Rio: Bruno e Macarrão ficarão em Bangu por 30 dias
O goleiro Bruno Souza e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ficarão presos no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, por 30 dias. O atleta e o amigo chegam ao Rio na quarta-feira. Os dois serão transferidos em função da segunda audiência do processo pelos crimes de sequestro e lesão corporal contra Eliza Samudio, ex-amante de Bruno.
Macarrão e Bruno estão entre as nove pessoas indiciadas pela morte de Eliza, que dizia ter um filho do atleta. A dupla ainda é acusada de sequestrar e agredir a mulher em outubro de 2009, no Rio. Eles teriam obrigado Eliza, grávida de cinco meses, a ingerir substâncias abortivas. A jovem registrou ocorrência do caso, mas não recebeu proteção da Justiça.
Na audiência, que acontece às 14h de quinta-feira, estarão presentes 14 testemunhas de defesa. Entre elas, o ex-jogador Zico, o ex-técnico do Flamengo Andrade e a presidente do clube, Patrícia Amorim. O processo tramita na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá. Por questões de segurança, a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, onde a dupla está presa há 45 dias, não divulgou detalhes da transferência.
A audiência será de instrução e julgamento, e o juiz Marco José Mattos ouvirá as cinco testemunhas de acusação convocadas pelo promotor Eduardo Paes, do Ministério Público. Mesmo não sendo ouvidos pelo magistrado na quinta-feira, Bruno e Macarrão têm o direito de presenciar a audiência. As testemunhas listadas pelo advogado Ercio Quaresma, que defende o goleiro e o amigo, serão ouvidas em outra audiência, ainda sem data definida.
A defesa de Bruno indicou oito testemunhas, entre elas a própria Eliza e os jogadores Adriano e Vagner Love. No entanto, a convocação dos três foi negada pelo magistrado. Bruno terá cinco testemunhas e Macarrão, oito. Além de Patrícia Amorim e Zico, Léo Moura, jogador do clube, está entre as testemunhas chamadas por Quaresma.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.