acreditem se quiser, tem gente que faz isso", disse o delegado. 

"Mizael e Evandro estavam no encalço da Mércia", diz Olim:

"Ela se ofereceu para ser álibi dele. Ele ficou pensativo e perguntou: você toparia?", contou Olim, que afirmou ainda que Mizael teria repassado a ideia aos seus advogados, que reagiram negativamente, com gestos, sendo repreendidos pelo juiz Leandro Cano, que recomendou que eles não esboçassem reação.  

Segundo o delegado, a suposta resposta afirmativa de Mizael comprovou para a mulher que ele era culpado. "Ela passou a acreditar que ele matou a Mércia", disse Olim, que apresentou uma foto da mulher com o réu para comprovar esse encontro, mas não revelou a identidade da moça.  

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Fonte: Terra
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