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Polícia

Caso Joaquim: delegado diz que crime pode ter sido premeditado

12 nov 2013 - 09h53
(atualizado às 12h03)
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Delegado Paulo Henrique Martins de Castro é o responsável pela investigação do caso Joaquim
Delegado Paulo Henrique Martins de Castro é o responsável pela investigação do caso Joaquim
Foto: Vagner Magalhães / Terra

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, responsável pela investigação do caso Joaquim, disse em entrevista coletiva nesta terça-feira, em Ribeirão Preto (SP), que o crime pode ter sido premeditado pelo principal suspeito, o padrasto da vítima Guilherme Raymo Longo. “É isso que a gente precisa analisar: qual foi a motivação do crime. Há alguns indícios de que tenha sido planejado previamente”, falou.

De acordo com o delegado, a mãe de Joaquim Pontes Marques, 3 anos, a psicóloga Natália Mingoni Ponte, prestou um novo depoimento ontem, no qual revelou novos detalhes sobre a vida do casal. “Ela prestou novo depoimento ontem e acrescentou alguns detalhes que estavam nebulosos. Não podemos revelar agora, talvez no decorrer das investigações”, disse.

O padrasto de Joaquim deve prestar depoimento nesta terça. As versões dos dois suspeitos serão confrontadas para serem usadas em uma futura acareação. “Os dois estão em sentidos opostos, mas como eles ficaram muito tempo juntos, a acareação será mais para frente após ouvirmos os dois”, contou o delegado.

Garoto foi encontrado morto após cinco dias de busca em um rio da região
Garoto foi encontrado morto após cinco dias de busca em um rio da região
Foto: Facebook / Reprodução

Natália e Guilherme tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada. Segundo a polícia, a expectativa é de que até o término deste prazo, os laudos e provas periciais estejam prontos para reforçar as hipóteses levantadas pela investigação. Novas testemunhas, como o pai de Guilherme, deverão ser convocadas para prestar esclarecimentos. Além disso, a polícia aguarda os resultados dos exames necroscópicos para comprovar a causa da morte de Joaquim.

Superdosagem de insulina

Ontem, o promotor Marcos Tulio Nicolino, que acompanha as investigações, disse, entrevista ao Terra, que declarações da mãe do garoto dão a entender que Joaquim possa ter sido vítima de superdosagem de insulina, aplicada pelo padrasto.

"Após o desaparecimento, ela (mãe) foi entregar a caneta que era utilizada para aplicar insulina. Nesse dia, o padrasto falou que tinha aplicado em si mesmo 30 doses de insulina. Porém, no dia anterior, ele disse que teria aplicado apenas duas doses", falou o promotor. Segundo Marcus, o padrasto de Joaquim, Guilherme Raymo Longo, pode ter mudado a sua versão para tentar justificar o uso da insulina. “Depois do aparecimento do menino, ele falou que usou as 30 doses. Ele estaria tentando justificar o desaparecimento daquelas doses, que ele poderia ter aplicado no menino para matá-lo", completou. 

Padrasto não aceitava Joaquim, afirma mãe do menino em depoimento:

O menino era diabético e precisava tomar doses constantes de insulina para sobreviver. Mas, para Marcus,  a criança era vista como um problema na vida de Guilherme, que tem um filho de poucos meses com a mãe de Joaquim, Natália Mingoni Ponte.  

"Ela (Natália) passou informações que nos levam a acreditar que o relacionamento dos dois não era harmônico como passado anteriormente. O casal brigava constantemente e um dos motivos era que o Guilherme não aceitava o filho de outro casamento. ‘Você tem um pedacinho do seu ex-marido aqui dentro de casa’, teria dito ele em algumas ocasiões”, falou o promotor.

Diante destas suspeitas, o delegado pediu exames que possam comprovar a existência dessa suposta superdosagem no organismo da vítima. Segundo ele, “todos os laudos já foram providenciados”.

Desaparecimento

O corpo de Joaquim foi encontrado neste domingo, nas águas do rio Pardo, no município de Barretos, vizinho de Ribeirão Preto – cidade na qual o garoto morava. Um exame preliminar de necropsia apontou que o garoto já estava morto antes de ser jogado no rio, segundo a Polícia Civil. A causa da morte, porém, ainda não foi confirmada.

Desde os primeiros dias do desaparecimento, as buscas foram concentradas na região do córrego Tanquinho e no rio Pardo, onde o córrego deságua. Na quarta-feira, um cão farejador da Polícia Militar realizou o mesmo trajeto ao farejar as roupas do menino e as de seu padrasto.

A Polícia Civil já havia pedido a prisão preventiva da mãe e do padrasto de Joaquim, mas a Justiça havia negado. O menino era diabético e vivia com a mãe, o padrasto e o irmão Vitor Hugo.

No boletim do desaparecimento registrado na Polícia Civil, a mãe relatou que acordou por volta das 7h e foi até o quarto da criança, mas não a encontrou. Em seguida, procurou pelos demais cômodos e na vizinhança, também sem sucesso. O garoto vestia uma calça de pijama com bichinhos quando foi visto pela última vez.

Foto: Terra

Fonte: Terra
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