Comandante da PM de MG afirma que morte da capitã Michele é caso de “violência doméstica e familiar”
Coronel Cleide Barcelos se pronunciou durante o velório da policial militar; marido da vítima está preso e é investigado por feminicídio
A comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, classificou nesta quarta-feira, 22, a morte da capitã Michele Leão Azevedo como um caso de “violência doméstica e familiar” e afirmou que a corporação seguirá atuando no enfrentamento desse tipo de crime. A declaração foi dada à imprensa durante o velório da policial, em Belo Horizonte.
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Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, na noite de segunda-feira, 20. Já no local a polícia militar foi acionada pela equipe médica do Hospital, que após análise dos fatos prendeu o marido em flagrante pelo crime de feminicídio.
“Nos meus 29 anos de polícia eu aprendi que não existe nada mais triste do que a perda de uma vida. A morte da capitã Michele, assim como a de todas as outras mulheres, em virtude da violência doméstica e familiar, toca a nossa alma. E nos motiva, cada vez mais, a lutar contra esse inimigo, muitas vezes visível e, outras tantas, invisível, que assola a sociedade", afirmou a comandante durante o velório.
Cleide Barcelos também pediu que a população continue confiando no trabalho da corporação.
“Toda a nossa comunidade pode continuar acreditando no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias mineiras e todas as mulheres do estado de Minas Gerais. Esse é o nosso propósito, essa é a nossa missão, que nos foi dada por Deus. E nós não vamos recuar, mesmo frente aos maiores desafios e em meio às maiores dificuldades. Continuem contando com a Polícia Militar."
O que aponta a investigação
Segundo o boletim de ocorrência, Michele chegou ao Hospital Odilon Behrens por volta das 21h30 de segunda-feira já sem sinais vitais. A equipe médica constatou múltiplas lesões pelo corpo, incluindo um corte profundo na região frontal da cabeça.
Segundo o capitão Rafael Veríssimo, da PM de Minas Gerais, testemunhas próximas ao casal afirmam que eles tinham uma relação conturbada, marcada por idas e vindas, com términos e recomeços. “Há também a descrição de atos de violência psicológica e moral do autor em relação à vítima, trazendo esse contexto todo de violência doméstica e familiar”, aponta o capitão Veríssimo.
Imagens do circuito interno do prédio mostram o momento em que o sargento carrega o corpo da capitã nos ombros até a garagem antes de colocá-lo no carro.
A versão do acusado por feminicídio
Em depoimento, Eduardo Abner afirmou que ele e sua esposa haviam promovido uma confraternização na casa do casal na noite anterior, com consumo de bebidas alcoólicas e ecstasy.
Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois adormeceram e quando acordaram percebeu que a esposa não respondia a nenhum estímulo, então decidiu levá-la ao hospital. O sargento também declarou que Michele caiu da escada da residência, explicando o corte na cabeça.
De acordo com o capitão Rafael Veríssimo, da PM de Minas Gerais, Eduardo Abner foi pego em flagrante de tráfico de drogas ao descartar 18 comprimidos de ecstasy na lixeira de um dos banheiros do hospital.
Foram realizados levantamentos periciais tanto na casa do casal como no carro utilizado para levar a vítima até o hospital, que devem ajudar a esclarecer os fatos sobre o crime. Nesta quarta-feira, a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante do sargento Eduardo Abner, marido da vítima, durante audiência de custódia.
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